Idosos a partir de 90 anos começam a ser vacinados contra Covid-19 em Florianópolis

Imunização começa nesta quarta-feira (10) e vai mudar a vida de pessoas como dona Isolina, 97 anos, e seu Dionísio, de 95, que estão em isolamento há 11 meses esperando para retomar a rotina

Após 11 meses de espera, expectativa e preocupação, chegou o momento de os idosos com 90 anos ou mais, moradores de Florianópolis, receberem a primeira dose da tão aguardada vacina contra a Covid-19.

A imunização desta faixa da população começa nesta quarta-feira (10) na Capital e será realizada nas próprias residências destas pessoas, para facilitar a locomoção e também garantir mais proteção durante a vacinação.

Isolina Machado de Oliveira, de 97 anos, vai ser vacinada contra a Covid-19 nesta quarta-feira (10) na Capital – Foto: Arquivo Pessoal/NDIsolina Machado de Oliveira, de 97 anos, vai ser vacinada contra a Covid-19 nesta quarta-feira (10) na Capital – Foto: Arquivo Pessoal/ND

A estratégia, afirma o município, garante o acesso à vacinação deste público de forma individualizada e personalizada.

A vacina vai mudar a vida de idosos como a dona Isolina Machado de Oliveira, de 97 anos (vai completar 98 em outubro deste ano), nativa da Armação do Pântano do Sul. Rendeira, cantora de ratoeira, a manezinha está em isolamento desde o início da pandemia e não vê a hora de retomar as atividades, de frequentar a igreja, encontrar os amigos e passear na comunidade que tanto ama.

Isolina é uma das idosas que será imunizada nesta quarta-feira (10). “Para ela é tudo muito diferente, viver uma pandemia com essa idade, ela é lúcida, tranquila e sentiu muito essa situação toda, ter que ficar isolada em casa, ela adorava sair, ia à missa todos os domingos, nos eventos da catedral, na festa do divino”, afirma a sua filha Marilza Isolina de Oliveira, de 65 anos, também nativa da Armação.

Desde março do ano passado, dona Isolina saiu apenas três vezes de casa para ir ao médico. “Que doença terrível essa, que faz com que a gente tenha que ficar em casa, que tem levado tanta gente. Quero tomar a vacina para poder retomar a minha vida, poder ir na minha igreja, conversar com as pessoas”, afirma dona Ina, como é conhecida no bairro.

Segundo a sua filha, ela sofre muito também ao ver as notícias sobre a pandemia. “Quando ela vê as reportagens na TV, a quantidade de pessoas que morre por dia, fica muito triste, não consegue assimilar toda essa situação, como uma doença pode matar todas essas pessoas por dia. Ela faz muita oração diariamente, pede por essas pessoas que estão internadas, pelas famílias que perdem seus entes queridos”, explica Marilza.

 Retorno para o vôlei e reencontro em família

Outro morador da Capital, este do bairro Estreito, no Continente, que não vê a hora de tomar a vacina é o advogado aposentado Dionísio Luiz Colombi, de 95 anos. Até março do ano passado, a rotina do seu Dionísio era bem agitada, mais do que a de muitos jovens que se dizem esportistas.

Dionísio Luiz Colombi, de 95 anos, ao lado do filho Eduardo Alexandre Colombi, de 59 anos – Foto: Arquivo Pessoal/NDDionísio Luiz Colombi, de 95 anos, ao lado do filho Eduardo Alexandre Colombi, de 59 anos – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Às segundas, quartas e sextas-feiras, ele jogava vôlei. Às terças e quintas-feiras, fazia ginástica e todas as tardes jogava dominó na liga beneficente de Florianópolis. Então chegou a pandemia e a vida mudou completamente. Desde então, ele fica em casa e espera o momento de retomar as atividades do cotidiano.

Desde 2016, Dionísio é um dos atletas do time de vôlei do Grupo de Idosos Continente, que, conta ele, orgulhoso, já foi campeão três vezes da terceira idade por Florianópolis. O esporte é uma de suas paixões, que começou a praticar ainda na adolescência. “Comecei a jogar vôlei aos 14 anos, depois parei aos 20 e poucos anos, quando comecei a jogar apenas peladas de futebol e voltei ao vôlei depois de me aposentar. Depois que tomar as doses da vacina e estiver imunizado, o que mais quero fazer é encontrar os meus companheiros de vôlei, voltar a praticar meu esporte e minhas atividades diárias”, explica.

Seu Dionísio com o time de vôlei, esporte que começou a praticar ainda na adolescência – Foto: Arquivo pessoal/NDSeu Dionísio com o time de vôlei, esporte que começou a praticar ainda na adolescência – Foto: Arquivo pessoal/ND

Pai de sete filhos, ele também aguarda ansiosamente o momento de poder reencontrar de pertinho e abraçar toda a família. “Desde o início da pandemia falamos apenas por vídeo. Meus filhos também vêm me ver e conversar, mas ficam ali na frente, não entram, para me proteger. Quando eu estiver imunizado vamos poder nos reunir novamente”, explica.

Estratégia para a imunização

 Por enquanto, explica a Prefeitura de Florianópolis, a imunização contra a Covid-19 não ocorrerá em drive-thru, pois a equipe técnica da Secretaria de Saúde avaliou que, ao aplicar as doses nas residências, os idosos não precisam se deslocar e aguardar em um local específico. A Secretaria de Saúde informa ainda que as vacinações em drive-thru não estão descartadas para as próximas fases.

Para a aplicação das doses, as equipes de saúde entrarão em contato com os idosos e seus familiares para realizar o agendamento. Ao todo serão cerca de 1.800 idosos acima de 90 anos vacinados contra a Covid-19.

Os vacinadores serão profissionais das próprias equipes dos Centros de Saúde, já conhecidas pela maioria da população atendida. Os profissionais de saúde estarão identificados com crachá e todos os equipamentos necessários para a proteção individual e dos pacientes.

Expectativa da prefeitura é de aplicar as doses nesta população da Capital até o próximo sábado (13) – Foto: Chaiana Muller/PMF/Divulgação/NDExpectativa da prefeitura é de aplicar as doses nesta população da Capital até o próximo sábado (13) – Foto: Chaiana Muller/PMF/Divulgação/ND

Ao todo, serão 30 equipes distribuídas em todas as regiões de Florianópolis. A expectativa da administração municipal é que até este sábado todas as doses estejam aplicadas nesta população.

As pessoas que não tiverem seu cadastro atualizado podem entrar em contato com a sua equipe de Saúde, ou com o Alô Saúde Floripa pelo número 0800-333-3233 que pode informar se os cadastros estão atualizados e passar os encaminhamentos necessários.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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