Morador de SC morreu à espera de equipamento igual ao usado por Paulo Gustavo

Marcos Drumm, de 38 anos, ganhou acesso ao tratamento gratuito na Justiça, mas não recebeu acesso ao ECMO a tempo

O supervisor de vendas Marcos Drumm, de 38 anos, morador de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, que morreu vítima da Covid-19 no dia 3 de março, precisava do mesmo tratamento que está sendo realizado no ator Paulo Gustavo. Os custos são elevados e passam dos R$ 30 mil.

Marcos morreu no dia 3 de março sem ter acesso ao tratamento – Foto: Divulgação/NDMarcos morreu no dia 3 de março sem ter acesso ao tratamento – Foto: Divulgação/ND

Drumm ficou internado no Hospital Regional Alto Vale, na cidade de Rio do Sul, com 90% do pulmão comprometido e não resistiu. O tratamento que ele precisava era com a ECMO (Extracorporeal Membrane Oxigenation), que funcionaria como um pulmão artificial ajudando a fazer a oxigenação do sangue que o pulmão não estava mais conseguindo, o mesmo ao qual o ator está sendo submetido.

Tratamento não é oferecido pelo SUS

A família ganhou judicialmente o direito de receber o tratamento gratuito, já que não é oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas ele não recebeu acesso ao aparelho em tempo hábil.

Na luta contra o tempo, a família chegou a realizar uma “vakinha online” para arrecadar a quantia de R$ 200 mil para transferir Marcos para um hospital particular que oferecesse o tratamento, mas não conseguiram a tempo.

Conforme o advogado da família, Marcos Cristiano Alberti, o Ministério Público ingressou com uma ação civil pública contra o Estado de Santa Catarina no dia 20 de fevereiro. “No mesmo dia o juiz determinou que o Estado fornecesse o equipamento ou pagasse o tratamento em hospital particular no prazo de 48 horas da intimação”, explicou.

Marcos Drumm, tinha 38 anos, ficou quase um mês internado – Foto: Arquivo pessoal/Reprodução/NDMarcos Drumm, tinha 38 anos, ficou quase um mês internado – Foto: Arquivo pessoal/Reprodução/ND

Segundo o advogado, poucos hospitais particulares têm o aparelho em Santa Catarina e, inicialmente, a ideia da família, era transferir Marcos para Porto Alegre (RS), uma vez que lá também havia aparelho disponível.

“O Estado justificou que estava correndo atrás dos trâmites burocráticos, edital, licitação, empenho e assim por diante. Desculpas e mais desculpas para não cumprir. Dando a entender que o equipamento somente seria entregue após todos os trâmites burocráticos”, acrescentou Alberti.

O ND+ entrou em contato com a SES (Secretaria de Estado da Saúde) a qual informou que emitiria uma nota junto a PGE (Procuradoria Geral do Estado) até o fim da tarde do dia 3 de março, mas desde então não obteve retorno da Secretaria sobre os motivos pelos quais Marcos não teve acesso ao tratamento.

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Saúde