Novembro Azul, todos pela saúde do homem

Momento é de ação e conscientização. Brasil diagnosticou quase 66 mil casos de câncer de próstata em 2020

Novembro é o mês de voltar a atenção para a saúde do homem – Foto: DivulgaçãoNovembro é o mês de voltar a atenção para a saúde do homem – Foto: Divulgação

Já passou da hora de a sociedade compreender a importância de melhorar a saúde do homem. A prevenção, mais comum entre as mulheres, deve ter a mesma dimensão para eles. Mas para isso ocorrer, é preciso forte apoio de todos e iniciativa deles, para ter uma vida mais longa e com qualidade. E este mês é marcado por uma campanha decisiva nesta causa: o Novembro Azul.

Em 19 de novembro é celebrado o Dia Internacional do Homem. É quando a Campanha Novembro Azul está com maior intensidade. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre as neoplasias masculinas. Só em 2020, já foram diagnosticados 65.840 da doença.

Portanto, agora é hora de conscientização e ação pela saúde do homem. Para marcar este Novembro Azul, a equipe Noova Oncologia está aderindo à campanha com muita informação de qualidade.

Fique atento aos fatores de risco para o câncer de próstata

– Tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam significativamente após os 50 anos. Portanto, a idade é um fator de risco importante.

– Pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos, podendo refletir tanto fatores genéticos quanto hábitos alimentares ou estilo de vida.

– Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de próstata avançado.

– Exposições a compostos como aminas aromáticas, arsênio, produtos de petróleo, motor de escape de veículo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, (HPA), fuligem e dioxinas estão associadas ao câncer de próstata.

Mas, fique atento: o exame de toque retal, o único capaz de diagnosticar esse tipo de câncer precocemente, deve ser feito por todos os homens a partir dos 50 anos.

Porém, se você apresenta algum desses fatores de risco acima, o ideal é iniciar o controle antes mesmo dessa idade. (Fonte: Noova Oncologia)

Quando surgiu o Novembro Azul?

O movimento surgiu na Austrália, em 2003, chamado Movember, aproveitando as comemorações do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, em 17 de novembro. Em vários países, o Movember é mais do que uma simples campanha de conscientização.

Há reuniões entre os homens com o cultivo de bigodes (ao estilo Mario Bros), símbolo da campanha, onde são debatidos, além do câncer de próstata, outras doenças como o câncer de testículo, depressão masculina, cultivo da saúde do homem, entre outros.

As ações em Santa Catarina

A secretaria de Estado da Saúde (SES) ampliou as ações voltadas à saúde do homem com o slogan definido para a campanha “Homem, da infância à velhice, cuide de sua saúde, de novembro a novembro”, a SES trabalha dentro do que determinam os cinco eixos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), do Ministério da Saúde.

Ampliar o número de cirurgias eletivas, especialmente as urológicas, também é uma das ações do Novembro Azul em Santa Catarina, segundo a superintendente de Planejamento e Gestão do SUS Grace Ella Berenhauser.

De acordo com Berenhauser, o foco é na qualidade do atendimento na Atenção Básica.

“É importante que o homem procure a unidade para cuidar da saúde em qualquer suspeita de uma doença mais grave. Além do câncer, existem outras doenças que matam ainda mais homens e que poderiam ser evitadas”, alerta.

Números no estado

Segundo o IBGE, em 2018, a população do sexo masculino em Santa Catarina representa 49,6%. No Brasil, o percentual é de 48,9%. Deste total, 9,4 % têm 65 anos ou mais; 19,4% têm até 14 anos; 71,1% têm entre 15 e 64 anos.

De acordo com dados de 2017, a expectativa média de vida dos homens de Santa Catarina atinge os 75,8 anos. Estudos apontam que o homem vive em média sete anos a menos que a mulher. A cada três mortes de adulto, duas são de homens.

Causas de morte entre homens de todas as idades em SC

Relatórios da secretaria de Estado da Saúde, com base no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, apontam que as doenças do aparelho circulatório são as que mais matam homens, de todas as idades, em Santa Catarina. Em segundo aparecem as neoplasias e, em terceiro, causas externas (acidentes).

Os acidentes, no entanto, representam a maior causa das mortes de homens adultos entre os 20 e 59 anos de idade. Estão incluídos acidentes de trânsito, acidentes de trabalho e lesões por violência. O segundo motivo de morte nesta faixa etária são as doenças do aparelho circulatório, seguida das neoplasias.

Em 2017 foram registradas em Santa Catarina 22.685 mortes de homens entre todas as idades. Do total, das três causas mais comuns, 5.704 foram causadas por doenças circulatórias; 4.833 provocadas por tumores e 3.666 causadas por acidentes. Entre as neoplasias, o câncer que mais mata do gênero masculino, no estado, é o que envolve órgãos do sistema respiratório (891 mortes em 2016), seguido pelo de próstata (462 mortes em 2016) e de estômago (392 mortes em 2016).

Com base nas estatísticas e para implementar a política de saúde do homem em Santa Catarina, a SES desenvolve ações em cinco eixos:

Acesso e Acolhimento

Evento ocorre em diversos países para discutir a saúde integral do homem – Foto: DivulgaçãoEvento ocorre em diversos países para discutir a saúde integral do homem – Foto: Divulgação

Trabalhar a prevenção. O objetivo é sensibilizar os trabalhadores da saúde e os homens quanto à necessidade de buscarem os serviços de atenção básica, ser atendidos com qualidade, evitando que uma doença se torne crônica e precise de atendimento especializado. Este eixo considera as peculiaridades sociais, econômicas e culturais da população masculina e norteia-se para a formulação de estratégias que incentivem a realização dos exames preventivos.

A temática também envolve adoção de estilos e hábitos de vida saudáveis. Para promover a saúde, as ações serão voltadas à educação e em práticas que propiciem mudanças na ambiência física dos serviços, no comportamento, nos trabalhadores, na comunidade e nos usuários.

Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva (SSSR)

Tem como objetivo abordar as questões sobre a sexualidade masculina, nos campos psicológico, biológico e social, bem como respeitar o direito e a vontade do indivíduo de ter filhos – ou não.

Diz respeito ao direito da saúde sexual e saúde reprodutiva, sua relação com os conceitos ditados pela sociedade, os princípios morais e crenças dos usuários, bem como suas demandas no campo de práticas sexuais e reprodutivas.

O direito de expressar sua orientação sexual e sua vontade individual de planejar a constituição, ou não, da sua família ou entidade familiar deve também ser levado em consideração, assim como a vulnerabilidade da saúde sexual masculina a doenças e agravos, tanto no campo biológico quanto no psíquico.

Paternidade e Cuidado

Envolver ativamente o homem em todo o processo de planejamento reprodutivo, gestação, parto, puerpério e desenvolvimento infantil é a meta, proporcionando oportunidades para criação de vínculos mais fortes e saudáveis entre pai, mãe e filhos.

Para a PNAISH, a questão da paternidade é considerada uma “porta de entrada positiva” para os serviços de saúde, além do bem-estar que pode gerar para toda a família, a paternidade pode integrar os homens na lógica dos sistemas de saúde ofertados e na realização de exames de rotina, como HIV, sífilis, hepatites, hipertensão e diabetes, dentre outros.

Prevenção de Violências e Acidentes

Tem por objetivo orientar ações voltadas para a redução da morbimortalidade da população masculina por causas externas como: acidentes por transporte, acidentes de trabalho, violência urbana, violência doméstica e familiar, e suicídio. Com exceção da violência sexual e das violências que ocorrem no âmbito doméstico e familiar, segundo os dados do Ministério da Saúde, os homens, especialmente os jovens negros de camadas empobrecidas, são mais vulneráveis à violência.

Doenças prevalentes na população masculina

O tema se refere à prevenção e promoção da saúde ao segmento masculino por meio de ações educativas, organização dos serviços e capacitação dos trabalhadores da saúde, além da formulação de políticas para a prevenção e controle das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) e de outras enfermidades.

No Brasil, as DCNT correspondem a um grande percentual das causas de mortes, atingindo as camadas mais pobres e os grupos mais vulneráveis. Como determinantes sociais destas doenças, são apontadas as desigualdades sociais, diferenças relacionadas ao acesso dos bens e serviços, baixa escolaridade, desigualdades no acesso à informação, além de fatores de risco modificáveis, como tabagismo, consumo de bebida alcoólica, inatividade física e alimentação inadequada.

A PNAISH tem buscado elaborar e executar um amplo projeto que fortaleça e dissemine preceitos e diretrizes, evidenciando os fatores de risco e proteção e a influência das questões de gênero no adoecimento de homens por doenças crônicas. A política leva em conta questões do próprio comportamento masculino. Estratégias que ajudam as mulheres também podem se transformar numa oportunidade de levar os homens à prevenção de uma série de problemas.

Pré-natal do parceiro

Tradicionalmente um exame realizado por mulheres durante a gestação, o pré-natal é fundamental para o acompanhamento da saúde da mãe e do bebê. Durante o período onde as consultas são frequentes, o profissional consegue verificar de forma geral o quadro de saúde da paciente, diagnosticar precocemente e até mesmo tratar problemas que ameacem mãe e filho, ainda na fase gestacional.

Essa relação de cuidado e acompanhamento da saúde foi o que motivou estender o pré-natal aos parceiros e futuros pais. A coordenadora da Saúde do Homem, da secretaria de Estado da Saúde, Sandra Barreto, diz que “a estratégia é a porta de entrada para os homens iniciarem uma rotina de cuidados com a saúde e o bem-estar”. Por meio do pré-natal, é possível solicitar aos parceiros os mesmos exames que a mulher realiza durante a gravidez.

Entre os procedimentos mais importantes estão o controle da pressão arterial, dos níveis de açúcar e gordura no sangue e os exames que detectam, por exemplo, doenças sexualmente transmissíveis que podem ser passadas também ao feto. O pré-natal do parceiro já pode ser realizado em todas as unidades de saúde do estado.

(Fonte: Secretaria de Estado da Saúde – SES/SC)

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