Hospital de Itajaí é descredenciado de programa de residência

Estudantes que faziam parte do programa foram remanejados para outros hospitais para concluir a formação; maternidade continua em operação

O Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, encerrou o programa de residência em ginecologia e obstetrícia. Por meio de nota, a instituição informou que isso não altera o andamento das atividades da maternidade.

Segundo a instituição, o programa “foi encerrado por mudanças da estrutura e solicitação dos próprios residentes”. A decisão já teria sido tomada em julho de 2020.

Hospital Marieta Konder BornhausenHospital de Itajaí encerra programa de residência em ginecologia e obstetrícia. – Foto: Bruno Golembiewski/ND Itajaí

No entanto, por meio de nota, o MEC (Ministério da Educação) informou que o hospital foi descredenciado em junho, depois de denúncias e uma investigação.

Os residentes são egressos da Univali (Universidade do Vale do Itajaí). Eles devem ser remanejados para outros programas de Residência Médica. Como são ex-alunos da universidade, a Univali não possui vínculo com o hospital. É um contrato direto entre o estudante e a instituição.

Denúncias dos residentes

Em setembro de 2019 um grupo de residentes do programa de ginecologia e obstetrícia do hospital encaminhou uma denúncia à coordenadora da Comissão Estadual de Residência Médica de Santa Catarina, Deli Grace de Barros. A NDTV teve acesso ao documento.

Na carta, eles citam a preocupação com as mudanças no serviço de Obstetrícia. Em junho de 2019, a equipe médica sofreu uma mudança, e os plantonistas responsáveis pelo CO (Centro Obstétrico) não teriam relação com os residentes.

Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí.Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí.

A nova equipe assumiu e, na carta-denúncia, os residentes descrevem a hostilidade dos médicos em relação a eles: “Desde o primeiro dia já com ações hostis para com os residentes, como ignorar a presença do residente, não permitir fazer procedimentos (como cesarianas), não comunicar as decisões/condutas tomadas ou internações feitas”.

“Estamos ali para simplesmente ‘tocar serviço’, sem nenhum compromisso com a nossa formação como especialistas”, escrevem. A preocupação dos residentes é ainda com o trato com as pacientes. Segundo eles, os plantonistas realizavam procedimentos “sem indicação”.

Em agosto, os residentes receberam a notícia de que, em 2020, não seriam abertas novas vagas para o programa, por decisão da direção do hospital. Isso seria uma “punição” para os residentes, “podendo ainda haver a possibilidade de transferência ou até expulsão de alguns dos residentes atuais”.

Em março de 2020, os residentes enviaram outra carta-denúncia, expondo a piora da situação: “continuamos sendo excluídos das discussões nos plantões e impedidos de realizar procedimentos”.

Orientadora da residência confirma denúncias

A diretora clínica, doutora Mylene Martins Lavado, que foi orientadora desta área de residência médica entre 2013 e 2017, afirma que em nenhum momento foi solicitado pelos residentes que fossem transferidos.

Ela conta que depois da troca de equipe, em junho de 2019, os residentes ficaram com a supervisão deficitária. Foi quando protocolaram denúncias ao MEC, tanto da falta de supervisão, quanto em relação a questionamentos técnicos.

A médica afirma ainda que nenhuma residência médica é facilmente descredenciada pelo MEC. Existe uma investigação longa e uma junta de professores e doutores que tomam tal decisão, embasados em investigações e auditorias.

“Perder a residência médica é uma grande perda em termos assistenciais. Além disso, o dinheiro da bolsa dos residentes vem do SUS, e somos nós, munícipes, que contribuímos para as verbas do SUS, de forma direta com pagamento de nossos impostos”, reforça a médica.

Nota oficial do MEC:

Informamos que o Programa de Residência Médica de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, da cidade de Itajaí – SC, foi descredenciado na 6ª Sessão Plenária da Comissão Nacional de Residência Médica – CNRM (junho/2020), após a apresentação de denúncias e processo devidamente instruído, tendo sido seus residentes remanejados para programas de mesma área para outras instituições, conforme Decreto nº 7.562, de 15 de setembro de 2011.

Maiores informações podem ser acessadas por meio da análise dos documentos (atas, súmulas e extratos de atos autorizativos) publicados no sítio http://portal.mec.gov.br/residencias-em-saude.

Nota completa do Hospital Marieta:

A direção do Hospital Marieta informa que não há qualquer relação entre a área de residência médica em ginecologia com o andamento das atividades da maternidade. O programa de residência foi encerrado por mudanças da estrutura e solicitação dos próprios residentes. Como o Hospital Marieta é uma entidade filantrópica com cunho privado, optou pela suspensão momentânea do programa, decisão tomada já em julho de 2020.

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