Mesmo com variante indiana, Florianópolis não faz fiscalização complementar em aeroporto

Professora da Unisul avalia que aferição de temperatura é medida "mais psicológica" do que eficaz e que protocolos devem ser revistos

A fiscalização complementar realizada pelos agentes municipais no aeroporto da Capital foi suspensa no dia 7 de maio. Assim, apenas a Anvisa e a própria administração do Floripa Airport realizam ações restritivas no local, para evitar a disseminação de novas variantes da Covid-19, como a indiana, recentemente identificada no país.

Dessa forma, sem o distanciamento adequado nos voos e com a aferição de temperatura considerada uma medida pouco eficaz, a pesquisadora em epidemiologia da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), Fabiana Schuelter Trevisol, alerta que os protocolos do aeroporto de Florianópolis devem ser revistos.

Especialista afirma que protocolos deveriam ser revistos em aeroporto de Florianópolis – Foto: FloripaAirport/DivulgacaoEspecialista afirma que protocolos deveriam ser revistos em aeroporto de Florianópolis – Foto: FloripaAirport/Divulgacao

“O mais efetivo é a revisão de protocolo para utilizar medidas que funcionem. Máscara apropriada, a PFF2 e a cirúrgica, e a implementação de testes de Covid para os passageiros dos voos domésticos [que circulam dentro do país] seria o ideal”, aponta Schuelter Trevisol, que é professora do curso de Medicina da Unisul.

A pesquisadora relatou ainda que o marido viajou na última semana, partindo do aeroporto da Capital, e constatou que o distanciamento dentro da aeronave não estava sendo respeitado. “Tinha passageiro um do lado do outro. Imagina, em um voo de três horas, sem renovação do ar, por isso a necessidade de máscara adequada, sobretudo dentro do avião”, reitera.

Fiscais foram redirecionados para atuar na cidade

De acordo com a Secretaria de Saúde de Florianópolis, “a intervenção do município no ano passado foi por conta do afastamento de alguns servidores do órgão federal que eram do grupo de risco”. Após vacinados, os servidores retornaram ao trabalho.

“Dessa forma, não fazia mais sentido manter nossos fiscais lá e os redirecionamos para fiscalizações na cidade”, afirma a assessoria da Saúde.

Apesar de a secretaria afirmar que “a competência para a fiscalização no aeroporto é unicamente da Anvisa”, o órgão informou, por meio de nota, que as ações nas áreas comuns também podem ser realizadas pelo município. “São ações complementares, não obrigatórias. Ficam a critérios dos estados e municípios.”

Fiscalização da Anvisa

A Anvisa também afirmou, em nota, que realiza as ações de fiscalização normalmente, como divulgação de material educativo, fiscalização da apresentação de teste negativo para Covid-19 feito em até 72 horas antes do embarque de viajantes internacionais quem chegam ao Brasil.

Além disso, há a abordagem de aeronaves para identificação de casos suspeitos e fiscalização do uso de máscara e distanciamento social no interior do terminal. 

Medidas sanitárias implementadas são pouco eficazes, avalia especialista

De acordo com a administração do aeroporto da Capital, logo no início da pandemia foi implementada a fila única e orientação dos grupos de embarque por telas, eliminando a formação três filas, entre outras ações.

Além disso, há câmeras térmicas que medem a temperatura à distância de até 15 pessoas e identificam o uso correto de máscaras por meio de reconhecimento facial. No entanto, a professora da Unisul avalia que aferir a temperatura corpórea é “mais psicológico do que efetivo”.

“A temperatura corpórea só pega o momento em que a pessoa está com elevação da temperatura, mas ela pode estar pré-clínica, sem apresentar sintomas ainda ou o curso da doença é mais leve a tem a possibilidade de transmitir a doença sem estar com febre”, destaca.

O Floripa Airport, por meio de nota, disse que “as aeronaves têm filtros Hepa, que filtram 99% do ar, eliminando, inclusive, vírus e bactérias”. Além disso, afirmou que todas as aeronaves são sanitizadas após o pouso, com fiscalização da Anvisa.

Falha em aeroporto fez circular a variante indiana

A cidade de São Paulo realiza um reforço ao trabalho da Anvisa, no Aeroporto de Congonhas, ao tentar barrar a circulação de passageiros suspeitos com a Covid-19, especialmente pela nova variante indiana.

cerca de duas semanas, um morador do Rio de Janeiro, que viajou da Índia ao Brasil pelo Aeroporto de Guarulhos, passou por três cidades e esteve em contato com várias pessoas até ser isolado.

A professora da Unisul também ressaltou a falha da liberação do passageiro antes do resultado do teste. “Depois que uma cepa entra no país, a transmissão respiratória, nesse momento em que o índice de infecção é muito alto, pode elevar o patamar de mortes.”

“O controle precisa ser rigoroso entre os Estados, não apenas entre os estrangeiros”, completa.

Chapecó também intensifica fiscalização

Assim, com a chegada da nova variante e a estabilidade de casos do coronavírus em um patamar elevado em Santa Catarina, o município de Chapecó também decidiu retornar as ações de de monitoramento no Aeroporto Serafim Enoss Bertaso.

Na segunda-feira (31), a Vigilância em Saúde, Epidemiológica e a Vigilância Sanitária se reuniram com a equipe de gestão do aeródromo e com o Corpo de Bombeiros Militar para organizar uma barreira sanitária.

O objetivo é fiscalizar a chegada dos voos da Latam de São Paulo, da Azul, de Campinas e Florianópolis, e da Gol, de São Paulo.

A partir da aferição de temperatura, quem estiver com a temperatura acima do normal será convidado a realizar um atendimento com a Unidade Móvel, para consulta e testagem. Outra decisão é que não será mais permitido aos familiares de passageiros o acesso à área interna do terminal.

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