Levantamento mostra que 22 cidades do Vale do Itajaí tiveram água contaminada

Divulgado nesta segunda-feira (7), o estudo mostra cidades que tiveram água contaminada por substâncias prejudiciais à saúde

Entre os anos de 2018 e 2020 algumas cidades do Vale do Itajaí tiveram a água contaminada por substâncias químicas e radioativas prejudiciais à saúde. O levantamento feito pela ONG Repórter Brasil foi divulgado nesta segunda-feira (7) e aponta 22 municípios da região com a presença de substâncias tóxicas na água potável.

Municípios do Vale do Itajaí apresentaram elementos acima do tolerável na água – Foto: Divulgacão/O Trentino/NDMunicípios do Vale do Itajaí apresentaram elementos acima do tolerável na água – Foto: Divulgacão/O Trentino/ND

Dos mais de 157 mil testes realizados em Santa Catarina, 370 análises estavam com mais substâncias perigosas que o tolerável. O Estado foi o terceiro que mais testou a água dos próprios municípios e o quarto em resultados negativos.

Do Vale, das 22 cidades com alguma substância nociva, três estão na escala mais grave: com risco de gerar câncer. São elas: Vitor Meireles, Witmarsum e Benedito Novo. Os outros 19 municípios estão no nível acima do tolerável, com elementos que podem trazer risco para a saúde.

Confira a relação completa abaixo:

  • Atalanta
  • Aurora
  • Benedito Novo*
  • Braço do Trombudo
  • Brusque
  • Chapadão do Lajeado
  • Dona Emma
  • Doutor Pedrinho
  • Guabiruba
  • Indaial
  • José Boiteux
  • Laurentino
  • Lontras
  • Mirim Doce
  • Presidente Getúlio
  • Presidente Nereu
  • Rio do Campo
  • Santa Terezinha
  • Taió
  • Trombudo Central
  • Vitor Meireles*
  • Witmarsum*

Cidades com * apresentaram elementos mais nocivos à saúde.

22 cidades do Vale do Itajaí apresentaram substâncias nocivas à saúde22 cidades do Vale do Itajaí apresentaram substâncias nocivas à saúde – Foto: Reprodução/Repórter Brasil/ND

Sobre o Mapa da Água

O especial da Repórter Brasil é resultado de um esforço interdisciplinar de pesquisadores, jornalistas de dados, programadores e designers. O Mapa da Água foi construído a partir de dados de 2018 a 2020 obtidos em novembro de 2021. A ferramenta não abarca atualizações e retificações feitas desde então.

De acordo com a ONG, os dados divulgados são resultados de testes feitos por empresas ou órgãos de abastecimento. Eles são enviados ao Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), do Ministério da Saúde, por onde os profissionais tiveram acesso.

Riscos

Para Fábio Kummrow, professor de toxicologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) ouvido pela Repórter Brasil, existe risco para quem bebe a água, e ele varia de acordo com a substância e com o número de vezes que ela foi consumida ao longo do tempo. O risco é maior para quem bebeu diversas vezes ao longo de anos.

Casan se manifesta

Procurada pela reportagem, a Casan emitiu uma nota onde tranquiliza a população sobre a qualidade da água. Leia na íntegra:

A Casan vem a público tranquilizar a população sobre a qualidade da água distribuída no estado. A equipe técnica da Casan realiza um controle constante da água conforme os planos de monitoramento definidos pela Portaria de Potabilidade com aprovação das Vigilâncias Sanitárias municipais.

A Casan vem investindo para aperfeiçoar seu atual sistema integrado de qualidade para reduzir o tempo das ações corretivas, tomando as devidas providências nos casos pontuais de desconformidade.

As substâncias questionadas na reportagem possuem um aparecimento pontual e sazonal, acompanhando estiagens rigorosas e recorrentes, como as enfrentadas em Santa Catarina nos últimos 5 anos. A Companhia mantém-se em alerta e já está tomando providências para que o mesmo não ocorra novamente.

Quando são identificados resultados com valores acima do VMP (Valor Máximo Permitido), a Casan procura, de maneira rápida, agir com medidas a curto prazo. As primeiras são ações praticadas na rede de distribuição, como as descargas para limpeza das tubulações e troca da água presente em seu interior, por exemplo.

Além disso, a equipe técnica a CASAN faz uma avaliação, verificação e investigação no local a partir dos dados obtidos alertando os setores responsáveis sobre medidas operacionais que podem mitigar os problemas, como o uso de carvão ativado no tratamento e correções nas dosagens de cloro utilizadas.

Faz parte da política da CASAN e de sua rotina operacional a busca constante de melhorias nos sistemas de abastecimento de água e no controle de qualidade.

Além disso, a Companhia vem inovando na implementação de sistemas de automação no monitoramento operacional das Estações de tratamento de Água que permitem uma ação momentânea nas dosagens dos produtos utilizados no tratamento de maneira adequada e precisa, como é o caso do monitor de coagulante online, para controle automático do ponto de coagulação e sistemas de monitoramento operacional automatizado e on-line de cloro, turbidez, flúor, cor e pH.

A Casan também vem desenvolvendo um programa de vigilância e segurança da água, o qual irá permitir uma avaliação dos problemas que são identificados e definir as melhores estratégias e tomadas de ações para correções em todos o estado de Santa Catarina, tornando seu trabalho ainda mais confiável e transparente.

Por fim, é importante destacar que a CASAN está em alerta constante em relação as substâncias “potencialmente cancerígenas” que possam estar presentes na água seguindo com o monitoramento da água distribuída, água tratada e dos mananciais de abastecimento e em conjunto desenvolvendo novas ações e políticas para garantir a entrega de água segura aos cidadãos de Santa Catarina.

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