Gean Loureiro sinaliza extensão da quarentena em Florianópolis na próxima semana

Diferente do governo do Estado, que deve anunciar a flexibilização de mais atividades, prefeito da Capital teme aumento geométrico dos casos com liberação de serviços

As três semanas de quarentena ainda são insuficientes para garantir o achatamento da curva de contaminação do novo coronavírus em Florianópolis. Essa é a convicção do prefeito Gean Loureiro (DEM) que, diante da flexibilização de atividades propostas pelo governo do Estado a partir de segunda-feira (13), cogita manter as medidas restritivas na Capital. Entre elas, não permitir a abertura do comércio e o funcionamento do transporte público municipal.

Depois que o governador Carlos Moisés anunciou na última quarta-feira a disposição de fazer novas liberações a partir de segunda-feira, a abertura do comércio e do transporte coletivo tem sido cogitada e debatida.

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Em entrevista ao programa Balanço Geral, da NDTV, Gean Loureiro rechaçou essa possibilidade.

“Nós sabemos que, se não tivermos um controle nesse momento, permitindo liberar todos os serviços, esse número de contaminados vai se ampliar e provavelmente os leitos de UTI não serão suficientes para atender a toda população”, declarou.

Gean ressaltou a situação de Florianópolis na pandemia, que aparece como a quarta cidade com maior índice de contaminados por habitante do Brasil. Diante da subnotificação, apenas pelo número de pacientes internados, a Capital deve ter pelo menos 3 mil pessoas infectadas, sendo a maior parte assintomática.

“Por isso, nós estamos discutindo e tendo a liberação do comércio por parte do governo do Estado, Florianópolis ainda deve permanecer alguns dias com limitações e restrições, evitando que possa acontecer uma curva de contaminação que crie o colapso do sistema de saúde”, argumenta.

Prioridade é salvar vidas

O aspecto econômico da crise também preocupa Gean, mas a prioridade é salvar vidas. O prefeito revela que a queda de arrecadação do ISS (Imposto Sobre Serviços) deverá ser de 90%.

“Vai ser muito dífícil conter, mas se eu pensar só nas finanças da prefeitura, e achar que eu tenho que liberar tudo para todo mundo comprar, gerar uma série de contatos, eu não estou preocupado com o bem maior que é a vida”, justifica.

Diante da situação, Loureiro já contingenciou 70% do orçamento municipal para ser aplicado na Saúde, além de reduzir o próprio salário em 30%, e dos secretários, em 20%.

“Estamos revisando todos os contratos, reavaliando aquilo que é fundamental e essencial para deixar o recurso para a Saúde que é nossa prioridade”, acrescentou.

Estratégias para conter avanço da doença

Outra situação que preocupa o prefeito é a característica turística de Florianópolis, com grande fluxo de pessoas, especialmente de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, que têm os maiores números de infectados no país. Por isso, Gean defende uma estratégia mais cautelosa, que possibilite a identificação dos infectados, através de testes, seguido de isolamento e monitoramento.

Nos próximos dias, 30 mil testes já estarão à disposição do sistema de saúde municipal.

“A preocupação é muito grande, nós estamos muito próximos do limite e hoje, liberar tudo em Florianópolis, significa ter um crescimento geométrico e daqui duas semanas ter que fechar tudo de novo. Então nós pretendemos ter uma ação de controle muito rigorosa dos contaminados, isolando e monitorando, e gradativamente podendo voltar a economia à normalidade”, completou.

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