ND Explica: por que jovens são a maioria de casos de Covid-19?

Em Balneário Camboriú, pessoas de 20 a 39 anos representam 46% dos casos confirmados da doença

Festas, bares e praias lotados e desrespeito às regras sanitárias: não é de hoje que as notícias mostram o descumprimento das medidas para enfrentamento à pandemia de Covid-19, que só no Brasil já tirou a vida de mais de 200 mil pessoas.

População entre 20 e 39 anos representa quase a metade dos casos de Covid-19. – Foto: Cristiano Andujar/PMF/DivulgaçãoPopulação entre 20 e 39 anos representa quase a metade dos casos de Covid-19. – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação

Na última terça-feira (12), a Justiça teve que interditar por tempo indeterminado duas famosas casas noturnas de Balneário Camboriú.

De acordo com a juíza Bertha Steckert Rezende, que assinou a decisão, “por inúmeras vezes, como é de conhecimento público e notório, [as casas] vêm desrespeitando as medidas aplicadas – sequer conseguem manter o estabelecimento apenas com o distanciamento”.

Isso reflete nos números da doença na cidade: pessoas entre 20 e 39 anos representam 46% (quase a metade) dos casos confirmados de Covid-19 em Balneário Camboriú. Os dados são da última quarta-feira (13).

Gráfico mostra o número de casos de Covid-19 por faixa etária em Balneário Camboriú. – Foto: NDGráfico mostra o número de casos de Covid-19 por faixa etária em Balneário Camboriú. – Foto: ND

A reportagem do ND+ conversou com o médico infectologista Martoni Moura e Silva, que explica o porquê.

Na verdade, a resposta é até simples: jovens se expõem mais aos riscos da pandemia – trabalham, saem mais. Além disso, grande parte deste grupo não possui fatores complicadores, doenças que podem colaborar para uma infecção mais grave.

Parte deste grupo também não segue a risca a tríade de medidas no combate à pandemia: distanciamento social, uso das máscaras e higiene frequente das mãos. “Estão frequentemente em ambientes com aglomerações”, resume o doutor Martoni.

E quando começar a vacinação?

Pessoas sem comorbidades, com menos de 59 anos e que não trabalham nas áreas de maior risco (como a da saúde) tendem a ficar no final da fila para imunização.

De acordo com o Martoni, mesmo depois que a vacina for liberada, o vírus vai continuar circulando – principalmente entre jovens. Ele cita o exemplo da Indonésia, que já começou a vacinar a população, mas “ao contrário”.

Lá, os idosos devem ser os últimos a receber a CoronaVac. Isso levanta um questionamento: “por que não vacinar, primeiro, a população economicamente ativa, que circula mais, trabalha?”, pergunta o médico infectologista.

“A vacina vai desafogar o sistema de saúde, proteger os que mais morrem”, explica.

Como, mesmo com a vacina, o vírus vai continuar circulando, segundo Martoni, e será preciso continuar com as medidas – usar a máscara, álcool em gel e manter o distanciamento social.

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Saúde