Por que a Grande Florianópolis voltou ao nível mais grave da Covid-19?

Afrouxamento e desprezo pelas regras agravam a situação na região e em todo o Estado, segundo epidemiologista e professor da UFSC

A amenização no quadro da pandemia de Covid-19 na Grande Florianópolis durou uma semana no mapa de risco da doença. A região terminou 2020 em nível grave (laranja) na atualização de 30 de dezembro, mas acaba de recuar para o gravíssimo (vermelho) nesta quinta-feira (7).

Cenas de aglomeração na Lagoa da Conceição repercutiram no país – Foto: Reprodução/Redes Sociais/NDCenas de aglomeração na Lagoa da Conceição repercutiram no país – Foto: Reprodução/Redes Sociais/ND

O primeiro recorte da pandemia em Santa Catarina neste 2021 tem outras nove regiões em nível gravíssimo e seis no grave. Não há regiões em nível alto (amarelo) ou nível moderado (azul). Além da Grande Florianópolis, as regiões do Médio Vale do Itajaí, Oeste e Xanxerê saíram do grave para o gravíssimo.

Na visão do epidemiologista Lúcio Botelho, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), as aglomerações recentes contribuíram para o agravamento do quadro na região.

“Aglomerou, não usou proteção individual, não tem como, o vírus está circulando ainda com intensidade gigantesca. Para mim, a grande questão é que ainda vamos ficar no gravíssimo por muito tempo. O afrouxamento é consequência da ausência de governo”, disse Botelho.

Nas últimas semanas, governo estadual e Justiça têm travado uma sucessiva queda de braço para restringir ou permitir determinadas atividades.

Enquanto isso, catarinenses – e turistas, que tradicionalmente chegam a Santa Catarina nesta época do ano – têm sido indiferentes à situação.

Prova disso são os flagrantes registrados na internet e que fizeram Santa Catarina virar assunto nacional por festas lotadas no feriadão de Réveillon.

Evolução da pandemia na Grande Florianópolis

A Grande Florianópolis chegou a ficar cinco semanas no nível gravíssimo e fechou a última semana de 2020 no nível grave. Após o Réveillon e Ano-Novo, e com a intensificação do movimento com a alta temporada no litoral, a região voltou ao nível gravíssimo.

Os dois índices em que a região tem números mais controlados são “evento sentinela”, que mede a mortalidade da Covid-19, e “capacidade de atenção”, que mostra a ocupação dos leitos de UTI.

No tópico “evento sentinela”, a região manteve o recuo da semana anterior, marcando 2,0 (alto). Em “capacidade de atenção”, manteve-se no 3,0 (grave).

Transmissibilidade e monitoramento em alerta

Em “transmissibilidade”, em que se evidencia a variação no número de confirmação positiva e casos infectantes, a Grande Florianópolis apresentou aumento.

No recorte de 30 de dezembro, a região marcava 2,5 (grave). Hoje está em 3,5 (gravíssimo), empurrando a média geral para o nível vermelho.

Em “monitoramento”, que revela o percentual de positividade de exames RT-PCR do Lacen (Laboratório Central), a Grande Florianópolis manteve o índice 4,0 (gravíssimo) da semana passada, o que também puxa a região para o vermelho.

“O mundo está em uma sequência ‘no sense’ que eu não sei onde vai parar. Basta caminhar na rua, que é impossível imaginar que não aumente a transmissibilidade, não tem jeito. Está tudo solto, tudo liberado!”, lamenta o epidemiologista.

Ações em Florianópolis

A Prefeitura de Florianópolis informou, por meio da Secretaria de Saúde, que segue as medidas do governo estadual.

“Além disso, temos aumento no quadro de profissionais de saúde, que já foi divulgado no começo da temporada, e capacidade para 1.150 testes diários, além de ações de fiscalizações para evitar a disseminação de covid-19”, informou a assessoria.

A contribuição das praias

O professor Lucio Botelho também critica o foco em protocolos que “as pessoas não cumprem”. Segundo ele, a exigência do uso de máscara na praia, por exemplo, é um fingimento.

Grande Florianópolis volta ao nível mais grave da Covid-19. Praia dos Ingleses, Norte da Ilha, estava lotada no último domingo de 2020, em 30 de dezembro – Foto: Anderson Coelho/NDGrande Florianópolis volta ao nível mais grave da Covid-19. Praia dos Ingleses, Norte da Ilha, estava lotada no último domingo de 2020, em 30 de dezembro – Foto: Anderson Coelho/ND

“Está todo mundo sem máscara. Não adianta protocolo. Um protocolo só tem sentido se houver fiscalização, ou um grande acordo social de que tem que haver multa, que não pode haver impunidade”, defendeu Botelho.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Florianópolis, a fiscalização do uso de máscara na praia segue a mesma lógica do uso em outros espaços públicos.

“Sempre que, após abordagem, a pessoa se negar a utilizar a máscara, será aplicada penalidade de multa, após a devida identificação pessoal. A Guarda Municipal e Polícia Militar auxiliam nessas ações com efetivo nas ruas”, informou a assessoria.

A Secretaria informou também que tem auxiliares de fiscalização da SUSP (Superintendência de Serviços Públicos), que atuam orientando o distanciamento e dão suporte à fiscalização do comércio ambulante durante na temporada.

De acordo com a Prefeitura de Florianópolis, 188 inspeções, 25 autos de intimação (sendo dois de advertência), 9 autos de infração e 1 de multa já foram emitidos desde o dia 1º de janeiro de 2021.

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