‘Meu filho pode morrer’: diabéticos pedem por mais tipos de insulina em Joinville

Sem o fornecimento de alguns tipos de insulina, familiares e pacientes diabéticos temem pelo futuro, já que o estoque é curto e o medicamento é caro

A luta dos pacientes por insulina em Joinville continua: com o estoque contado e sem dinheiro para custear o medicamento, muitas pessoas temem pelo futuro depois que o poder público parou de fornecer alguns análogos do produto.

É o caso de Máxima Fernandes Lima, mãe de Daniel, que tem deficiência visual, é autista e teve diabetes diagnosticada há seis anos. Antes de qualquer refeição ela aplica a insulina no filho e teme pela mudança no medicamento depois que o governo parou de fornecer um tipo de análogo. Com o caderno, ela controla a glicemia e observa o resultado de cada medicamento.

Máxima controla a glicemia do filho em um caderno – Foto: Reprodução/NDTVMáxima controla a glicemia do filho em um caderno – Foto: Reprodução/NDTV

Com essa insulina, melhorou 100%. Se mudar, meu filho vai chegar até a ponto de morrer”, ressalta. Comprar o medicamento não é uma opção para a família, já que seria necessário desembolsar cerca de R$ 2,5 mil por mês.

A mesma situação é vivida por Juracema Oliveira de Souza e o filho dela, Diego, que é deficiente e também tem diabetes. “Ele foi parar várias vezes no hospital praticamente em coma porque essa insulina tem pico muito alto”, conta. Já com o outro medicamento análogo à insulina, a situação fica melhor controlada. “Essa insulina é boa, é qualidade de vida”, diz. O problema é que o estoque só deve ser suficiente para dois meses.

Juracema teme pela saúde do filho sem a insulina – Foto: Reprodução/NDTVJuracema teme pela saúde do filho sem a insulina – Foto: Reprodução/NDTV

A Secretaria de Saúde de Joinville informou que há 15 análogos de insulina, mas que apenas um é padronizado pelo SUS. Dessa forma, os outros são fornecidos apenas por decisão judicial.

Até pouco tempo, uma dessas decisões permitia o fornecimento para os pacientes bastando apenas comprovar a necessidade. O problema é que o Estado reinterpretou a decisão, entendendo que ela valia apenas para um caso em específico e não para todos os pacientes.

Com isso, ou cada pessoa entra com ação individual na Justiça ou fica sem acesso ao medicamento. “A decisão original tinha garantido todos os tipos de medicamento, a pessoa só iria comprovar a necessidade com recomendação médica. Agora, terá que entrar com ação individual”, explica o procurador da República Ercias Rodrigues de Souza.

O Ministério Público Federal vai recorrer da ação. Enquanto isso, mais uma vez, os pacientes foram às ruas nesta semana em protesto pela falta dos medicamentos.

*Com informações de Sabrina Aguiar, repórter da NDTV Joinville

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