MPC notifica Estado sobre situação do Hospital de Caridade

IHC já tem ameaças de não se manter funcionando após metade de setembro, devido às dívidas e problemas de administração; corpo clínico já citou situação crítica em comunicado

Uma notificação com recomendação foi encaminhada ao secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, por parte do MPC (Ministério Público de Contas) acerca da já conhecida situação financeira do IHC (Imperial Hospital de Caridade).

Uma ala do hospital foi fechada no dia 31 de agosto e o montante da dívida beira os R$ 120 milhões, justamente em um contexto de crise em meio à pandemia.

Crise contábil põe em risco o funcionamento da instituição após a primeira quinzena de setembro – Foto: Carlos Damião

O hospital, atualmente, tem 55 leitos destinados ao atendimento de pacientes da Covid-19, e totaliza 210 leitos, 13,9% do total da região da Grande Florianópolis.

“Recebemos, esta semana, a resposta da Secretaria de Saúde. O governo respondeu que tem condições de remanejar os 55 leitos para o atendimento à pandemia. Mesmo assim, o impacto na saúde pública da região é grande. Os demonstrativos financeiros mostram o risco de os serviços do Caridade serem interrompidos a qualquer momento”, explica o procurador de Contas Diogo Ringenberg, que é quem assina a notificação.

Segundo o MPC, o hospital está pagando somente o valor líquido da folha de pagamento, sendo que os encargos (FGTS, INSS, IRRF) não estão sendo recolhidos, ou estão sendo parcelados.

Há previsão que até o fim desta primeira quinzena de setembro o IHC já não tenha condições de se manter de portas abertas. O corpo clínico da instituição já emitiu nota a respeito.

“Sabemos da história de 231 anos, mas, realmente a situação atual nos coloca em risco de fechar as portas. Estamos vendo há anos a boa vontade, dos irmãos em conduzir o hospital, mas também vemos muitos deles ficarem doentes à frente de tamanha responsabilidade. O mundo mudou, a administração hospitalar mudou, o cenário mudou, e, com isso tudo, o corpo clinico vê como única saída essa mudança para o hospital. Infelizmente, a Irmandade está nesse impasse jurídico, mas os membros da Irmandade que vivem o hospital sabem que não tem outra solução”, diz o comunicado.

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