Joinville monta estratégia para rastrear mutação do coronavírus

Vigilância Epidemiológica adotou várias ações para rastrear eventuais novos casos da variante do coronavírus na cidade

Joinville já definiu uma estratégia para rastrear eventuais novos casos da nova variante do coronavírus. Neste momento, porém, o município identificou apenas um caso – um homem de 55 anos que viajou a Manaus e já está recuperado.

JoinvilleNeste momento, porém, o município identificou apenas um caso – um homem de 55 anos que viajou a Manaus e já está recuperado – Foto: Carlos Júnior/Divulgação ND

O Grupo ND+ conversou com o infectologista Luiz Henrique Melo, coordenador médico de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde.

Ele lembra que o paciente apresentou uma situação de moderada a severa (dores no corpo e falta de ar) e necessitou internação hospitalar. Recebeu suporte de oxigênio, mas não precisou ventilação mecânica, nem intubação, recebendo alta no último dia 25 em situação estável. Não teve  complicações posteriores e no momento encontra-se bem.

Melo explicou que é o primeiro caso de mutação em SC identificado em sequenciamento. “Como não fazemos sequenciamento de uma maneira frequente, isso abre nossa dúvida em relação da real situação da cepa local e faz com que a Vigilância tome medidas no sentido e ampliar essa avaliação para identificar possíveis outras situações que possam ter sido ocasionada pela cepa mutante”, complementa o especialista.

Luiz Henrique Melo detalhou como Joinville está se cercando de cuidados com relação a essa nova variante da Covid-19.

Quanto aos familiares do paciente, a Vigilância fez o rastreamento bem como com outros contatos dele, que não tiveram sintomas nem apresentaram a doença.

Agora, como se trata de uma cepa mutante, mais infecciosa, foi preciso ampliar a avaliação: os profissionais de saúde que o atenderam, seja no PA Leste ou no Hospital Bethesda, passarão por exames.

Paralelamente, os pacientes que foram atendidos no PA Leste uma hora antes e uma hora depois também serão rastreados bem como os passageiros que vieram no mesmo voo de Manaus a Joinville.

Um quarto movimento também foi adotado pela Secretaria de Saúde de Joinville: os casos de Covid-19 que ocorreram no período, independentemente de terem tido contato com o paciente ou não, também estão sendo rastreados para saber se há possibilidade de identificar a cepa mutante.

“Como já há a confirmação de novas variantes no mundo, Joinville já estava fazendo um acompanhamento de pacientes vindos da África do Sul, do Reino Unido e de Manaus. E agora que identificamos o primeiro caso localmente, vamos começar ampliar o rastreamento local para saber se identificamos alguma situação peculiar que possa ser devido à nova variante de Manaus”, complementa Melo.

Luiz Henrique Melo levanta a preocupação da transmissibilidade e da necessidade de manter os cuidados com higiene e distanciamento social – Foto: Divulgação NDLuiz Henrique Melo levanta a preocupação da transmissibilidade e da necessidade de manter os cuidados com higiene e distanciamento social – Foto: Divulgação ND

Poder de contágio

Com relação ao poder de contágio dessa nova variante, Luiz Henrique Melo concorda com outros especialistas de que é potente.

“Sabidamente, a cepa de Manaus é mais contagiosa sim. As mutações são comuns. Vírus vão se mutando frequentemente. Quanto mais pessoas infectadas, mais as chances de os vírus se modificarem.”

O problema é quando essa modificação é grande o suficiente para mudar o perfil dele e três são os perfis que preocupam a ciência: o risco de aumento do contágio; o de tornar a doença mais severa e o de escapar da resposta imune (reinfecção) ou da vacina.

Porém, hoje não há evidências nem da variante do Reino Unido nem da variante de Manaus de escape da resposta imune ou de qualquer vacina. Na África do Sul, entretanto, já se percebeu que a vacina AstraZeneca tem uma resposta menor.

“Então, quanto mais permitirmos uma transmissão incontrolável muito mais frequente serão essas mutações, e elas podem sim levar a uma mutação tão grande a ponto de fazer com que a severidade aumente e a proteção pela vacina seja diminuída. Por isso, é tão importante manter as medidas de higiene e de distanciamento”, alerta o infectologista.

Sintomas são diferentes?

Luiz Henrique Melo explica que os sintomas são idênticos. A severidade não muda e aí muita gente pergunta por que, então, em Manaus a mortalidade é tão alta? Não é pela agressividade do vírus, explica ele, mas pela velocidade de transmissão.

“Com mais pessoas contaminadas há mais pessoas no sistema de saúde, que não tem capacidade de absorver todos os pacientes. Então, pacientes que numa situação normal teriam uma evolução boa, acabam tendo uma evolução ruim”, coloca o especialista.

Parceria com Univille

A Prefeitura de Joinville está buscando uma parceria com Universidade da Região de Joinville (Univille) no serviço de biologia molecular para que o município tenha autonomia para fazer sequenciamento genético do vírus mais frequentemente localmente. E, a partir do momento que alguma eventual mutação for identificada, começa a validação junto ao Lacen.

“Hoje mesmo fizemos uma aproximação com a Univille para essa parceria”, finaliza Melo.

  • Colaboração de Maikon Costa, repórter da NDTV Joinville

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