Governo lança campanha Setembro Amarelo em SC

Ação reforça importância da prevenção ao suicídio e propõe um diálogo aberto sobre o tema

A campanha Setembro Amarelo, realizada ao longo deste mês, busca conscientizar sobre a prevenção ao suicídio e propõe um diálogo aberto sobre o tema para reduzir o número de casos.

Segundo a OMS, nove em cada 10 mortes por suicídio podem ser evitadas – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom

Em Santa Catarina, os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) realizam atendimentos com profissionais capacitados e há iniciativas de prevenção do Governo do Estado, como ações voltadas aos estudantes na rede pública estadual de ensino.

“Precisamos conscientizar as pessoas, esclarecer e abrir espaço para falar sobre suicídio. É preciso deixar que as pessoas possam falar sobre o sofrimento, e isso pode trazer alívio e conforto. As pessoas próximas podem perceber sinais e ajudar na prevenção”, explica Libiana Bez, enfermeira da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos Crônicos da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina).

A enfermeira ressalta a importância de “procurar ajuda especializada para acolher e encaminhar o tratamento adequado”.

Conforme dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), nove em cada 10 mortes por suicídio podem ser evitadas. Saber reconhecer os sinais de alerta, procurar auxílio profissional e adotar hábitos saudáveis pode salvar vidas.

Alguns sinais podem servir de alerta à família e amigos. “O isolamento, o abuso de álcool e outras drogas, mudanças bruscas de humor, a diminuição do autocuidado e até a automutilação. Esses sinais, especialmente quando se manifestam constantemente, requerem atenção especial”, afirma Libiana.

Até 25 de agosto deste ano, foram registradas 400 mortes por suicídio em Santa Catarina, sendo o maior número de casos entre 50 e 59 anos, com 78 mortes registradas. Em 2019, foram 807 óbitos.

Já em relação às tentativas, foram 2.678 até agosto deste ano e 6.118 em 2019. A faixa etária com maior número de tentativas é a de 20 a 29 anos, conforme informações do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) do Ministério da Saúde.

Cuidados devem ser redobrados durante a pandemia

Com o isolamento social devido a pandemia da Covid-19, os cuidados para os riscos de suicídio devem ser redobrados. De acordo com a médica da Dive/SC Lígia Castellon, o confinamento pode agravar problemas crônicos de saúde, entre eles, a depressão.

“Estudos científicos têm demonstrado que, com o isolamento, as pessoas podem apresentar alterações no sono, distúrbios alimentares, excessos provocados pela ansiedade e pela dificuldade de praticar atividade física, piora nos problemas crônicos de saúde e uso abusivo de álcool, cigarro e outras drogas”, afirma Lígia. Ela lembra que esses excessos podem gerar prejuízos para a saúde física e mental.

Formas de prevenção

Para prevenir o suicídio uma das principais medidas é procurar ajuda profissional. No sistema público, a porta de entrada para o acolhimento de pessoas com algum transtorno mental são as unidades básicas de saúde.

Os serviços públicos de saúde mental de Santa Catarina contam com 110 CAPS em diversos municípios e diferentes modalidades. Nessas estruturas são atendidas pessoas que vêm em demanda espontânea, incluindo as que têm distúrbio psiquiátrico, pensamento suicida e tentativa de suicídio.

Para o secretário de Estado da Saúde, André Motta, o diálogo sobre o tema capacita o profissional da saúde e prepara a população. “O conhecimento das pessoas sobre o tema é o que muitas vezes encaminha uma pessoa com ideações suicidas para o tratamento profissional adequado. Cada vida é valiosa e por isso nós, em conjunto com outros órgãos do Estado, trabalhamos para que toda a esfera pública se sensibilize sobre o tema”, ressalta.

Outro importante aliado na prevenção do suicídio é o CVV (Centro de Valorização da Vida), que oferece apoio emocional gratuitamente, de forma voluntária, 24 horas por dia, por telefone 188, e-mail ou chat pelo site da instituição.

Além de buscar ajuda profissional, também é possível ajudar a prevenir quadros mais graves com atitudes simples, como a escuta ativa. A ferramenta consiste em oferecer um lugar em que a pessoa se sinta segura para conversar.

“É uma escuta que realmente ouve e compreende o que o outro diz. Se você perceber que a pessoa não se sente à vontade para se abrir, deixe claro que você estará disponível para conversar em outras oportunidades, ofereça suporte emocional e informe sobre a ajuda profissional. Pode ser necessário contatar serviços de saúde mental, familiares e amigos da pessoa, caso você perceba que não pode oferecer a ajuda adequada”, explica a médica Lígia Castellon.

Outras atitudes que podem ajudar na prevenção é a criação de uma rotina adaptada à realidade da pandemia para auxiliar no foco e no controle emocional. A prática de exercícios, uma alimentação balanceada e o contato, mesmo que remoto, com o ciclo familiar e de amigos pode reduzir a sensação de solidão e a ansiedade.

Esses hábitos estimulam a produção de serotonina e diminuem o estresse. A enfermeira Lidiane lembra que transtornos mentais são um problema de saúde como qualquer outro e requerem ajuda profissional.

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