Joinville participa de pesquisa inédita da Fiocruz sobre Covid-19 x AVC

Objetivo da pesquisa da Univille é descobrir se quem apresenta Covid-19 está mais propenso a ter Acidente Vascular Cerebral (AVC) e qual relação com a gravidade

Um estudo inédito no País sobre a relação da Covid-19 e acidentes vasculares cerebrais (AVC) está sendo desenvolvido em Joinville pela Universidade da Região de Joinville (Univille) em parceria com o Hospital Municipal São José

Estudo Neurocovid da UnivillePaulo França, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Univille, está à frente da pesquisa NeuroCOVID junto com outros profissionais. – Foto: Univille/Divulgação ND

A pesquisa intitulada Neurocovid: Covid-19 e as doenças cerebrovasculares é patrocinada pelo fundo emergencial de combate à Covid-19 da Fiocruz

Joinville é a única do Sul do Brasil que está participando dessa pesquisa e isto deve ao trabalho de prevenção e tratamento de AVC realizado no município há mais de 20 anos por meio do Joinvasc, programa público de tratamento de acidente vascular cerebral (AVC) de Joinville. O programa, inclusive, foi premiado internacionalmente em maio deste ano.

Outra importante razão para a cidade ser escolhida foi o Laboratório de Biologia Molecular da Univille. Enquanto o setor de Neurologia do Hospital São José cuida da parte clínica do estudo, com fornecimento de dados, o laboratório da Univille faz testes moleculares de detecção viral (PCR) e testes sorológicos para detecção de anticorpos, ou seja, descobre se o paciente já teve exposição ao vírus e desenvolveu anticorpos. 

Laboratório de Biologia Molecular da Univille faz testes para detectar Covid-19 e também o sorológico. – Foto: Univille/Divulgação NDLaboratório de Biologia Molecular da Univille faz testes para detectar Covid-19 e também o sorológico. – Foto: Univille/Divulgação ND

O grande objetivo do estudo é investigar se os pacientes com Covid-19 estão tendo mais acidentes vasculares cerebrais e se estes AVCs estão sendo mais graves. 

Isto porque já há estudos no mundo que comprovam, por meio de estatísticas, a associação da Covid-19 sintomática e grave com doenças  cardio-cerebrovasculares e seus fatores de risco, como hipertensão, diabetes.

No Brasil, no entanto, não há estudos. Este da Fiocruz será o primeiro. Ele começou em março deste ano e será concluído em outubro, quando serão divulgados os resultados. 

“Existe a suspeita de que o número de AVC está aumentando e que está ficando mais grave, especialmente o trombótico, que tem relação com a formação de coágulos. Por isso, queremos entender se o vírus SARS-CoV-2 está aumentando a incidência e gravidade de AVCs”, explica o professor e pesquisador Paulo França, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Univille. 

Além disso, a pesquisa quer identificar características clínicas e mecanismos imunopatogênicos envolvidos, ou seja, procura saber se doenças associadas como hipertensão e diabetes têm relação com a Covid-19.  

Também quer descrever e comparar o perfil clínico e laboratorial de pacientes com AVC infectado e não-infectados por SARS-CoV-2. Ou seja, comparar se no grupo de pacientes com AVC há mais casos com Covid ou com outras doenças, como câncer. 

250 pacientes analisados

Ao todo, 250 pacientes serão analisados pela pesquisa em Joinville. Até agora –  julho – , 90 já haviam sido incluídos. O número de pessoas recrutadas é proporcional à população da cidade a fim de gerar estatísticas confiáveis.

“Joinville é um polo de estudos em neurologia. Temos expertise, pessoal qualificado e infraestrutura necessária para conduzir esse estudo”, destaca o professor Paulo França, que é doutor em Ciências.

Para o cientista, com o resultado da pesquisa (fidelidade do quadro epidemiológico) será possível entender melhor o cenário nacional e contribuir com a sociedade. 

Além disso, Paulo França destaca a formação de pessoas (graduandos e pós-graduandos) com condições de usar tecnologia de ponta e gerar resultados comparáveis com qualquer estudo referência no mundo.

Pesquisa vai contribuir com dados que ajudam a definir o quadro epidemiológico da Covid-19 no Brasil. – Foto: Univille/Divulgação NDPesquisa vai contribuir com dados que ajudam a definir o quadro epidemiológico da Covid-19 no Brasil. – Foto: Univille/Divulgação ND

O que pode mudar no tratamento?

A partir da análise dos dados da pesquisas, será possível, por exemplo, definir quais pacientes estão mais propensos a quadros clínicos graves de AVC e, principalmente, adaptar procedimentos para que tenham uma melhor recuperação, dentro e fora do hospital.

“A etapa de recuperação poderá ser aprimorada, será mais eficaz. Haverá mais possibilidades de interferências, de adaptação de procedimentos para cada subgrupo de pacientes para que tenham condições de plena recuperação como os outros”, reforça Paulo França.

Além de Joinville, outras oito cidades no Brasil participam dessa pesquisa inédita. Hospital Ophir Loyola e Hospital Porto Dias (Belém); Hospital de Emergência e Trauma Senador Umberto Lucena (João Pessoa); Hospital da Restauração (Recife); Hospital de Cirurgia e Hospital Primavera (Aracajú);  Hospital Universitário da UNB e Hospital de Base do Distrito Federal (Brasília);  Hospital das Clínicas da UFG (Goiânia); Hospital Santa Marcelina (São Paulo) e Hospital das Clínicas da UNESP (Botucatu).

São 11 serviços de neurologia do SUS distribuídos nas cinco regiões do país (Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul)

Importante ressaltar, finaliza o professor, que pesquisas como essa não visam lucro, apenas ajudam a ciência a melhorar a qualidade de vida da população.

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