Morador de Chapecó vence a Covid-19 após 182 dias internado

Gilberto de Goes, de 58 anos, passou 160 dias na UTI e outros 22 na enfermaria do HRO e ganhou alta nesta segunda-feira (22)

O dia 22 de fevereiro de 2021 ficará marcado para sempre na vida da família de Gilberto de Goes, de 58 anos. Natural de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, Gilberto lutou durante 182 dias contra a Covid-19 e suas complicações. Foram 160 dias internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e outros 22 dias em enfermaria no HRO (Hospital Regional do Oeste).

Assista o momento que Gilberto foi recebido pela família:

Na noite desta segunda-feira (22), a esposa de Gilberto, Lourdes Ivete Windlin, viu o médico entrar pela porta do quarto 614 com a alta hospitalar nas mãos. Após quase seis meses, Gilberto voltou para casa com a família e foi recepcionado com todo o amor, fé e gratidão que fez com que os familiares lutassem junto com ele a guerra contra a Covid-19. 

“Chorei de alegria hoje pela manhã. Foi um dos períodos mais difíceis na minha vida, na dos filhos e de toda a família. Muitas incertezas, medo, insônia, cansaço emocional e físico também. Só quem passa por isso entende, mas hoje o sentimento é de gratidão a Deus, aos médicos e a toda a equipe que cuidou dele neste período”, diz a esposa. 

Recuperação segue em casa

Mesmo com a alta hospitalar, Gilberto ainda terá um caminho de recuperação pela frente em casa. Segundo Lourdes, o primeiro será superar o trauma da UTI, voltar a andar, uma vez que teve perda da massa muscular, e recuperar totalmente o pulmão, o qual ficou com cicatrizes. “Mas temos certeza que com o tempo e com fisioterapia e todos os cuidados em casa, vai dar tudo certo”, afirma. 

Após 182 internado Gilberto venceu a Covid-19 e deixou o Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, para voltar para casa. Na imagem Gilberto aparece deitado na maca com os enfermeiros prestes a sair do hospitalGilberto recebeu alta na noite desta segunda-feira (22). – Foto: Arquivo Pessoal

Por mais um período, Gilberto ainda terá que ficar com a traqueostomia feita no hospital para auxiliar na respiração, assim como com a sonda nasogástrica que contribui com suplementação alimentar até que ele possa voltar a comer normalmente. 

Os primeiros sintomas

Gilberto teve os primeiros sintomas uma semana antes de ser internado no HRO, no dia 30 de agosto de 2020. Cansaço, dores no corpo, febre, tosse. Assim começaram os sintomas até evoluir para a falta de ar. 

Após a internação foram quatro dias na enfermaria até que os sintomas se agravaram e Gilberto foi levado à UTI, onde precisou ser entubado. Além das complicações da Covid-19 ele enfrentou, e venceu, inflamações, bactérias, fungos e até mesmo uma pancreatite, ocasionada pelo excesso do uso de medicamentos. 

Notícias eram repassadas por ligações

Desde então as notícias de Gilberto passaram a ser por ligações telefônicas feitas pelos médicos da UTI.  A filha mais nova de Gilberto, Letícia Windlin de Goes, de 20 anos, que foi a primeira da família a ser infectada pela Covid-19, lembra dos dias de angústia esperando que o telefone tocasse.

“Ver meu pai internado foi o período mais angustiante da minha vida até hoje. Todos os dias os médicos ligavam para passar as informações e cada vez que o celular tocava meu coração quase saia pela boca”, conta. 

Gilberto ao lado da esposa Lourdes, ele venceu a Covid-19Gilberto e a esposa Lourdes. – Foto: Arquivo Pessoal

Letícia lembra que várias foram as frustrações ao longo dos 160 dias de internação do pai na UTI. Diariamente a família criava expectativas de notícias positivas, falando sobre a melhora dele. Mas nem sempre foi assim. Em algumas ligações, a filha recorda que as notícias eram de que o quadro de saúde havia piorado.

Visitas foram autorizadas na UTI

Com o longo período de internação, após o ciclo do vírus passar, e quando os médicos sentiram segurança, visitas foram autorizadas na UTI. A intenção era amenizar a saudade, mas com todos os cuidados necessários para garantir a segurança da família e de Gilberto. 

Em alguns momentos, Lourdes, Letícia e o filho mais velho de Gilberto, Estevan Goes, que mora em Florianópolis, conseguiram ver Gilberto na UTI. Durante o período na enfermaria, o enteado de Gilberto, Leonardo Windlin, também auxiliou nos cuidados.

“Acho que a gente nunca imagina ver alguém próximo na UTI, mas quando ele ganhou alta da UTI foi o momento que senti meu corpo se desprender de toda tensão que eu estava nesse tempo de internação dele. Foi um alívio, por mais que eu tivesse convicção de que ele ia melhorar e sair daquela situação, ter a certeza de que ele tinha vencido a Covid-19 foi meu presente de Deus”, comemora a filha que preparou a casa para receber o pai de volta. 

Para o filho mais velho, Estevan Goes, é uma realização ver o pai indo para casa. “Foram mais de 5 meses de apreensão, ainda mais estando distante e querendo estar perto, mas isso a própria doença já é um empecilho. Estou muito feliz em saber que ele esta indo de volta para casa mesmo depois de ter passado maus bocados. Ele é um guerreiro e merece estar de volta ao lar”.

O sentimento é de gratidão

Com o coração repleto de gratidão, alguns familiares foram recepcionar Gilberto após a saída do hospital como forma de demonstrar todo o amor ao ente querido. 

“Hoje ele veio para casa e tudo que eu posso é agradecer, aos médicos da UTI, aos enfermeiros e técnicos de enfermagem, aos familiares que mandaram muita força e energia positiva para ele e, principalmente, a Deus por ter proporcionado essa vitória para ele e para toda nossa família”, agradece Letícia. 

Gilberto ao lado da família antes de pegar Covid-19 em ChapecóGilberto com a esposa Lourdes, os três filhos Estevan, Stela e Letícia e a neta Luiza. – Foto: Arquivo Pessoal/ND

A filha do meio de Gilberto, Stela Schuh Goes, e a neta Luiz Goes, estão felizes com a recuperação e afirmam que nunca duvidaram da força dele, assim como ele sempre as ensinou a ser forte.

“Estamos muito felizes dele ir para casa, onde estará isolado do contato com outras doenças e, assim, mais seguro para sua total recuperação. Isso nos passa mais segurança, mas também continuamos vigilantes e preocupados com a imunidade dele, torcemos que o quanto antes ele possa tomar a vacina para ser imunizado”, diz Stela.

Segundo ela, em primeiro momento a preocupação é com a recuperação total do pai. “Neste momento, até visitas podem colocar ele em risco, uma vez que nós continuamos trabalhando. Mas temos certeza da total recuperação dele”, complementa.

Super-heróis

Para a esposa Lourdes, todos os médicos, enfermeiros e profissionais da saúde que cuidaram de Gilberto, são, agora, considerados verdadeiros heróis.

“Se não fosse por eles meu marido talvez não estivesse aqui. Eu rezava a cada notícia para que os médicos achassem uma saída, um medicamento ou alguma coisa que fizesse o Gil reagir. Hoje só temos gratidão em nossos corações a todos, familiares, amigos, que ajudaram de alguma forma, seja com orações, com ligações, com energias positivas. Nós vencemos a Covid-19”, conclui.

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