Os antigos hábitos que estão voltando com o isolamento da pandemia

Quarentena e distanciamento social mudam a rotina, obrigando as pessoas a buscarem outras formas de diversão

Após três meses de isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus no Brasil, as pessoas começaram a buscar outras formas de se divertir. Sem poder ir ao shopping, cinema, restaurantes e shows musicais, a saída foi apelar para velhos hábitos.

Cinema drive in recria a nostalgia do passado com tecnologia atual – Foto: Caio Graça/DivulgaçãoCinema drive in recria a nostalgia do passado com tecnologia atual – Foto: Caio Graça/Divulgação

Um deles, criado nos anos 1930 nos Estados Unidos, desponta como opção em várias capitais do Brasil: o cinema drive in. Inaugurado na última terça-feira (9), em Florianópolis, o cineminha no carro teve lugar no espaço Drive Park, dentro do Music Park em Jurerê Internacional.

A  estreia começou com um grupo de convidados, mas já no dia seguinte abriu para o público em geral, com o clássico “De volta para o futuro”, alcançando mais de 60% de ocupação do estacionamento.

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De acordo com o diretor do Grupo All, Doreni Caramori Junior, que levou a ideia adiante, muitos jovens foram assistir o filme pela primeira vez e outros foram revisitar o grande sucesso lançado em 1985 no Brasil. “É uma iniciativa retrô, mas ao mesmo tempo bastante tecnológica e futurista, com telão de alta definição”, afirma Caramori Junior.

O funcionamento é simples: a pessoa assiste de dentro do carro e controla o volume do áudio por frequência de rádio no veículo. Os atendentes obedecem os protocolos de segurança e a compra de alimentos e bebidas é feita via aplicativo por celular, com entrega por delivery.

Ingressos são adquiridos antecipadamente, também online, com preços que variam entre R$ 28 a mais de R$ 200 dependendo da posição da vaga de estacionamento. Há várias sessões, para todos os públicos, até mesmo o infantil.

Para os mais velhos, é uma boa oportunidade de relembrar o passado, enquanto os mais jovens podem curtir a ‘novidade’ sem abandonar o distanciamento social. “Acho que é um hábito antigo que deve prosperar agora e na saída da pandemia, com algum tipo de permanência depois, porém em menor escala. Quando as formas tradicionais de entretenimento voltarem, as pessoas devem migrar”.

De volta ao passado

Confira outros hábitos que voltaram com a pandemia:

– Horta doméstica: para evitar deslocamentos mantendo o consumo de alimentos saudáveis, as pequenas hortas caseiras ressurgiram com força total. Seja no quintal ou em varandas dos apartamentos, sempre é possível plantar hortaliças e temperos, para ter tudo fresquinho e à mão quando for cozinhar.

A experiência de ter uma hora em casa pode envolver as crianças com experiência olfativa, sensorial e gustativa – Foto: Marco Santiago/Arquivo/NDA experiência de ter uma hora em casa pode envolver as crianças com experiência olfativa, sensorial e gustativa – Foto: Marco Santiago/Arquivo/ND

– Cozinhar em casa: a prática do home office e a diminuição do deslocamento para o trabalho e escolas fez muita gente voltar a cozinhar em casa e reunir o núcleo familiar durante as refeições. Cozinhar junto com as crianças, descobrir novas receitas, voltar a fazer pão e fazer um piquenique no jardim ajudam a tornar a quarentena mais leve. Além disso, atividades escolares e tarefas domésticas rotineiras também são divididas entre a família.

– Jogos de tabuleiro: embora sua produção nunca tenha encerrado, os jogos digitais acabaram colocando as opções de tabuleiro para o escanteio. Agora, eles voltam com força total, ajudando a passar o tempo e garantindo a diversão em família.

Banco Imobiliário: jogos de tabuleiro voltam à cena na pandemia – Foto: Rádio Plural/NDBanco Imobiliário: jogos de tabuleiro voltam à cena na pandemia – Foto: Rádio Plural/ND

– DVDs: outro suporte que tinha sido colocado de lado, os DVDs estão sendo ‘ressuscitados’ para assistir velhos clássicos, grandes sucessos dos últimos tempos ou até lançamentos, como o vencedor do Oscar deste ano, “Parasita”, lançado no mês de maio. Essa opção agrada principalmente os fãs de determinados filmes e colecionadores de DVDs, mas não deve representar um retorno ao negócio das locadoras.

– Cuidados de beleza: salões de beleza também fecharam as portas por um longo período e cuidados corriqueiros como a depilação tiveram de ser feitos em casas. Muito usada no passado, a depilação com lâmina é melhor para quem não tem pelos muitos grossos e deve ser feita com o uso de um creme para melhor deslizamento. Outra opção são os cremes depilatórios que podem ser encontrados em farmácias; e os pelos das sobrancelhas podem ser retirados com pinça. Tutoriais no Youtube ajudam quem quiser cortar os cabelos em casa, mas avalie se vale o risco.

– Consumo local – a necessidade de isolamento permitiu consumir mais dos pequenos negócios, especialmente dentro do bairro de moradia. Assim, aquele mercadinho, farmácia, feira ou padaria se tornaram opções mais práticas, além de ajudar os pequenos comerciantes locais.

– Tirar o livro da estante – a desaceleração permite redescobrir o velho hábito da leitura e os livros físicos também estão voltando a ser lidos.

– Uso da bicicleta e caminhadas – com restrição de saídas, as pessoas voltaram a andar mais a pé e de bicicleta, o que é bom para a saúde e o meio ambiente.

– Banho nos pets: o fechamento temporário das pet shops deixou muitos donos de animais sem a opção de delegar o serviço. Não há mistério. Comece colocando uma bola de algodão nas orelhas para proteger os ouvidos do bichinho, use xampus veterinários com pH neutro e água morna. Ensaboe bem, cuidando para não atingir os olhos. Enxágue, seque com toalha limpa e finalize com secador na temperatura morna. Se o animal tiver pelo longo, pode escovar os pelos.

Uma experiência individual

Para a psicóloga Telma Lenzi, a experiência da pandemia e do isolamento social é muito individual. “É um tempo de se olhar, perceber as relações, pois as pessoas estão mais próximas o tempo todo em casa. Tem gente que sofre, enquanto outros gostam dessa experiência”, diz.

“Alguns se dão conta de como é bom estar com a família, mas em outros casos onde a relação já não era boa, complica. Prova disso é o aumento da violência doméstica”, avalia.

Assim, a quarentena é um período em que fica evidente a habilidade de conviver com o outro e esse é o hábito antigo que volta com mais força na opinião da psicóloga. “Dividir o mesmo espaço exige sintonia, respeito. As pessoas não ficavam mais juntas, não conversavam mais. É uma desaceleração total das relações”, afirma Lenzi.

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