Covid-19: vacina anunciada por Marcos Pontes deve ficar pronta em 2022

Período de testes clínicos da vacina brasileira contra a doença deve demorar entre 9 e 12 meses

O ministro Marcos Pontes do Ministério da Ciência e Tecnologia anunciou, nesta sexta-feira (26), que testes clínicos da vacina brasileira contra a Covid-19 devem demorar entre nove e 12 meses. Desta forma, o imunizante deve estar disponível apenas em 2022.

Desenvolvimento de mais uma vacina brasileira contra a Covid-19 – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo/NDDesenvolvimento de mais uma vacina brasileira contra a Covid-19 – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo/ND

Pelo menos esse é o período que estima Helena Faccioli, presidente da Farmacore, empresa que participou do desenvolvimento do imunizante com cientistas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo).

“As fases 1 e 2 terão 360 voluntários e devem durar de 3 a 4 meses. Se somarmos o tempo necessário para a fase 3, a gente prevê que todo o estudo clínico demore de 9 a 12 meses.”

Repasse de verba para as fases 1 e 2

Helena conta que recebeu a garantia do MCTI de repasse de R$ 30 milhões para viabilizar as fases 1 e 2. “Eles já estão nos acompanhando desde o início do projeto, em abril do ano passado. Mas a assinatura do contrato só será feita após o aval da Anvisa para os testes”, explica.

A fase pré-clínica recebeu R$ 4 milhões do governo federal. “A vacina demonstrou 98% de proteção nos testes de anticorpos em animais. Também induziu a produção de células T (de defesa) e não gerou efeito colateral”, relata ela.

Vacina com dois componentes

A presidente da Farmacore explica que a vacina utiliza dois componentes: uma partícula nanolipídica e um antígeno, que é a proteína S1 do coronavírus.

O primeiro desperta nosso sistema imunológico e o segundo faz o corpo produzir anticorpos específicos para a Covid-19. O antígeno foi desenvolvido pela Farmacore e pela USP. Já a partícula nanolipídica foi criada pela empresa americana PDS, parceira do projeto.

De acordo com Helena, a partícula terá de ser importada para os testes clínicos, mas, caso a vacina seja aprovada, a produção de todos os componentes será feita no Brasil, conforme acordo com a empresa americana. “Já estamos em fase adiantada de negociação com uma grande indústria nacional para viabilizar a produção”, disse a presidente.

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