Governo de SC compra, por R$ 30 milhões, 500 ventiladores pulmonares da WEG

Por valor inferior ao pago à Veigamed e ainda com 300 equipamentos a mais, a Secretaria de Estado da Saúde está finalizando contrato para efetivar compra junto à Weg, de Jaraguá do Sul

O Governo de Estado de Santa Catarina, alvo de CPI que apura compra de 200 respiradores pulmonares da Veigamed, está comprando mais 500 ventiladores pulmonares para equipar os hospitais.

Desta vez, a empresa contratada é a Weg Drives & Controls – Automação LTDA, de Jaraguá do Sul, e o valor pago será de R$ 30 milhões, abaixo do montante pago à Veigamed, e por 300 equipamentos a mais. Além disso, o valor unitário dos respiradores da Weg é de R$ 60 mil enquanto os da Veigamed chegaram a R$ 165 mil cada.

A Weg, que fica no Norte do Estado, é reconhecida no mundo todo pela tecnologia empregada e soluções de alta performance em acionamentos para motores elétricos industriais.

Inclusive, em coletiva na tarde desta sexta-feira, o governo de SC informou que a assinatura do contrato deve ocorrer ainda na noite desta sexta-feira (22) e que a Weg também irá atender outros estados brasileiros.

A informação da dispensa de licitação para compra foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (21). A última movimentação do portal do governo para consulta de processos mostra que a Secretaria de Estado da Saúde já determinou ao Núcleo de Contratos para que providencie com urgência a confecção do contrato para a efetivação da aquisição de 500 ventiladores pulmonares.

Os primeiros 100 ventiladores produzidos com tecnologia catarinense (Ventilador Pulmonar Microprocessado para UTI Pediátrico e Adulto, modelo WL3) serão entregues até o fim da próxima semana. O restante será entregue no mês de junho.

De acordo com o encaminhamento do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES), a compra de 500 equipamentos se faz necessária para o cumprimento da meta de instalação total de 865 leitos de terapia intensiva, de modo a preparar a rede hospitalar catarinense para um possível aumento dos casos de COVID-19.

O argumento é embasado em um plano de contingência que impõe que os Estados precisam ficar atentos à possibilidade de superação da capacidade de resposta hospitalar para atendimento dos casos graves. Assim, a adaptação e ampliação de leitos e áreas hospitalares e a contratação emergencial de leitos de UTI pode ser necessária, com o objetivo de evitar mortes.

Em nota, a Weg informou que já iniciou a produção de ventiladores em suas instalações fabris em Jaraguá do Sul. “Estamos formalizando as tratativas com o Governo do Estado de Santa Catarina e com o Ministério da Saúde para iniciarmos as entregas nesta última semana de maio”, destacou Manfred Peter Johann, diretor superintendente da Weg Automação.

Para viabilizar a produção de ventiladores pulmonares, a empresa precisou adaptar cinco fábricas para a produção de ferramentas, válvulas metálicas, componentes plásticos, gabinetes metálicos e placas eletrônicas. “Foi um trabalho intenso de reconversão industrial, que envolveu mais de 100 colaboradores, finaliza Manfred.

Equipamentos da Veigamed não chegaram aos hospitais

Já com relação aos 200 respiradores comprados por R$ 33 milhões da Veigamed e que viraram alvo de investigação e de CPI na Assembleia Legislativa, por enquanto é só espera. Nenhum dos equipamentos comprados com suspeita de superfaturamento chegou às unidades hospitalares de SC.

Esses equipamentos deveriam ter chegado ao Estado no início de abril, mas até agora só foi entregue um lote com 50 respiradores que ainda continuam retidos na Receita Federal.

O recuo do governo na compra de respiradores mais baratos

Outra polêmica que está na mira da CPI na Assembleia é o recuo do governo na compra de 100 respiradores Intelbras por R$ 7 milhões (R$ 70 mil por unidade), valor muito menor do que os da Veigamed, que estariam superfaturados.

O fato é que, antes da compra dos equipamentos da Veigamed, o governo tinha uma proposta mais acessível apresentada pela Intelbrás, segundo levantou a CPI, inclusive com garantia de entrega, mas acabou recuando.

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