Governo diz não haver indicativos de que caos na saúde se instale em SC

Em nota, executivo catarinense explica que aumento de casos de Covid-19 pode ser explicado por integração de dados locais com os do Ministério da Saúde no fim de abril

A informação de que Santa Catarina pode ser o próximo estado a entrar em colapso no sistema de saúde pública, depois do Amazonas, por causa da pandemia do novo coronavírus, surpreendeu o governo, nesta segunda-feira (4).

Flexibilização do isolamento pode dar falsa sensação de segurança – Foto: Arquivo/Flavio Tin/NDFlexibilização do isolamento pode dar falsa sensação de segurança – Foto: Arquivo/Flavio Tin/ND

A notícia circulou pela internet, logo após matéria publicada pela Folha de S. Paulo. A justificativa seria o aumento de casos no Estado em uma semana: de 20 a 28 de abril, o salto foi de 1.063 para 1.995.

Em resposta à publicação, o Governo do Estado disse não haver um indicativo que respalde a informação publicada pela Folha.

Por meio de nota, a administração estadual afirmou que a partir do dia 28 de abril, os dados estaduais sobre à Covid-19 passaram a integrar os sistemas do Ministério da Saúde. Assim, casos confirmados por teste rápido sorológico e os casos confirmados por critério clínico e vínculo epidemiológico passaram a ser contabilizados.

Segundo o governo, isso explica o aumento no número de caso dos boletins entre os dias 27 e 28 de abril. No entanto, a administração não respondeu sobre a diferença entre os dias os 20 e 28, datas levantadas pelo jornal.

A nota termina esclarecendo que são feitas avaliações de cenários e projeções sobre novos casos. “O aumento de casos e óbitos também é um movimento esperado diante do avanço da pandemia”, disse o governo. (Leia a nota na íntegra no fim da matéria)

Isolamento social e flexibilização

Santa Catarina foi o primeiro estado brasileiro a anunciar medidas de distanciamento social. A decisão foi anunciada em uma coletiva no dia 16 de março pelo então secretário de Estado da Saúde Helton Zeferino. Na data, o Estado tinha sete casos confirmados da doença, segundo o Ministério da Saúde.

O balanço atualizado pelo governo de Santa Catarina divulgado na tarde deste domingo (3) mostra que o Estado alcançou a marca de 2.519 casos confirmados. Desde o início da pandemia, 52 pessoas morreram em decorrência da doença.

A retomada de igrejas e templos religiosos foi regulamentada pelo governo do Estado no dia 20 de abril e iniciou no dia 21. Já a retomada de academias, shoppings, restaurantes e centros comerciais ocorreu no dia 22 de abril.

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Chama atenção também o aumento no número de caso na semana anterior ao mencionado pela Folha, quando o comércio de rua voltou a funcionar. Entre os dias 11 e 20 de abril, o número de casos passou de 732 para 1.063.

Neste início do mês de maio, Santa Catarina passou do 11º lugar (27 de abril) para o 9º lugar (3 de maio) no número de casos registrados entre os 27 estados brasileiros, também o Estado com o maior número de acometimento do novo coronavírus no Sul do Brasil.

Um estudo feito pelo Laboratório de Conservação e Gestão Costeira da Escola do Mar, Ciência e Tecnologia da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) apontou que o crescimento de casos entre os meses de abril e maio foi de 737% e de 940% de óbitos de pessoas acometidas pela doença.

Outra situação registrada no Estado diz respeito à compra de respiradores para combate ao coronavírus avaliada em R$33 milhões.

Os 200 equipamentos não chegaram aos hospitais catarinenses. Uma CPI foi aberta pela Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) para apurar a denúncia.

Aumento no número de óbitos

O Ministério da Saúde avalia que o número de mortes vai começar a aumentar no Estado. O último boletim divulgado no domingo (3) pela Secretaria de Estado da Saúde confirmava 52 mortes.

Além do aumento, existem casos que mesmo notificados pelas prefeituras não integram o balanço oficial do Estado.

Um exemplo, é a morte de uma senhora de 87 na quinta-feira (29), em Florianópolis. Mesmo confirmada pela prefeitura, ela não fez parte dos últimos três boletim atualizados diariamente pela gestão estadual.

Outra questão é a subnotificação. Um estudo feito por professores da Univille (Universidade da região de Joinville ), UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e uma universidade do Canadá apontou que há uma subnotificação de óbitos de 278% em Santa Catarina.

A pesquisa considerou dados das primeiras 16 semanas epidemiológicas de 2020. Segundo o estudo, o número de mortes à época seria de 117 ao invés das 42 oficialmente confirmadas até 26 de abril.

Leia na íntegra a nota do governo de Santa Catarina

Não há no momento nenhum indicativo que respalde a informação veiculada colocando Santa Catarina como próximo foco do caos do coronavírus. No dia 28 de abril, o painel do Governo de Santa Catarina passou a integrar os sistemas do Ministério da Saúde, sendo eles: e-SUS VE e SIVEP Gripe, e assim os casos confirmados por teste rápido sorológico e os casos confirmados por critério clínico e vínculo epidemiológico passaram a ser contabilizados, o que explica o aumento de casos dos boletins entre os dias 27 e 28 de abril.

O Governo do Estado atua com avaliação e projeção de cenários do novo coronavírus de forma constante. O Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES) trabalha com a análise diária da evolução do número de casos e ocupação de leitos ambulatoriais e de UTI em Santa Catarina para a tomada de decisão. Todas as definições e seus regramentos levam em consideração as diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.

O aumento de casos e óbitos também é um movimento esperado diante do avanço da pandemia. O Governo de Santa Catarina já criou 343 novos leitos de UTI em hospitais públicos e filantrópicos desde o início da pandemia do novo coronavírus – o que representa 40% a mais da capacidade hospitalar pré-existente no estado. Mas é fundamental que neste momento cada um faça sua parte e, quem puder, fique em casa.

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