José Carlos Silvestri

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♦ 50 anos
♦ 19/11/2020
♦ Criciúma

José Carlos Silvestri – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDJosé Carlos Silvestri – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

“Volto após recuperação. Covid-19” era a mensagem colada às portas da barbearia Próspera, no bairro de mesmo nome, em Criciúma, no Sul de Santa Catarina. O alerta foi dado por Carlos “Barbeirinho” no dia 7 de novembro, na véspera de ser internado. Há 25 anos ele atendia de segunda a sábado, mas a ocasião o fez fechar as portas.

Em solidariedade, os clientes responderam colando outros bilhetes. Eram cartazes pedindo que ele voltasse logo, com mensagens de carinho e pedindo para ele ter fé em Deus. Mas ele não voltou. Na luta contra o vírus, José Carlos Silvestri não resistiu e morreu no dia 19 de novembro, aos 50 anos.

O bom humor e o jeito descontraído era a marca de Barbeirinho.  – Foto: Arquivo Pessoal/NDO bom humor e o jeito descontraído era a marca de Barbeirinho.  – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Um dos principais traços do barbeiro eram as balinhas, e ele sempre enchia as mãos dos clientes com elas. Principalmente as de sabor canela. “Como a barbearia não tinha bomboniére, ele mesmo dava. Mesmo quando não queriam, ele insistia” lembra a esposa Ranilde Silvestri.

“Tinha uma brincadeira que ele sempre fazia com os clientes. Ele tirava a lâmina da navalha e colocava no pescoço dos clientes”, conta a companheira. Simulando uma rendição, ele dizia: ‘vamos, confessa o que tu fez! Vamos, fala, lembra Ranilde, aos risos.

Junto ao profissionalismo, era o jeito simples e brincalhão que atraia clientes de toda a região. Moradores de municípios vizinhos, como Treze de Maio, Jaguaruna, Balneário Rincão, entre outros, viajavam até Criciúma apenas para serem atendidos por Carlos. A barbearia Próspera era também uma das poucas que estava aberta às segundas-feiras.

Além de inúmeros clientes e amigos, a falta de Barbeirinho é também sentida por quatro enteados – John, Eder, Brayan e Sharon. E a esposa Ranilde, com quem estava junto há quinze anos. Eles tinham oficializado a união há oito meses, pouco antes do início da pandemia.

“Os amigos diziam, brincando, que se passasse mais uma semana e iniciasse a pandemia, ele teria se livrado de casar, mas ele respondia que se casaria mais 50 vezes se fosse preciso” lembra.