O que é e quais os sintomas da aracnoidite, doença rara que matou a atriz Mabel Calzolari

Suspeita é de que o problema de saúde tenha sido provocado pela anestesia raquidiana que ela recebeu durante o parto cesariana do filho, em 2019

A atriz Mabel Calzolari morreu nesta terça-feira (22), aos 21 anos, após lutar contra a aracnoidite torácica, doença rara que provoca uma inflamação da medula óssea. Apesar de haver diversas causas para a doença, a suspeita é de que tenha sido provocada pela anestesia raquidiana que a atriz recebeu durante o parto do filho, em 2019.

Para entender um pouco mais sobre a doença, o ND+ esclareceu o que é a aracnoidite torácica, quais os sintomas e como funciona o tratamento.

Mabel CalzolariAtriz Mabel Calzolari morreu neste terça-feira (22) em decorrência de aracnoidite torácica – Foto: Instagram/Divulgação/ND

O que é a aracnoidite torácica

A aracnoidite torácica é a inflamação de uma membrana muito fina que envolve todo o sistema nervoso central, chamado aracnoide. A função dessa membrana é justamente isolar o sistema nervoso do sangue e de outros fluidos e partes do corpo humano para que ele se mantenha preservado o máximo possível.

A aracnoidite pode ocorrer no tórax, isto é, na coluna torácica, na coluna cervical [pescoço], na coluna lombar e no crânio, em torno do cérebro, ou seja, por toda a extensão do sistema nervoso central ou medula revertida pela membrana aracnoide.

A inflamação. que é de difícil tratamento, que acometeu Mabel estava localizada no tórax.

“A Aracnoidite é muito rara. Não é uma complicação frequente e nem esperada. Normalmente não acontece aracnoidite quando se faz uma cesariana”, explica Marcelo Valadares, médico neurocirurgião da disciplina de neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e do Hospital Albert Einstein, em entrevista ao portal UOL.

Segundo o especialista, esta é uma reação anormal do organismo a um elemento estranho que não deveria estar neste espaço da membrana aracnoide, que produz cicatrizes e inflamações. “Essas cicatrizes podem obstruir a circulação sanguínea, comprimir a medula, os nervos, causar sensação de fraqueza e até paralisias”, afirma Valadares.

A neurologista Thaís Augusta Martins, coordenadora da Neurologia do Hospital Santa Lúcia, explicou em entrevista para o portal Metrópoles, que a anestesia oferece um risco pequeno. “A anestesia oferece um risco muito pequeno e os casos de aracnoidite torácica são raríssimos. Mas Mabel pode, sim, ter tido uma reação inflamatória ao anestésico administrado”, explica a médica.

Sintomas

A doença provoca a formação de cistos na medula espinhal e o principal sintoma é a dor, que pode ser no local da inflamação, ou atingir nádegas, pernas, pés, entre outras partes do corpo.

Isso ocorre porque existe um processo inflamatório que, eventualmente, atinge a área nervosa, responsável pela sensibilidade e força, além de outras estruturas. Muito raramente, quando há o acometimento da região do crânio, a inflamação também pode provocar cefaleia, sonolência e alteração mental.

A aracnoidite torácica pode causar paraplegia, pois a medula torácica é responsável por sustentar as pernas. Mas se estiver localizada na cervical, que dá força aos braços e pernas, o paciente pode ficar tetraplégico.

A atriz chegou a relatar uma dor nas costas tão forte que se comparava a dor do parto. “Era insuportável. Como se estivesse parindo pelas costas. Fiquei com essa dor uma semana, com dificuldade para respirar, doía muito. Quando deitava dava um aliviada, então ficava mais deitada”, afirmou a atriz à revista Quem, em janeiro do ano passado.

Tratamento

Segundo Monique Curi, amiga de Mabel, a atriz passou por nove cirurgias na coluna para controlar a doença, o que teria provocado sérias consequências no funcionamento de seu sistema nervoso e convulsões.

“Os neurocirurgiões foram muito sinceros comigo. Meu caso foi mandado para os EUA. Sou o segundo caso de aracnoidite pós-raque no Brasil. Eles disseram que eu teria que fazer uma cirurgia. A preocupação era que eu ficasse paraplégica ou tetraplégica porque a medula é muito sensível”, disse à época.

Segundo Marcelo, os pacientes que apresentam pioram em decorrência da perda de força, precisam de cirurgia para tentar controlar os efeitos da doença. “Cirurgiões tentam retirar essas cicatrizes que vão se formando e comprimindo, mas a maior parte dos pacientes não precisa fazer cirurgias”, enfatiza o especialista.

Como tratamento, os pacientes que têm aracnoidite recebem medicamentos para aliviar a dor e controlar a inflamação. Já os que desenvolveram a doença, mas conseguiram controlá-la e seguem apenas com dor crônica, podem, além de medicação, receber estimulação modular.

“Alguns pacientes podem até parar de tomar a medicação, mas isso é caso a caso. Alguns ficam bem e a inflamação melhora, outros usam medicamentos de uso contínuo para sempre”, diz Valadares.

*Com informações do Portal UOl e do Metrópoles.

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