Ocupação de leitos de UTI volta a subir e chega a 90% em Florianópolis

Hospitais da Capital têm 90% dos leitos ocupados e poucas vagas para novas internações; UTIs de hospitais infantis também estão lotadas

Segundo dados do Covidômetro, plataforma de dados sobre a Covid-19 em Florianópolis, nesta segunda-feira (6), 90% dos leitos de UTI da Capital estão ocupados. São, ainda segundo os dados, 214 leitos no total, sendo que 150 recebem pacientes e 43 estão indisponíveis.

Hospitais da Capital tem 90% dos leitos de UTI ocupados – Foto: Pixabay

Os leitos estão distribuídos em oito hospitais públicos que ficam na Capital e mais três unidades particulares. Referência no tratamento da Covid-19 na Grande Florianópolis, o Hospital Florianópolis tem hoje 30 leitos de UTI, 20 deles ativados para o enfrentamento a pandemia.

A situação mais crítica é no Hospital Florianópolis onde 93% dos leitos de UTI estão ocupados, com apenas dois leitos disponíveis para novos pacientes.

O cenário de quase lotação se repete no hospital Governador Celso Ramos, com 89%. O Hospital Universitário é o que mais tem leitos de UTI ativos. São 42 no total, sendo que, dez deles são destinados exclusivamente para pacientes com a Covid-19.

Na última segunda-feira (29), o hospital chegou a ficar com todos os leitos para doentes com o novo coronavírus ocupados. Na unidade foram criados 18 novos leitos de UTI para o enfrentamento da doença.

Grande Florianópolis tem 75% dos leitos de UTI ocupados

Segundo dados da SES (Secretaria de Estado da Saúde), a taxa de ocupação de leitos de UTI na Grande Florianópolis é de 75%. Dos 237 leitos, 178 estão ocupados, com apenas 59 disponíveis para novas internações.

Os dados da SES incluem a disponibilidade de leitos e ocupação em outros dois hospitais: Regional de São José e o Instituto de Cardiologia.
A situação mais tranquila em relação à ocupação da UTI é encontrada no Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas), com seis leitos disponíveis de 10.

Irene Ida de Souza, 87 anos, morreu no dia 30 de abril no Cepon. Ela havia sido diagnosticada com câncer de mama há três meses e estava fazendo exames para o tratamento. Seu filho, Marcos de Souza, relatou que a mãe havia saído de casa apenas para fazer consultas médicas no local.

Sem novos leitos de UTI infantil e neonatal

Voltadas para o tratamento infantil, o Hospital Infantil Joana de Gusmão e a Maternidade Carmela Dutra apresentam situações distintas. Nesta segunda, a Maternidade Carmela Dutra estava com 90% dos leitos ocupados, com apenas uma vaga na UTI, enquanto no Hospital Infantil, 69% dos leitos de UTI recebem pacientes e restam oito vagas para novas internações.

Hospital Infantil Joana de Gusmão não recebeu leitos de UTI para tratamento da Covid-19  – Foto: Google Street View/Divulgação/ND

Entre os 808 casos ativos de Covid-19 em Florianópolis, 30 deles são de crianças com idades entre 0 e 9 anos. Já a faixa etária de 10 aos 19 tem 40 infectados. Segundo dados da prefeitura, apenas uma criança está internada com Covid-19 em Florianópolis.

Estado ativa novos leitos de UTI

A SES habilitou 233 leitos de retaguarda para internações clínicas não relacionadas à Covid-19, e outros 112 leitos de UTI Adulto e Pediátrico para casos de coronavírus. Estes leitos são 100% regulados pela Secretaria de Estado da Saúde.

Os recursos são provenientes do Ministério da Saúde, no Bloco de Manutenção das Ações e Serviços Públicos de Saúde – Grupo Coronavírus (COVID-19), e serão disponibilizados ao Estado e municípios, em parcelas únicas, respectivamente, nos montantes de R$ 4.194.000,00 e R$ 16.128.000,00.

Em Florianópolis, o Hospital Nereu Ramos receberá novos leitos de UTI exclusivos para a Covid-19. A unidade tem hoje 13 leitos de UTI ativos, quatro deles criados para pacientes infectados pelo vírus.

Os ventiladores integram o último lote dos 500 respiradores adquiridos pelo Governo do Estado junto à empresa WEG, de Jaraguá do Sul.

Apoio a tratamento precoce

Um documento assinado por 300 médicos e entregue ao secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, pediu a adoção do tratamento precoce ambulatorial para pacientes da Covid-19.

O documento também foi dirigido ao governador Carlos Moisés da Silva (PSL) e aos prefeitos de Santa Catarina. Segundo a carta, os médicos catarinenses apoiam tratamento precoce por “estarem convencidos das evidências”.

Preocupados com a rápida evolução da infecção e da necessidade de internação hospitalar, os médicos salientaram que os hospitais privados já estão trabalhando no limite de suas capacidades e que a situação vai piorar, pois existem pacientes acometidos de outras doenças que também necessitam de internação hospitalar.

A carta ainda ressalta que além da lotação dos hospitais públicos e privados, há a possibilidade de faltar medicações necessárias para manter o paciente em ventilação mecânica, como sedativos e relaxantes musculares.

O presidente da ACM, Ademar José de Oliveira Paes Júnior, destaca que essa é outra situação que exige atenção do governo do Estado, pois a investigação sobre a dispensa de licitação para aquisição de 200 respiradores pulmonares que não foram entregues tem provocado reflexos “burocráticos” nos processos de compra da SES.

Acompanhando diariamente a situação dos hospitais, Paes Júnior também destaca que a entidade tem atuado para compartilhar experiências e melhores práticas no sentido de ampliação de leitos, e na segurança dos médicos e das equipes multidisciplinares que atuam nos hospitais.

“É que muitos médicos trabalham em duas ou mais instituições e se houver uma contaminação, perdemos um profissional em dois ou mais locais”, ressalta.

Confira a quantidade de leitos por unidade

Foto: Arte/ND

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