Hospitais de Blumenau avaliam adotar protocolo para definir quem vai ocupar leitos de UTI

Ofício informando a decisão foi enviado à prefeitura nesta segunda-feira (15)

Os três hospitais de Blumenau que operam na linha de frente do atendimento aos pacientes com Covid-19 devem adotar um protocolo para definir os pacientes que vão ocupar os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A adoção do protocolo, segundo os hospitais, se dá pela “escassez de recursos para atendimento dos pacientes que necessitam de leito com suporte intensivo (UTI)”.

Hospitais de Blumenau adotam protocolo para definir ocupação de leitos de UTI – Foto: Reprodução internetHospitais de Blumenau adotam protocolo para definir ocupação de leitos de UTI – Foto: Reprodução internet

Um ofício, assinado pelos diretores técnicos dos hospitais Santa Isabel, Santo Antônio e Santa Catarina, informando a decisão, foi encaminhado nesta segunda-feira (15) ao secretário de Saúde Winnetou Krambeck. De acordo com informações da assessoria de imprensa da Secretaria, Krambeck recebeu o documento e conversou com representantes dos hospitais para entender o procedimento.

O documento não determina uma data para o início da medida, mas afirma que “tão logo possível” a triagem deve ser iniciada. As ações devem seguir o Protocolo de Recomendações da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), Abramed (Associação Brasileira de Medicina de Emergência), SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos) de alocação de recursos em esgotamento durante a pandemia por Covid-19. 

Hospitais de Blumenau informam à prefeitura de Blumenau sobre adoção de protocolo para definir ocupação de UTIs – Foto: ReproduçãoHospitais de Blumenau informam à prefeitura de Blumenau sobre adoção de protocolo para definir ocupação de UTIs – Foto: Reprodução

Apesar de ter sido informada pelos hospitais, a prefeitura informou que não se manifesta sobre a adoção do protocolo por se tratar de uma medida interna dos hospitais.

Já os hospitais vão se pronunciar por meio de uma coletiva de imprensa online na tarde desta terça-feira (16).

Critérios

De acordo com o protocolo citado pelos hospitais no ofício, a decisão sobre a ocupação dos leitos de UTI deve ser tomada por uma comissão constituída por pelo menos três profissionais experientes (dois médicos e um profissional da equipe multidisciplinar) e, preferencialmente, também por um bioeticista e um representante da comunidade.

Além disso, o protocolo estabelece vários critérios que precisam ser considerados para a tomada de decisão:

  1. Identificar a presença por parte do paciente de Diretivas Antecipadas de Vontade ou expressões de desejos prévios de não receber tratamento em UTI ou de ser submetido à ventilação mecânica invasiva. Isto pode ser feito com a ajuda do médico assistente e familiares. Estes pacientes deverão ter seus desejos respeitados e não deverão ser triados.
  2. Manter a estabilização clínica enquanto os dados de triagem necessários sejam colhidos – idealmente os dados devem estar disponíveis em um período de 90 minutos.
  3. Calcular a pontuação do paciente conforme o SOFA (indicador que calcula o grau de gravidade das disfunções orgânicas apresentadas por um paciente), presença de comorbidades que sugiram uma probabilidade maior de sobrevida inferior a um ano (preferencialmente via SPICT: presença de pelo menos dois critérios) e ECOG (ver passo a passo na tabela 1).
  4. Alocar os leitos de UTI e/ou ventiladores mecânicos aos pacientes com menores pontuações.
  5. Utilizar a pontuação total do SOFA como primeiro critério desempate. Persistindo o empate na pontuação entre pacientes a equipe de triagem deve ser acionada de forma a fazer a alocação de recursos baseado em julgamento clínico.
  6. Comunicar de maneira empática a pacientes e familiares sobre o processo de triagem, informá-los da pontuação atual do paciente e acolher as necessidades de informação e as necessidades emocionais e espirituais sempre que possível.
  7. Fazer registro apropriado da pontuação do paciente em prontuário. 8. Manter pacientes que não foram priorizados na lista de triagem e no aguardo da disponibilidade de leitos de UTI ou ventiladores mecânicos. Reavaliar esses pacientes regularmente, mantendo cálculos atualizados. Pacientes poderão solicitar exclusão da triagem a qualquer momento. 9. Reavaliação regular dos pacientes que foram alocados leitos de UTI ou ventiladores mecânicos; evitar a distanásia (morte lenta e com grande sofrimento).

Vale lembrar que a prefeitura de Blumenau conseguiu ativar sete dos 28 “leitos de guerra” de UTI possíveis, e que a principal dificuldade para a implantação, segundo o município, é a contratação de profissionais para atuarem nas unidades intensivas.

Segundo o último boletim com informações do coronavírus em Blumenau, divulgado nesta segunda (15), a cidade tem 180 pessoas hospitalizadas: 107 em enfermaria e 73 em UTI, sendo que a ocupação dos leitos é de 100%.

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Saúde