Fabio Gadotti

Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens de Florianópolis e região.


“Não há chance de uma vacina bastante segura ainda em 2020”, diz professor

Coordenador de pesquisa sobre a tríplice viral fala sobre primeiros resultados e perspectivas de imunização contra a Covid-19

Coordenador da pesquisa da UFSC, o médico e professor Edison Fedrizzi fala sobre os primeiros resultados do trabalho e perspectivas de prazo para uma imunização contra a Covid-19.

Edison Fedrizzi, coordenador da pesquisa sobre a tríplice viral – Foto: Divulgação/ND

Os primeiros resultados da pesquisa indicaram que a maioria dos voluntários vacinados pela tríplice viral foram assintomáticos. O que falta para a conclusão final do trabalho?
Iniciamos o estudo no final de julho e início de agosto. Percebemos que os pacientes que entraram no estudo com o coronavírus, com PCR deu positivo, estavam assintomáticos.

Entre os receberam a tríplice viral, 83% permaneceram assintomáticos. No grupo que recebeu placebo isso aconteceu em 50%. Ou seja, tivemos uma evolução maior da Covid-19 nos pacientes que não receberam a vacina. Mostrando que nossa primeira hipótese se confirmou: a diminuição da gravidade da Covid-19 com a possibilidade de redução da carga viral.

São conclusões preliminares. Claro que precisamos demonstrar que isso acontece ao longo do tempo. Mas esse resultado inicial mostra que conseguimos reduzir a evolução da doença utilizando a vacina.

Nosso segundo objetivo é saber se realmente podemos prevenir a Covid-19, não só diminuir a gravidade. Para isso ainda não atingimos o número de pessoas infectadas para poder fazer esse cálculo, comparando o grupo que recebeu a tríplice viral e o que recebeu o placebo. Esse é o desafio para os próximos meses.

Qual sua expectativa sobre os estudos que estão sendo feitos para a vacina da Covid-19?
O que esperamos agora é que possamos ter uma proteção momentânea. A tríplice viral não vai produzir anticorpos contra o coronavírus. Isso é específico de uma vacina com essa finalidade. Nosso objetivo é formar uma baqrreira protetora por alguns meses, e pelos nossos cálculos é possível que a gente consiga por 8 a 9 meses, justamente para dar tempo de termos uma vacina contra o coronavírus. Isso nos daria um pouco mais de folga e de conforto, sabendo que teríamos um tempo a mais para que esses estudos em fase 3 pudessem ser finalizados com segurança e demonstrando que as vacinas em estudo são eficazes.

Nesse primeiro momento é um pouco ainda preocupante. O que estamos vendo é uma corrida desenfreada para quem chegar primeiro nos testes, E colocÁ-la no mercado. O mais importante, além de comprovarmos que funciona, é que tenhamos uma vacina completamente segura. Isso precisa de um tempo para ser confirmado.

Não há possibilidade de usar uma vacina bastante segura ainda este ano. Provavelmente vamos ter uma vacina com todas essas propriedades a partir do próximo semestre do ano que vem.

Como está sendo a repercussão da primeira fase entre universidades e centros de pesquisa?
A repercussão é positiva e animadora. No Brasil, só a UFSC está usando a tríplice nessa pesquisa, mas existem alguns centros do mundo que também estão testando. No Brasil temos temos conhecimento de pesquisas sobre a BCG, contra a tuberculose, que teria uma ação semelhante a da tríplice viral em termos de estímulo imunológico.

Estamos bem otimistas que esse resultado vai continuar sendo demonstrado ao longo da pesquisa e que logo a gente tenha resultado do ponto de vista da prevenção da Covid-19.