Medos e ressignificações: joinvilense detalha trajetória contra câncer de mama

Fabíola Klein descobriu o câncer de mama no período em que desmamava a filha pequena; desde então, muitas coisas mudaram

“Sentença de morte”. Foi isso que a joinvilense Fabíola Klein pensou quando recebeu o diagnóstico de câncer de mama, em 2020, na época em que ainda estava desmamando a filha.

Fabíola descobriu o câncer de mama em 2020Fabíola descobriu o câncer de mama em 2020 – Foto: Reprodução/ND

Mesmo com medo, sobretudo com um bebê e durante uma pandemia, Fabíola foi atrás de um médico, que confirmou suas suspeitas. Estava com câncer.

“A gente sabe, no nosso íntimo, que tem alguma coisa errada. Toda mulher conhece o seu corpo”, comenta. “O primeiro sintoma que senti foi que minha mama começou a endurecer e, de repente, começou a inchar”, complementa.

Fabíola foi uma das mulheres ouvidas pela NDTV Joinville para uma série de reportagens especiais sobre o Outubro Rosa. Curada, ela ressignificou sua trajetória e contou uma inspiradora história de superação.

Como a joinvilense não tinha nódulo na mama e estava desmamando a filha, foi difícil chegar ao diagnóstico. Foram quatro meses de angústia para a definição – enquanto isso, o tumor crescia rapidamente. O tratamento precisou ser imediato e intenso.

“Quando caiu o cabelo foi quando a ficha caiu do que realmente estava acontecendo. Eu já estava preparando a minha filha porque eu ficava apreensiva que ela tivesse medo de mim”, admite.

Fábiola precisou tirar toda a mama e não houve uma reconstrução depois. “Tudo isso foi muito forte”, comenta.

Diagnóstico precoce

Segundo o médico oncologista Lucas Sant’ana, a medicina evoluiu muito nos últimos anos e, quando o câncer é diagnostico em fase precoce, as chances de cura passam dos 90%.

A oncologista Andrea Santin afirma que, quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de curaA oncologista Andrea Santin afirma que, quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura – Foto: Reprodução/ND

A oncologista Andrea Santin complementa que as formas de identificar a doença também aumentaram bastante. “Antigamente, a gente tinha só a mamografia ou o próprio exame clínico do mastologista”, comenta.

Hoje em dia, segundo ela, os métodos se complementam. Ao mesmo tempo em que a mamografia evoluiu, ultrassons e exames de ressonância estão mais acessíveis. “Isso faz com que o diagnóstico da doença seja cada vez mais precoce”, afirma.

Dados preocupam

Em 2020, segundo levantamento da farmacêutica Pfizer, 62% das brasileiras não fizeram os exames preventivos. Neste ano, o número caiu para 47%, mas ainda preocupa.

“Quanto mais precocemente você identifica, as taxas de cura são maiores, porque a chance da doença entrar em contato com a circulação e ter alguma célula que, no futuro, possa ter uma metástase, é maior”, explica.

Ela complementa que, quando o câncer é diagnosticado cedo, “as armas e estratégias de tratamento se tornam também muito menos agressivas e traumatizantes”.

Valorizar o tempo

Com o susto, Fabíola mudou hábitos no dia a dia e começou a valorizar mais seu tempo. Após o tratamento, muitas vezes desgastante, passou a também se enxergar de forma diferente.

Após a doença, Fabíola ressignificou muitas coisas em siApós a doença, Fabíola ressignificou muitas coisas em si – Foto: Reprodução/ND

Depois de perder o cabelo e vê-lo nascendo de novo, sua relação com os fios mudou. Se antes, as mechas brancas logo eram cobertas por tintas, agora Fabíola acredita que elas revelam e engrandecem sua trajetória.

“Consigo me olhar no espelho e gostar de mim, aceitar meu corpo, toda essa transformação: queda de cabelo, perder unha, perder seio, engordar”, comenta. “A gente agradece, no final das contas, por toda essa jornada e transformação”, conclui.

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