Morte de jovem no Hospital Florianópolis vira inquérito no Ministério Público

Apuração sobre morte do estudante no Hospital Florianópolis por suspeita de uso de morfina para intubação vai ser direcionada para documentos produzidos pela unidade de saúde pública

Os pais de Mateus Felippe de Souza, que morreu no Hospital Florianópolis após ser contaminado por Covid-19 e em circunstâncias que estão ainda sendo apuradas, prestaram depoimento nesta quinta-feira na 33ª Promotoria de Justiça da Capital.

Como revelou com exclusividade o ND+ no dia 1º, o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) começou apurar o caso após ser questionado pela reportagem se a morte do jovem de 21 anos está relacionada com falta de medicamentos adequados para intubação de pacientes graves no Hospital Florianópolis, unidade púbica de referência no tratamento da doença na região da Grande Florianópolis.

Natural de Tubarão, Mateus era estudante da 7ª fase de Direito e completaria 22 anos no dia 26 deste mês de agosto; ele morreu no Hospital Florianópolis – Foto: Reprodução/Facebook/ND

Depois de ouvir os familiares do estudante de Direito da Unisul, o promotor Luciano Trierweiller Naschenweng resolveu converter a investigação iniciada como notícia de fato em um inquérito civil público. A promotoria deve pedir oficialmente os prontuários médicos de Mateus registrados no Hospital Florianópolis e também nas demais unidades de saúde onde o jovem foi atendido antes da internação.

O advogado que acompanha a família informou ao ND+ que já tinha solicitado os documentos e que o prazo para entrega é no começo da próxima semana. E que assim que tiver acesso também vai repassar ao promotor, além de buscar um perito para analisar se o uso de morfina pode ter influência na morte ou piora no está clínico do paciente.

Entenda o caso

O caso foi exposto pela primeira vez no dia 24 de julho, durante reunião institucional entre procurador-geral de Justiça, Fernando da Silva Comin, promotores que atuam diretamente no enfrentamento da pandemia e o secretário de Saúde do Estado, André Motta Ribeiro. No encontro, Naschenweng questionou o secretário sobre a morte de Mateus que, segundo consta na ata da reunião, “recebeu morfina por falta dos medicamentos apropriados e acabou falecendo”.

No depoimento ao MPSC, a família também informou que antes de ser intubado na UTI do Hospital Florianópolis, o hospital não fez um exame necessário para ver as condições do organismo de Mateus, pois o tomógrafo não estava funcionando. “Vamos até o fim desta história para saber se houve um erro que causou a morte do meu filho”, disse Rivelino de Souza, pai de Mateus.

A falta dos anestésicos já era alvo de apuração do MPSC no hospital onde o jovem tinha sido internado, divulgada pelo mesmo promotor no dia 10 de julho, cinco dias antes da morte do estudante. No comunicado à imprensa, o órgão informou que a investigação já estava em análise desde de 12 de junho, após denúncia apresentada pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA). O texto destaca a situação na unidade de saúde onde o jovem faleceu e também sobre as falhas no tomógrafo.

“Até o momento, as apurações já confirmaram que muitos medicamentos já estão em falta e que outros estão com estoques suficientes para apenas mais alguns dias. A situação mais grave é a do Hospital Florianópolis, que foi designado como referência para o atendimento de pacientes com covid-19 na Capital e na região metropolitana. Além de estar com medicamentos já esgotados e com os estoques baixos, o tomógrafo utilizado para examinar os pulmões dos pacientes e avaliar o quadro da doença está sem condições de uso”.

A reportagem do ND+ entrou em contato com a assessoria do hospital que se posicionou dizendo que “por enquanto não temos nenhuma atualização sobre o caso”.

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