Mortes de jovens por engasgamento não são comuns, fala médica

Médica explica como agir em caso de engasgamento; no dia 7 de janeiro, um jovem de 18 anos morreu após se engasgar com um pedaço de carne no Planalto Norte

Uma semana internado após se engasgar com um pedaço de carne durante um churrasco de confraternização. Uma semana e o jovem Everton Camargo Maia, de 18 anos, não resistiu e morreu no dia 7 de janeiro. Everton morreu depois de se engasgar com um pedaço de carne e ter o quadro de saúde agravado. No entanto, a situação é incomum entre jovens. É o que explica a médica gastroenterologista Dalva Maria Alvez Alcântara. “A morte por engasgo é mais comum em crianças, que possuem a deglutição mais frágil”, diz.

Médica explica que engasgamento acontece pela má deglutição dos alimentos – Foto: Pixabay/DivulgaçãoMédica explica que engasgamento acontece pela má deglutição dos alimentos – Foto: Pixabay/Divulgação

Apesar de incomum, os casos acontecem e podem se agravar, como aconteceu com Everton. A cuidadora de idosos Leonice Gonçalves conta que passou por uma situação que classifica como “desesperadora”. Ela se engasgou com um pedaço de bolo e até hoje conta que carrega o trauma daquele dia em que “pensou que não sairia dali”.

Ela conta que estava com a filha, de apenas dois anos, preparando o café da tarde, quando se engasgou com um pedaço de bolo. O desespero ainda está vivo na memória de Leonice.

“Lembro-me de ter cortado o bolo de pão de ló e estar preparando o café com minha menina do lado. Quando eu coloquei o pedaço de bolo na boca e fui pegar o café, me engasguei. Foi desesperador, traumatizante, até hoje fico com receio de estar na mesa e comer o pão porque tenho medo que vai acontecer de novo”, fala.

A cuidadora conta que tentou pedir ajuda, beber água e nada resolvia. Enquanto ela corria pela casa sem saber o que fazer, a filha estava atrás, aos prantos, lembra. “Corria pela casa, não sabia o que fazer e ela chorando atrás de mim. Coloquei a mão na garganta e meu rosto estava muito quente e inchado. Foi desesperador. Eu pensava que não sairia dali”, conta.

Foram minutos de apreensão e pânico e, depois de conseguir retirar o pedaço de bolo, ela conta que chorou ao lado da filha. “Me joguei no chão do banheiro e fiquei ali, tremia e chorava muito. Abracei minha menina e chorava muito. Eu pensei que não conseguiria me salvar”, lembra.

Everton Camargo Maia se engasgou durante um churrasco no dia 1º de janeiro e morreu após uma semana internado – Foto: Redes Sociais/DivulgaçãoEverton Camargo Maia se engasgou durante um churrasco no dia 1º de janeiro e morreu após uma semana internado – Foto: Redes Sociais/Divulgação

A gastroenterologista fala que casos mais graves que levam à morte são incomuns entre pessoas jovens, mas podem acontecer. Dalva explica que o engasgamento ocorre pela falta de deglutição ou pela “queima de etapas” neste processo. “Se eu mastigo muito rápido e vou engolir pedaços grandes ao mesmo tempo em que estou falando, conversando, pode acontecer. Para falar e respirar ao mesmo tempo, a minha parte respiratória precisa estar aberta e quando faço as duas coisas ao mesmo tempo, geralmente incorre no engasgo”, diz.

Ela explica, ainda, que a primeira reação em casos de engasgamento precisa ser a aplicação de manobras para expelir o corpo estranho que ficou preso e, em hipótese alguma, tentar “empurrá-lo”. “O que existe são manobras para que esse corpo estranho seja expulso, manobras específicas de compressão. Nada de água, colocar o dedo, empurrar, isso só vai piorar”, ressalta.

Os primeiros socorros com a aplicação da manobra, salienta a médica, devem ser realizados em casa, mas o acionamento de médicos e de hospitais é fundamental, finaliza.

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Saúde