Moacir Pereira

Notícias, comentários e análises sobre política, economia, arte e cultura de Santa Catarina com o melhor comentarista politico de Santa Catarina. Fundador do Curso de Jornalismo da UFSC. Integrante da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, é autor de 53 livros publicados.


Médicos do Hospital Infantil rejeitam nomeação do novo diretor

Decisão atribuída ao secretário André Motta, amigo do novo diretor

O governo Carlos Moisés da Silva, que navegava em céu de brigadeiro na segunda fase com nova articulação política, abriu uma crise desnecessária com os médicos do Hospital Infantil Joana de Gusmão, o maior do gênero em Santa Catarina. O que ocorreu nos últimos três meses é absolutamente inaceitável para o corpo clínico do hospital, para as instituições e para toda a sociedade catarinense.

Corpo clínico do Hospital Infantil disparou uma nota de repúdio contra a indicação do novo diretor  – Foto: Daniel Queiroz/Arquivo/NDCorpo clínico do Hospital Infantil disparou uma nota de repúdio contra a indicação do novo diretor  – Foto: Daniel Queiroz/Arquivo/ND

Primeiro, com o afastamento do governador Moisés pelo Tribunal Especial de Julgamento, em outubro de 2020, a governadora interina Daniela Reineher exonerou o médico Flamarion da Silva Lucas do cargo de diretor geral e nomeou Maurilio Laerte Silva.

Um mês depois, Moisés reassumiu o posto e anulou os dois atos. Em janeiro, o médico Roberto Tobaldini, outro especialista, foi apresentado como novo diretor geral. Ficou apenas um mês. Para surpresa geral, o governador nomeou o farmacêutico Maxiliano de Oliveira, ex-secretário da Saúde em Nova Trento e chefe de gabinete na Prefeitura de São João Batista, para o cargo de diretor geral, demitindo Flamarion Lucas.

Uma inédita “Nota de Repúdio” foi emitida pelo corpo clínico do Hospital Infantil. O texto não representa apenas a indignação dos médicos e profissionais que dedicam suas vidas à saúde das crianças. Fala pela cidadania catarinense que rejeita este tipo de política rasteira.

Exonerar médicos qualificados e competentes, com doutorado e formação em gestão hospitalar em várias instituições, para atender um critério partidário, colocando um profissional sem qualquer conhecimento de pediatria, é atentar contra o bom senso e a valorização do mérito.

A pediatria catarinense tem uma qualificação reconhecida em todo o Brasil e até no exterior. Começou há mais de 50 anos com médicos da qualidade de Gabriel Faraco, Anisio Ludwig, Álvaro José de Oliveira e Nelson Grisard, sob a liderança do consagrado Murillo Ronald Capella, um dos expoentes da pediatria nacional.

Trata-se de uma escola de alto nível que projetou Santa Catarina e que se sente com este ato preterida e desmotivada pela politicagem.