Luis Ernesto Lacombe

Opinião contundente sobre o cenário político brasileiro. Escreve todas as sextas-feiras


Lockdown, mais uma vez?

Governadores e prefeitos canalhas, oportunistas e egoístas, muitos aproveitaram o momento para desviar recursos públicos. Roubalheira à solta, e a população trancada em casa, entregue ao medo

No fim do ano passado, conter o coronavírus não era uma prioridade para a China. O primeiro movimento do Partido Comunista, que controla o país há mais de 70 anos, foi “conter” os médicos que fizeram os alertas iniciais sobre a ameaça.

Eles foram perseguidos e tiveram que assinar declarações de que tinham espalhado fake news. Aconteceu o mesmo com jornalistas chineses que começaram a registrar os primeiros casos da Covid-19.

Novas restrições voltaram à ser discutidas após novas altas de casos – Foto: Divulgação/ND

Pelo menos três foram detidos pela polícia. Depois, entrou em cena a OMS (Organização Mundial da Saúde). Disse, de cara, que o vírus não passava de humano para humano. Afirmou que os chineses podiam continuar viajando pelo mundo, que a China continuava aberta a receber estrangeiros.

Não havia perigo. Aí foi um tal de “não use máscara, use máscara”, “assintomáticos não transmitem, assintomáticos transmitem…”

Isolamento horizontal? Lockdown? Nesse caso, aconteceu o mesmo: recomendaram, para depois questionar a medida.

Quando nos convenceram aqui no Brasil de que a quarentena mais rígida era necessária, o argumento era que o sistema de saúde entraria em colapso, se muita gente se contaminasse ao mesmo tempo.

Contratação de serviços, compra de materiais, medicamentos e equipamentos, montagem de hospitais de campanha… Tudo sem licitação.

Governadores e prefeitos canalhas, oportunistas e egoístas, muitos aproveitaram o momento para desviar recursos públicos. Roubalheira à solta, e a população trancada em casa, entregue ao medo.

Sempre defendi o isolamento vertical, que protege os grupos de risco, pessoas mais velhas, com doenças pré-existentes. Formei minha opinião com base em dezenas de entrevistas que fiz com infectologistas, epidemiologistas, imunologistas, virologistas… Hoje, as estatísticas escancaram a verdade.

Olhe a lista de mortes por milhão de todos os países do mundo. Se lockdown funcionasse, aqueles que fizeram isolamentos mais pesados teriam menos mortes do que os que não foram tão rígidos na quarentena, ou nem a adotaram. E isso não acontece. Quarentena não é vacina. Quarentena não é cura.

Pesquisas sérias mostram que as pessoas se contaminam mesmo escondidas embaixo da cama. Se é impossível comprovar benefícios do confinamento, seus malefícios nos atingirão por um longo período.

Só este ano, cálculo da ONU, 115 milhões de pessoas no mundo serão atiradas à fome, por conta da paralisação econômica. E quem contará as mortes de pessoas que, em pânico, abandonaram tratamentos, que não fizeram exames para detecção precoce de doenças, que, trancadas, perderam para a depressão e se mataram?

A “segunda onda” da Covid-19 na Europa igualmente não justifica a adoção de nova quarentena. O número de mortes no continente pela doença caiu muito, é compatível com o de uma gripe sazonal.

O problema é que falta uma “vacina contra narrativas”, e o lockdown é “contagiante”. Ele pega facilmente, quando as pessoas abrem mão dos fatos, quando não buscam a verdade.