Fungo negro: Dive acompanha investigação de possível caso em Joinville

Caso de mucormicose, conhecida popularmente como fungo negro, é investigado em um paciente de 52 anos

A Secretaria de Saúde de Santa Catarina, por meio da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), informou, neste domingo (30), que está acompanhando o caso sob investigação em Joinville, no Norte do Estado.

“A Secretaria de Saúde de Santa Catarina, através da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), informa que no dia 29 de maio de 2021, o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde Estadual (CIEVS) recebeu notificação do CIEVS de Joinville sobre a suspeita de um caso de mucormicose, conhecida popularmente como “fungo negro”, em um paciente, de 52 anos, morador de Joinville. O caso, que está sob investigação, está sendo acompanhado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica”, destacou em nota.

Ainda no sábado (29), a Secretaria de Saúde de Joinville já havia informado sobre a suspeita de “fungo negro”.

fungo negroProvável caso de mucormicose (fungo negro) é acompanhado pela Secretaria da Saúde de Joinville – Foto: Reprodução

Segundo o município, a situação já estava sendo acompanhada pela equipe de Vigilância em Saúde desde que foi cogitada a hipótese do diagnóstico.

O caso é de um homem, de 52 anos, morador da zona Norte da cidade, com histórico de comorbidades (diabetes mellitus e artrite reumatoide). No dia 20 de fevereiro, ele apresentou sintomas gripais e realizou o teste de antígeno no dia 23, confirmando o diagnóstico para Covid-19.

Em 19 de março, em função de uma fraqueza generalizada relacionada com a Covid-19, foi internado em um hospital da rede particular. Teve alta no dia 4 de abril, com melhora geral do quadro de saúde.

Por ter apresentado cetoacidose diabética, uma complicação metabólica caracterizada por fatores relacionados com a diabetes, o paciente teve uma celulite facial, que prejudicou parcialmente a clareza da visão.

Nova internação

Por este motivo, ele iniciou imediatamente acompanhamento com médico especialista. O homem então foi internado novamente no dia 21 de maio, para realização de procedimento cirúrgico, que foi efetivado no dia 26 deste mês.

Atualmente, o paciente segue internado em unidade hospitalar particular, com monitoramento constante da Secretaria Municipal da Saúde, por meio da equipe da Vigilância em Saúde. As informações estão sendo compartilhadas com o Ministério da Saúde e com a Secretaria de Estado da Saúde.

Nesta segunda-feira (31/5), às 9h, novas informações serão repassadas sobre o caso em Joinville.

Mucormicose

O termo fungo negro é popularmente utilizado para se referir à mucormicose, uma infecção causada por um fungo da classe Zygomycetes e ordem Mucorales.

É considerada uma infecção fúngica grave e rara, originária de microrganismos que vivem em diversos ambientes, particularmente no solo com matéria orgânica em decomposição, como folhas, adubo ou madeira.

A mucormicose é contraída por pessoas que entram em contato com os esporos fúngicos. Indivíduos diabéticos, com doenças onco-hematológicas ou que utilizam medicamentos imunossupressores são mais suscetíveis à contaminação.

Em casos graves, a mucormicose pode evoluir para coma e óbito. A infecção, que geralmente se manifesta na pele, pode espalhar-se para outras partes do corpo.

Geralmente, o tratamento é realizado com intervenção cirúrgica para remover os tecidos infectados ou mortos. Em alguns pacientes, a evolução da doença pode resultar na retirada de parte da mandíbula ou do olho.

Também há tratamento medicamentoso, que pode envolver um período de 4 a 6 semanas de terapia antifúngica intravenosa, dependendo do quadro clínico do paciente.

Em nível mundial, diversos estudos estão sendo realizados para verificar possíveis relações entre a mucormicose e pacientes com Covid-19, especialmente os que apresentam comorbidades e quadros imunodreprimidos.

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