Médicos alertam para que pacientes não abandonem tratamentos de outras doenças

Atendimentos a pacientes com suspeita de problemas cardíacos tiveram redução nos últimos meses; médicos alertam para os devidos cuidados

A situação da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), trouxe riscos para outras doenças. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, houve queda de 50% nos atendimentos a pacientes com infarto em comparação com o primeiro semestre de 2019.

Ou seja, por medo de contrair Covid-19, pacientes acabam deixando de procurar atendimentos de emergência em hospitais.

Hospitais cardiológicos do mundo todo tiveram queda no número de atendimentos – Foto: ReproduçãoHospitais cardiológicos do mundo todo tiveram queda no número de atendimentos – Foto: Reprodução

Segundo o cardiologista e diretor-técnico do Hospital SOS Cardio, em Florianópolis, Fernando Graça Aranha, a queda de atendimento também foi registrada no hospital da Capital.

“Além dos procedimentos eletivos terem sido suspensos, houve também redução drástica nos atendimentos de urgência”, afirmou Aranha.

“O que a gente deduz é que as pessoas estão passando mal ou tendo pequenos sintomas e não estão procurando assistência médica. Em alguns lugares houve inclusive o aumento de morte súbita em casa”, explica o especialista.

Aranha afirma que não é possível ter certeza de que o paciente não corra nenhum risco ao dar entrada nos hospitais por outros sintomas. “Ninguém pode dar é certeza. O que é possível fazer é segregar isso bem [separar pacientes com queixa respiratória]”, afirma.

No hospital da Capital, uma UTI foi reativada para tratar de pacientes com Covid-19. Houve também a separação de equipes, as que atendem pacientes com quadro respiratório e as que atendem pacientes com outras comorbidades. “No próprio pronto-socorro já há a separação de casos”, relata.

“Se tiver sintomas diferentes do usual [dor no peito, falta de ar ou palpitação], vá ao hospital. É preciso ressaltar que pacientes cardíacos estão no grupo risco para a Covid-19, então é necessário redobrar os cuidados”, alerta o profissional.

Pacientes com câncer abandonam tratamento

Para o oncologista Ernani São Thiago o coronavírus tem afastado os pacientes dos consultórios. Com isso, os diagnósticos para casos de câncer estão sendo retardados.

Cepon atende pacientes com câncer de todo o Estado – Foto: Arquivo/Secom/DivulgaçãoCepon atende pacientes com câncer de todo o Estado – Foto: Arquivo/Secom/Divulgação

“Casos iniciais curáveis se transformam em casos de difícil tratamento pela modificação, pela piora do estadiamento. Paralelamente, pacientes com todo o processo de diagnóstico, estadiamento e proposta terapêutica, estão retardando, pela mesma razão, o início do tratamento”, explica o médico.

Ainda conforme o profissional, ocorre inclusive o abandono de tratamento por meio de pacientes. “Em nosso meio já se percebe uma nítida diminuição no número de pacientes atendidos pelas clínicas oncológicas, reflexo da fuga aos consultórios. Não há qualquer sentido, vez que os próprios ambientes das clínicas são preparados e, na maioria dos casos, a infecção pelo vírus não tem qualquer tradução clínica”, afirma.

O médico explica que o medo e a ansiedade, quando não devidamente equilibrados pelo conhecimento, são, por si só, agravantes a qualquer tipo de tumor maligno.

“É preciso ressaltar que isso também é válido a qualquer patologia, inclusive a própria infecção pelo vírus que, para ser controlado necessita reação e imunidade ativa”, alerta o profissional.

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Saúde

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