O que se sabe sobre a Lambda, variante da Covid-19 que vitimou jovem no RS

Também chamada de variante peruana ou C37, cepa entrou em lista de atenção da OMS nesta semana

No mesmo dia que a OMS (Organização Mundial da Saúde) classifica na categoria de “interesse” a variante C37, (chamada de andina, peruana ou Lambda), o Brasil registra na segunda-feira (14) a primeira morte relacionada à cepa. É o terceiro caso no Brasil.

Os exames confirmaram o vírus em um caminhoneiro, de 23 anos, morto em maio no Rio Grande de Sul. Apesar de idade, ele tinha comorbidades. Este fator dificulta atrelar sua morte diretamente ao efeito da cepa, segundo a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul.

O que se sabe sobre a Lambda, variante da Covid-19 que vitimou jovem no RSVariante, já sequenciada três vezes no Brasil, entrou na lista de “variantes de interesse” da OMS, que reúne outras seis cepas – Foto: Arquivo/National Institutes of Health/Divulgação/ND

Como “variante de interesse”, ou VOI, a OMS classifica todas as variantes que provocam transmissão comunitária da Covid-19 ou foram detectadas em múltiplos países. Ainda não estão classificadas no grupo mais grave da OMS, onde estão as “variantes de atenção”.

Estão últimas estão comprovadamente associadas a maior circulação e aumento de casos, além da maior gravidade das infecções. Somente quatro cepas estão neste grupo – as cepas da Inglaterra (alfa), África do Sul (beta), brasileira (Gamma) e indiana (Delta).

Apesar de ainda contar com poucos dados, a variante peruana preocupa principalmente pela incidência na América do Sul. A maior parte dos registros ocorreu em países andinos.

Variante dos Andes

A C37 foi identificada pela primeira vez em agosto de 2020, no Peru. Até dia 15 de junho, a cepa fora sequenciadas 1730 vezes em 29 países, distribuídos em quatro continentes, segundo dados do GISAID, que mapeia os registros de cepa no mundo.

Desde abril de 2021, 81% dos casos de Covid-19 sequenciados no Peru estavam atrelados à variante Lambda. Chile, Equador e Argentina também registram aumentos nos casos. Entre abril e maio, 37% dos casos de Covid-19 registrados na Argentina eram da cepa.

No Brasil, até então, foram registrados três casos. Fora a vítima fatal no Rio Grande do Sul, duas infecções atreladas à cepa peruana foram confirmadas em São Paulo.

Suspeito de maior gravidade

“Lambda carrega mutações com possíveis implicações, como o potencial maior de transmissibilidade e resistência aos anticorpos neutralizantes”, registra a OMS. “Entretanto, ainda não há estudos robustos, necessários para entender os impactos e as medidas necessárias para controle”.

Neste mesmo comunicado, publicado na terça-feira (15), o órgão destacou que também são necessárias pesquisas que apontem se as vacinas utilizadas atualmente são eficazes contra essa variante.

Até então não foi registrada a presença da cepa em Santa Catarina. Seis laboratórios, todos fora do Estado, monitoram a ocorrência de variantes, por meio de amostras selecionadas, principalmente em vítimas fatais e pacientes com SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave).

Variantes da Covid-19, classificadas pela OMS

VOCs – Variante de atenção/preocupação

  • Alpha (Reino Unido) – primeiros casos documentados em setembro de 2020, classificada em 18 de dezembro
  • Beta (África do Sul) – primeiros casos documentados em maio de 2020, classificada em 18 de dezembro
  • Gamma (Brazil) – primeiros casos documentados em novembro de 2020, classificada em 11 de janeiro de 2021
  • Delta (Índia) – primeiros casos documentados em outubro de 2020, classificada em 11 de maio de 2021

VOCs – Variante de atenção/preocupação

  • Epilson (EUA) – primeiros casos documentados em março de 2020, classificada em 21 de maio de 2021
  • Zeta (Brasil) – primeiros casos documentados em abril de 2020, classificada em 17 de março de 2021
  • Eta (Vários países) -primeiros casos documentados em dezembro de 2020, classificada em 17 de março
  • Teta (Filipinas) – primeiros casos documentados em janeiro de 2021, classificada em 24 de março de 2021
  • Iota – primeiros casos documentados em setembro de 2020, classificada em 18 de dezembro
  • Kappa (EUA) – primeiros casos documentados em novembro de 2020, classificada em 24 de março
  • Lambda – primeiros casos documentados em agosto de 2020, classificada em 14 de junho de 2021
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