‘Não vejo a hora de voltar’, diz servidora de hospital de Blumenau que ficou um mês na UTI

Laurinda Elisa Morastoni passou Natal e Ano-Novo internada; após de recuperar, a ansiedade é para retornar ao trabalho

Após um ano de pandemia de Covid-19, são muitas as histórias de quem viveu a doença e pode contar como passou pela experiência. Até o dia 16 de março de 2021, a estatística local já contabilizava 45.535 pessoas com uma história para contar sobre a Covid-19.

Deste total, 355 blumenauenses não sobreviveram para dar o seu relato, mas há quem passou pela doença, lutou bravamente e agora só quer voltar à vida normal. É o caso de Laurinda Elisa Morastoni, uma das sobreviventes do coronavírus em Blumenau e uma das histórias que vamos contar na série especial Blumenau: um ano de pandemia.

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Do refúgio de casa, Laurinda contou à reportagem do Grupo ND sobre o medo que sentiu ao ser diagnosticada com a Covid-19. Em 20 anos de trabalho dedicados à área da saúde como profissional do Hospital Santa Isabel em Blumenau, no Vale do Itajaí, pela primeira vez, ela se viu no papel de paciente.

Encontrou amparo e cuidado naqueles que ela sempre recebeu com carinho no refeitório da unidade – setor em que trabalha.

Laurinda ao lado das colegas de trabalho quando recebeu alta hospitalar – Foto: Philipe Oliveira/HSILaurinda ao lado das colegas de trabalho quando recebeu alta hospitalar – Foto: Philipe Oliveira/HSI

“Passei muito medo”, admite Laurinda, de 57 anos. A servidora perdeu a noção do tempo de internação. O quadro evoluiu muito rápido e, um dia após dar entrada no hospital, precisou ir para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). E lá ficou por 41 dias. Emocionada, ela recorda o momento em que acordou do coma:

“Perguntei para minha filha que dia era. Ela desconversou, mas eu insisti. Aí ela disse ‘7 de janeiro’. Levei um susto. Passei Natal e Ano-Novo ali”.

Na saída da UTI, ao vencer a parte mais difícil da batalha contra a Covid-19, um cordão de honra se formou para homenageá-la. Saiu da terapia intensiva sob aplausos de amigos e colegas, muitos dos quais ela também viu lutar pela vida de outros pacientes – e também pelas próprias vidas ao serem infectados pelo vírus.

“A rotina mudou bastante quando surgiu a doença. Muito colegas foram contaminados e a gente os via abalados emocionalmente. Eu sempre ficava querendo alegrar cada um”, relembra.

Quando foi ela quem precisou encarar a situação, entendeu o quão difícil e pesado é encarar de frente uma doença que, ainda hoje, segue sendo algo novo e parcialmente desconhecido.

“Tive medo de não conseguir respirar sem a traqueostomia, depois sem o cateter. […] Agora estou um pouco cansada, o braço esquerdo um pouco debilitado, mas quero voltar logo ao trabalho. Eu amo o que eu faço. E acho que eles estão com saudades de mim também”, diverte-se.

Passado o susto, Laurinda reflete sobre a lição deixada pela Covid-19: é preciso ajudar o próximo. Religiosa, vê a recuperação como um milagre divino e acredita que superou a doença porque tem um propósito maior para a própria vida:

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Saúde