Luiz Carlos Prates: “Quando tudo passar”

Encrencas imaginárias, criadas por nossa fantasia, são tão agudas e danosas quanto as encrencas reais

A frase que vem a seguir é muito comum desde os tempos dos inventados Adão e Eva. Aliás, Adão, um baita mandrião, que não desmentiu que foi ele quem por primeiro comeu a maçã, já vivia se queixando da vida, tanto que deu no que deu…

A frase, leitora, é reveladora de personalidades – “Ah, quando isso tudo passar, vou…”! Quantos e quantos estão dizendo essa frase? Passar o quê? Vão dizer da pandemia, da peste chinesa, uma desculpa qualquer a justificar o marasmo, as inações. Nada mais.

Pessoas esperando sentadas – Foto: PixabayPessoas esperando sentadas – Foto: Pixabay

Agora, que fique claro, quando tudo isso passar, muitos vão estar lá adiante, não serão mais alcançados, são os que não pararam, que não usaram da pandemia para ficar sentados, esperando, esperando… É a
velha e surrada história, leitora, canta Geraldo Vandré, na década de 60, século passado, a que diz que – “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Sem retoques. Sempre há ou haverá no nosso horizonte uma encrenca, real ou imaginária.

As encrencas imaginárias, criadas por nossa fantasia, são tão agudas e danosas quanto as encrencas reais. Nossa mente subconsciente não sabe distinguir verdade de fantasia, o que fantasiamos é realidade, queiramos ou não, vamos viver essa “realidade”.

Daí que não é possível pretendermos um céu sem nuvens na vida. Impossível. E quando isso tudo passar –a pandemia – haverá outra pedrinha no nosso sapato. É não ficar esperando por dias melhores, é fazermos dias melhores, e tudo começa no aqui e agora. Estás com saúde? Sim? Então tens tudo.

A saúde é a gasolina do carro humano, com tanque cheio vamos longe. E esse “tanque” é enchido com nossos propósitos, coragem, ação, determinação. – Ah, Prates, mas não é bem assim, não é tão fácil como dizes…! Já falei aqui dos treinamentos dos atletas olímpicos americanos.

Nenhum sorriso, só suor e repetições e repetições, até… Até arranhar a perfeição. Esse é o propósito, ir aos calcanhares da perfeição. A “perfeição” hoje é o recorde alheio. Mas isso é pouco. Só quem pensa assim atravessa a ponte. Os maratonistas líderes quando se aproximam da fita de chegada dão uma olhadinha para trás, e o que veem? Quase nada, um ou outro de língua de fora, a maioria ficou onde nasceu: no nada.

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