Mãe de Criolo desabafa sobre morte precoce da filha; veja relato

Através de rede social, Maria Vilani disse que filha era "dona de um coração maior que o corpo" e que aprendeu muito com ela

A mãe da professora Cleane Gomes, irmã do rapper Criolo, Maria Vilani, desabafou em uma rede social através de um texto sobre a morte precoce da filha, de 39 anos, no último sábado (5), vítima de Covid-19.

Segundo o Sindsep (Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo) ela dava aula no CapsArts (Centro de Arte e Promoção Social do Grajaú). As informações são do site  Observatório de Música.

Irmã do rapper Criolo, Cleane Gomes, foi mais uma vítima de Covid-19 – Foto: Reprodução InstagramIrmã do rapper Criolo, Cleane Gomes, foi mais uma vítima de Covid-19 – Foto: Reprodução Instagram

No texto, Maria Vilani disse a filha era “dona de um coração maior que o corpo” e que aprendeu muito com ela. A mãe ainda ressaltou as qualidades de ser uma excelente amiga e professora, artista plástica, compositora e “poeta das boas”.

‘No momento de partir’

Maria Vilani falou ainda no post que não sente revolta pela pandemia e nem pelo descaso do governo quanto às vacinas. Ela disse que sentiu que a filha partiu “no seu momento de partir” e se não fosse pela doença, seria por qualquer outra razão.

Enquanto mandava o texto, ela lamentou que a filha não estivesse ali para fazer a revisão antes da postagem nas redes sociais. Confira:

“Minha querida filha Cleane,

O dia mais feliz da minha vida foi o dia que você nasceu. Eu já era mãe de dois filhos, o Clayton e o Kleber, meu grande sonho era ser mãe de menina desde o primeiro parto, mas Papai do Céu presenteou-me com dois meninos maravilhosos, e depois de sete anos você chegou, depois de uma gravidez muito difícil, pois parecia que você não queria vir a esse mundo, mas aceitou a missão para fazer-me feliz. Você chegou por meio de parto normal, o mais suave possível, o parto que menos doeu. Você iluminou a minha vida de sofredora de favela, e por você seu pai moveu o mundo para sairmos da favela, quando você completou quatro meses de vida nesse Planeta saímos da favela. Quando você nasceu eu falei para o seu pai que havia nascido a artista da família, por isso matriculamos o Clayton e o Kleber numa escola de violão, ou melhor, matriculamos o Clayton, pois o Kleber ficou no curso como ouvinte, não podíamos pagar mensalidade para os dois; a sorte é que os dois são canhotos, então compramos apenas um violão, mas com a mudança de residência perdemos a escola de violão, só o Clayton conseguiu aprender um pouco. Você foi embalada com muito carinho por mim, seu pai e seus irmãos, você era a nossa princesinha, e para a sua avó paterna você era UM RAIO DE SOL.

Minha filha, você foi boa mãe, boa filha, boa irmã, magnífica tia, uma excelente amiga e professora, uma grande artista circense e cênica, artista plástica, compositora e poeta das boas. Dona de um coração maior que o corpo. Aprendi muito com você.

Filha, você não está morta, muito menos sepultada, porque Deus, sendo toda bondade, justiça e amor jamais criaria seres perecíveis, você, como todos nós, é um ser eterno. Você é LUZ, e, ninguém consegue sepultar LUZ. Você desvencilhou-se do seu corpo, esse seu lugar existencial, porque você foi recrutada por Deus para uma MISSÃO no Plano Espiritual, você deixou aqui o seu corpo, porém ganhou um corpo sutil compatível com esse Plano onde você cumprirá os desígnios de Deus, aqui você terminou sua missão. Agradeço a Deus o tempo que Ele permitiu a sua presença nesse plano terrestre.

Não sinto revolta pela Pandemia, nem pelo descaso do governo em relação às vacinas, porque sinto no meu coração e na minha alma que você partiu no seu momento de partir, se não fosse a COVID 19, seria qualquer outro motivo. Você realmente terminou a sua missão nesse plano, em 05 de junho de 2021. Seria egoísmo não aceitar a sua libertação.
O que lamento nesse momento é mandar esse texto para o mundo, sem a sua revisão, você revisava tudo antes de eu postar nas redes sociais, o texto vai cheio de erros, mas cheio de amor, aceitação e resignação.”

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