SC tem a menor ocupação de leitos de UTI Covid-19 em 10 meses, afirma Fiocruz; veja taxa

É o melhor nível para o indicador desde outubro de 2020; número faz com que o Estado esteja fora da zona de alerta

Santa Catarina registra a menor ocupação de leitos de UTI Covid-19 em 10 meses e, pela primeira vez desde outubro de 2020, nenhum Estado brasileiro está com mais de 80% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados no SUS (Sistema Único de Saúde). As informações foram divulgadas na quarta-feira (11) pelo Boletim Observatório Covid-19, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Ocupação de leitos de UTI Covid-19 não passa de 80% em SC e demais estados do país – Foto: Hélia Scheppa/SEI/Reprodução/NDOcupação de leitos de UTI Covid-19 não passa de 80% em SC e demais estados do país – Foto: Hélia Scheppa/SEI/Reprodução/ND

Neste sábado (14), a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 oferecidos pelo SUS em Santa Catarina é de 52,4%, conforme o painel do governo do Estado.

O número faz com que SC esteja fora da zona de alerta, que considera taxas inferiores a 60%. Florianópolis também se encontra fora da zona de alerta, com taxa de 31%.

Segundo os pesquisadores da Fiocruz responsáveis pelo estudo, o país vive o melhor momento para a ocupação de leitos desde que o indicador passou a ser monitorado pelo boletim, em julho do ano passado.

Efeito da vacinação

Na análise desta semana, os pesquisadores destacam que a vacinação tem feito grande diferença para a redução dos casos graves da doença e pedem que o acesso aos imunizantes seja ampliado e acelerado.

“Merece destaque a observação de que o cenário de melhora das taxas de ocupação de leitos de UTI para adultos no SUS já convive, sem prejuízos, com a redução significativa de leitos destinados à Covid-19 em muitos estados e no Distrito Federal”, aponta a pesquisa.

Conforme o estudo, o gerenciamento desse processo, ainda que exija monitoramento cuidadoso da pandemia, “é desejável frente aos desafios postos para o sistema de saúde pelo represamento de demandas por diferentes condições de saúde no decorrer da pandemia”.

Zona de alerta

Quando mais de 80% das vagas de UTI estão ocupadas, o boletim diz que a assistência aos casos graves de Covid-19 está na zona de alerta crítico.

O Brasil chegou a ter 25 unidades federativas nessa situação simultaneamente, em 15 de março, quando a pandemia estava no pior momento no país.

No boletim divulgado na quarta, com dados reunidos na segunda-feira (9), 21 estados e o Distrito Federal estão fora da zona de alerta, com taxas de ocupação para Covid-19 inferiores a 60%.

Já na zona de alerta intermediário, com entre 60% e 80% de ocupação, estão Goiás (78%), Mato Grosso (79%), Rio de Janeiro (67%), Rondônia (64%) e Roraima (70%).

No caso dos dois estados da Região Norte, que antes estavam fora da zona de alerta, a Fiocruz avalia que a elevação da taxa se deve à redução de leitos de UTI covid-19 para adultos no SUS, “provavelmente em um processo de gerenciamento de leitos frente à queda na demanda, e não ao aumento de leitos ocupados”.

Entre as capitais, Goiânia (92%) e Rio de Janeiro (97%) estão com taxas de ocupação na zona de alerta crítico, situação que se mantém há semanas.

Por outro lado, 19 capitais estão fora da zona de alerta: Rio Branco (12%), Manaus (54%), Belém (44%), Macapá (29%), Palmas (53%), Teresina (39%), Fortaleza (53%), Natal (34%), João Pessoa (19%), Recife (39%), Maceió (25%), Aracaju (43%), Salvador (38%), Belo Horizonte (57%), Vitória (36%), São Paulo (43%), Florianópolis (31%), Porto Alegre (59%) e Brasília (59%). As demais estão na zona de alerta intermediário.

Variantes

A circulação de novas variantes do vírus, observam os pesquisadores, tem aumentado as infecções, mas não necessariamente o número de casos graves. Isso acontece devido à proteção já adquirida por grupos populacionais mais vulneráveis vacinados, como os idosos e portadores de doenças crônicas.

Apesar dessa observação, os cientistas alertam que, por mais que as vacinas contribuam para a redução de casos graves, internações e óbitos, a possibilidade de surgimento e espalhamento de novas variantes de preocupação exige esforço para manter os serviços de vigilância em saúde em alerta, com amplo uso de testes, detecção de casos, isolamento e quarentena.

“Aqueles que já se vacinaram estão mais protegidos do risco de evolução para casos mais graves do que as pessoas não vacinadas. Mas é importante destacar sempre que nenhuma vacina é 100% eficaz, de modo que pessoas vacinadas podem se infectar — ainda que em menor proporção do que os não vacinados — e também transmitir o vírus”.

Alerta

A nova edição do Boletim traz o alerta de que é fundamental ampliar vacinação, combinando com vigilância em saúde, amplo uso de máscaras e medidas de distanciamento físico e social.

Reforça, ainda, a importância do esquema vacinal completo como a melhor proteção que se dispõe para a proteção em relação aos casos graves e óbitos por Covid-19, incluindo os relacionados à variante Delta.

“Ampliar a vacinação completa para todos os elegíveis torna-se fundamental neste momento, incluindo campanhas e busca ativa para os que ainda não tomaram a segunda dose das vacinas que envolvem duas doses, como a Coronavac, a  AstraZeneca e a Pfizer”, destacam os pesquisadores.

+

Saúde

Loading...