Greve revela carência da saúde em Santa Catarina

Leitos são fechados nos hospitais da Grande Florianópolis por falta de profissionais

Débora Klempous/ND

greve saúde Hospital Celso Ramos Florianópolis

Enquanto pacientes aguardavam atendimento, segundo andar do Celso Ramos estava vazio

Deputados estaduais, entre eles Volnei Morastoni (PT), presidente da Comissão de Saúde da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), visitam pela manhã desta terça-feira, 27, os hospitais Infantil Joana de Gusmão e Celso Ramos. Lideranças dos conselhos profissionais da área da saúde, sindicatos, membros dos conselhos estadual e municipal de saúde e a imprensa foram convidados para acompanhar a visita de hoje e conhecer a situação dos hospitais durante a greve. Na semana passada, os líderes das bancadas na Alesc garantiram que trabalhariam para a reabertura das negociações entre o Sindsaúde, e o governo.

Sem retorno dos deputados, a direção do sindicato dos servidores, apoiada por mais 20 entidades, foi ao Centro Administrativo na tarde de segunda-feira. Policiais militares usaram spray de pimenta em alguns manifestantes, que queriam entrar no prédio para protocolar um documento pedindo audiência com o governador Raimundo Colombo. O secretário de Estado de Saúde, Dalmo de Oliveira, voltou a afirmar que não haverá discussões com a categoria enquanto houver greve. Também não haverá mais contratações de profissionais. “Tivemos que referenciar algumas emergências, como a do Celso Ramos e a do Hospital Infantil. Assim, só são atendidos pacientes trazidos por ambulância ou transferidos de outros hospitais”, explicou.

De acordo com ele, 60% dos leitos do Hospital Celso Ramos estão fechados. “Tem servidores trabalhando, mas não íamos conseguir atender todos os pacientes internados. Temos já 50 pacientes graves. Mesmo com 100% do pessoal trabalhando não daria conta”, revelou Dalmo.

A equipe do Notícias do Dia entrou no Celso Ramos na tarde de segunda e flagrou a situação. Três andares estão totalmente fechados, dois concentram os internados, o ambulatório está fechado, UTI e semi-intensivo atendem parcialmente e a emergência está com atendimento controlado. “Aproximadamente 60% dos concursados aderiram à greve”, disse Nereu Sandro Espezim, diretor do Sindsaúde.

Infantil continua com emergência fechada

Mesmo com a sala de espera vazia para exames como raio-X, Ana Carolina Machado, 20 anos, não conseguiu ser atendida no Celso Ramos. Ela mora em Palhoça, torceu o pulso e ficou mais de 30 minutos esperando retorno de algum profissional em pé, no lado de fora da emergência. “Em Palhoça não tinha máquina de raio-X. Decidi vir aqui, porque era emergência. Agora me mandaram ir para a UPA Sul, única que tem o aparelho”, contou.

A emergência do Infantil também continua fechada. Segundo o diretor do hospital, Roberto Souza Morais, 41 leitos estão fechados por falta de profissionais. “Dos 800 funcionários, 180 estão em greve e muitos pediram atestado médico nos últimos dias. Os leitos estão fechados por causa da greve e também por outros problemas que enfrentamos, como falta de funcionários”, afirmou.

Médicos apoiam a greve

A ACM (Associação Catarinense de Medicina) divulgou em seu site (www.acm.org.br) nota oficial sobre os problemas da saúde. Segundo o presidente Aguinel José Bastian Júnior, a nota não é sobre a greve, mas sobre a carência da saúde, que piorou muito com a paralisação dos servidores. “A situação não está assim por causa da greve. A população já é desassistida. Temos mais de 30% da capacidade dos hospitais fechada por falta de profissionais. É um problema bem maior que a greve”, afirmou.

Bastian Júnior acredita que o fechamento das emergências é para garantir o melhor atendimento à população. “Para uma unidade funcionar não depende só dos médicos. A falta dos servidores torna impossível atender uma emergência. Se for para garantir atendimento penso que está correto referenciar as emergências. Somos a favor da greve, desde que continuem mantidos atendimentos de urgência e emergência”, destacou.

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