Hospital de Joinville lidera captação de órgãos em SC: ‘recebi uma vida nova’

Antes de ser transplantado em Joinville, o empresário Volnei Burg, de 56 anos, tinha uma expectativa de vida de 4 a 6 meses

Chegar ao fim da vida e ser responsável por um último e grandioso ato de amor. Os números mostram que doar órgãos tem sido, cada vez mais, uma escolha de famílias em Joinville, no Norte de Santa Catarina.

Hospital São José é referência em captação de órgãosHospital São José é referência em captação de órgãos – Foto: Carlos Jr./ND

Isso porque o Hospital Municipal São José é líder em Santa Catarina em captação de órgãos. Segundo a prefeitura, só neste ano, 17 doações foram feitas, resultando em 76 órgãos captados (um coração, um pulmão, dois pâncreas, dez fígados, 34 rins e 28 globos oculares).

O saldo positivo é fruto do trabalho da CHT (Comissão Hospitalar de Transplantes), que conduz entrevistas com os familiares de pacientes que tiveram morte encefálica, com potencial para serem doadores de órgãos.

Segundo a coordenadora da CHT, Liliani Azevedo, o hospital é referência para pacientes com politrauma e AVC, que são os principais diagnósticos para que a pessoa possa chegar à morte cerebral.

“Desde o início dos testes para o diagnóstico de morte encefálica, a equipe do hospital começa a acolher as famílias e explicar claramente esses procedimentos. A família já começa então a processar a possibilidade de um desfecho de morte”, explica.

“Durante esse processo, que dura em média 12 horas ou mais, não se fala em doação de órgãos, o ente querido ainda está vivo. Mas o acolhimento da família e a clareza e seriedade do processo, fazem muita diferença”, continua a coordenadora da CHT.

Liliane percebe que a população está cada vez mais receptiva à ideia de doar os órgãos do ente querido. “As pessoas têm chegado a nós, na hora da entrevista de doação de órgãos, já tendo pesquisado sobre o assunto, o que ajuda muito”, explica.

O que dizem os beneficiados

O advogado Volnei Burg, de 56 anos, é um dos beneficiados pela doação de órgãos em Joinville. Durante 13 anos, ele tratou de uma cirrose hepática, mas, há quatro anos, seu fígado parou de funcionar.

Volnei Burg recebeu um transplante há dois anosVolnei Burg recebeu um transplante há dois anos – Foto: Divulgação/ND

Há dois anos, ele passou no Hospital São José para uma cirurgia de transplante de fígado.

“Existe uma expectativa familiar muito grande durante todo esse período que você está na fila. Eu tinha telefone na sala, puxei uma extensão para o quarto e meu celular, da esposa e do meu filho ficavam 24 horas ligados, esperando a ligação”, lembra. “Quando a médica me ligou, numa bela tarde de sol, dizendo que havia um doador, não tem nada que meça essa alegria”, recorda Volnei.

“Esse é o momento mais emocionante na vida de um transplantado, que é o momento que você começa a sentir que vai ter uma vida nova. Eu recebi uma vida nova”, completa. Antes da cirurgia, os médicos davam ao paciente de 4 a 6 meses de vida.

Para ele, a gratidão à família do seu doador passou a ser um sentimento diário. “Eles disseram sim. Sim para que um ente querido que você perdeu possa manter vivas outras oito pessoas”, emociona-se.

Banco de Olhos de Joinville

É no Hospital Municipal São José que também fica sediado o Banco de Olhos de Joinville. Desde 1978, a instituição já garantiu amais de quatro mil córneas. Só este ano, foram 98 doações.

Maria Deodete, uma das coordenadoras, revela que as córneas são captadas em todos os hospitais de Joinville. “Também recebemos notificações de hospitais de Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Rio Negrinho e Mafra”, explica.

Ela também percebe que há maior receptividade, por parte da população, em relação à doação de órgãos. “Sempre pergunto para as famílias de possíveis doadores de córneas: por que não deixar uma luz do teu ente querido para alguém?”, pontua Maria Deodete.

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