Máscaras inclusivas serão usadas em parto de surda em São Francisco do Sul

O objetivo é garantir a autonomia da gestante, que se comunica por meio de leitura labial

Desde o início da pandemia do novo coronavírus no Brasil, um novo acessório passou a fazer parte da vida de todos: a máscara de proteção. Mas se esse item traz segurança contra a doença, para algumas pessoas, ele também é sinônimo de desafios. Estamos falando das pessoas surdas ou com perda de audição a que fazem leitura labial e que, por causa do uso da máscara, acabam não conseguindo ver a boca das pessoas e, assim, não podem se comunicar com autonomia.

Exemplo desse desafio vem do Norte do Estado, em São Francisco do Sul. Maria Clara Dornellas de Miranda é surda oralizada e se comunica por meio da leitura labial.

Durante a pandemia, ela, assim como outros surdos ou com perda de audição que se falam a partir desse método têm tido dificuldades por causa do uso das máscaras tradicionais, que cobrem grande parte do rosto das pessoas.

Durante o dia a dia, Maria Clara tem lidado com as dificuldades, mas, grávida de sete meses, ela não quer que esses desafios estejam presentes também na sala de parto. É por isso que a gestante solicitou à equipe médica do hospital onde pretende ser atendida que os profissionais usem máscaras inclusivas durante o procedimento. Essas máscaras são transparentes na região da boca e permitem a leitura labial.

Máscaras inclusivas oferecem autonomia para a gestante que tem perda auditiva – Foto: Pixabay/Reprodução/ND

“Como é um momento tão ímpar de minha vida como gestante, quero que direcionam a mim o diálogo e não ao meu marido, o que anularia a minha presença na sala de parto, sendo que eu sou a protagonista do nascimento. Quero ter acesso à comunicação livre durante o meu parto e também poder deixar o meu marido curtir cada momento do parto à maneira dele, sem ter essa função de me manter a par de tudo”, conta Maria Clara. O hospital autorizou o uso das máscaras especiais e o parto inclusivo está previsto para o dia 8 de novembro.

Máscaras transparentes trazem “acessibilidade”

“Para o surdo que faz a leitura labial, a máscara transparente significa acessibilidade”. É assim que a intérprete e secretária da Associação de Apoio aos Surdos de Joinville (Assjlle), Neusa Boldt, define a importância das máscaras inclusivas para as pessoas que fazem leitura labial.

Ela explica que a comunidade surda é dividida entre os surdos profundos, que se comunicam por meio de Libras (Língua Brasileira de Sinais), e os deficientes auditivos que, normalmente, conversam a partir da leitura labial, como é o caso de Maria Clara.

“Se ela sabe fazer a leitura labial, isso para ela é tudo. A visualização da boca da pessoa tem a mesma importância das Libras para o surdo que usa essa linguagem, é o meio de comunicação dela”, diz Neusa.

Além da dificuldade em se comunicar dessa forma, os surdos e deficientes auditivos têm enfrentado outros desafios durante a pandemia.

“As pessoas surdas foram as primeiras a serem demitidas e, se antes já era complicado arrumar um emprego, agora está pior ainda”, explica a intérprete. Segundo ela, a associação tem até mesmo arrecadado doações de cestas básicas para a comunidade surda.

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