Governo entregou quase três milhões de comprimidos de cloroquina

Laboratórios das Forças Armadas aceleraram fabricação do remédio a partir de 23 de março, por ordem do presidente

Desde que a cloroquina foi aventada como medicação auxiliar no tratamento da Covid-19, o governo brasileiro distribuiu o medicamento a praticamente todos os Estados, sendo que dez deles receberam acima de 50 mil comprimidos, num total de 2.932.000 comprimidos.

Expectativa é que o Ministério da Saúde mude a orientação sobre o uso da cloroquina esta semana – Foto: Folha de Pernambuco/R7/Divulgação/NDExpectativa é que o Ministério da Saúde mude a orientação sobre o uso da cloroquina esta semana – Foto: Folha de Pernambuco/R7/Divulgação/ND

São Paulo, epicentro da doença no Brasil, recebeu até agora 986 mil comprimidos. Para o Ceará, segundo estado em número de infectados por coronavírus, foram enviados 302 mil unidades, e para o Rio de Janeiro, 224 mil.

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A expectativa é que esta semana o Ministério da Saúde mude a orientação e passe a permitir o uso da cloroquina também para paciente iniciais da Covid-19. O protocolo atual orienta a aplicação a pacientes em estado moderado ou grave da Covid-19, sob algumas condições.

O Conselho Federal de Medicina faculta o uso do medicamento no início dos sintomas, desde que o médico informe o paciente que “não existe nenhum benefício provado dessa droga, explicando também os riscos que ela apresenta”, segundo o presidente do CFM, Mauro Ribeiro. Entre os principais efeitos colaterais da cloroquina está a arritmia cardíaca.

Na última sexta (15), poucas horas depois da saída de Nelson Teich do comando da pasta, o Ministério da Saúde divulgou nota anunciando que “finaliza novas orientações” num documento que abrangerá o atendimento a casos leves da Covid-19 e prevê que serão “descritas as propostas de disponibilidade de medicamentos”. Justifica a medida como forma de “dar suporte aos profissionais de saúde do SUS” e garantir acesso “aos usuários mais vulneráveis às melhores práticas que estão sendo aplicadas no Brasil e no mundo”.

A determinação para que os laboratórios das Forças Armadas ampliassem a produção partiu do próprio presidente Jair Bolsonaro, em 23 de março. O laboratório do Exército detém o registro da cloroquina. O reforço na fabricação permitiu a produção de até dois lotes por semana, alçando 500 mil comprimidos. Para isso foi preciso suspender ou adiar a fabricação de outros medicamentos que abastecem o SUS. Os 21 laboratórios oficiais fabricam 30% dos remédios adotados no sistema público de saúde.

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