Gama-plus: o que se sabe da variante encontrada em SC e com alteração semelhante à Delta

Estudos ainda são incipientes, mas descobertas em amostras coletadas em maio acendem alerta para risco de maior transmissibilidade

A descoberta da gama-plus ainda está envolta em dúvidas, mas algumas características desta mutação preocupam. A principal delas é o fato desta variante ter uma alteração semelhante à Delta, mutação que se espalha que nem catapora. Ao todo, os pesquisadores do projeto Genov identificaram esta nova linhagem em 11 amostras coletadas em maio. Uma delas foi em Santa Catarina.

Gama-plus: o que se sabe da variante encontrada em SC e com alteração semelhante a DeltaVariante apresenta alteração semelhante a variante Delta, que interfere na sua transmissibilidade – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

É principalmente a transmissibilidade desta mutação que pode ser perigosa. Ela é originária da gama, também chamada de variante amazonense. A diferença é que no lugar do aminoácido prolina está a histidina, detalham os pesquisadores do projeto vinculado ao instituto Dasa.

A alteração genética está vinculada diretamente à “velocidade” do vírus, o que em tese potencializa a propagação. “Essa mutação já havia sido vista em outras variantes no mundo, incluindo em todas as variantes de preocupação, mas não era muito comum na Gama. No entanto, temos visto um aumento em sua ocorrência nas amostras brasileiras”, explica José Eduardo Levi, coordenador do Genov.

Conforme Levi, essa mudança pode fazer o vírus “explodir” em grandes centros urbanos, mas ainda é hipótese. É necessário avaliar outros aspectos que determinarão se a mutação irá se espalhar ou não. As demais amostras foram coletadas nos estados do Paraná (1), Ceará (1), Goiás (5), Tocantins (2), e Matogrosso (1).

Cuidados

As descobertas foram feitas no sequenciamento de 502 genomas do Sars-CoV-2, coletados na primeira quinzena de maio. Outras 878 amostras foram coletadas nos primeiros 15 dias de junho. Os resultados desta segunda leva serão divulgados na próxima semana.

“São achados que reforçam nossa percepção de que não devemos minimizar o risco que as variantes importadas para o nosso país, como a Delta, possam representar; mas que precisamos nos manter atentos para a evolução local da Gama”, afirma Levi.

Diante deste cenário preocupante a receita é a mesma: garantir o reforço das medidas não farmacológicas (distanciamento e isolamento social, uso de máscara e higienização das mãos), ampliar a oferta de vacinas e realizar a vigilância genômica, alertam os estudiosos.

Local será detalhado na próxima semana

Os municípios onde foram coletados as amostras da gama-plus serão detalhados na próxima semana. Na ocasião também serão divulgados os resultados de junho. A iniciativa é um dos maiores projetos de vigilância genômica do Continente.

O superintendente Eduardo Macário, da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), ressaltou ao ND+ a necessidade de mais pesquisa. “Como ainda está em estudo, apenas nas próximas semanas vamos compreender o que pode acontecer “, afirmou.

A pasta aguarda a informação do município onde foi identificado a nova variante, necessária ao monitoramento. Até o início julho, quando saiu o último boletim genômico da Dive, o Lacen (Laboratório Central) já tinha identificado 22 linhagens diferentes da Covid-19 em Santa Catarina.

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Saúde

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