Rodrigo Constantino

Ele se define como "um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda politicamente correta".


Os isolacionistas devem explicações ao Brasil

A patota segue com sua contagem mórbida de cadáveres, tentando culpar o presidente, mas o povo fora da bolha já percebeu o truque, e quer explicações desses isolacionistas radicais

Tudo nessa pandemia foi muito politizado desde o começo. Quando alguns passaram a pregar um lockdown radical, no início para “achatar a curva e ganhar tempo”, a fim de impedir o colapso do sistema de saúde, mas depois quase de forma permanente como uma espécie de “cura” para a doença, quem quer que ousasse questionar o método era imediatamente rotulado de insensível ou mesmo genocida.

Região central de Florianópolis vazia por causa do isolamento social – Foto: Anderson Coelho/NDRegião central de Florianópolis vazia por causa do isolamento social – Foto: Anderson Coelho/ND

O leitor há de lembrar políticos, como o presidente da Câmara e o governador de SP, repetindo a ladainha de que era hora de pensar só na saúde, deixando a economia para depois – como se economia não fosse também vida. Além disso, repetiam que tudo que faziam era em nome da “ciência, ciência, ciência”, acusando, direta ou indiretamente, o presidente Bolsonaro de ser irresponsável e obscurantista.

Chegaram a politizar um remédio! A hidroxicloroquina, por ser uma aposta de vários médicos endossada por Trump e Bolsonaro, passou a ser atacada pela patota da quarentena gourmet, a turma da hashtag “fiquem em casa”. Não havia testes robustos científicos, alegavam, ignorando que estamos no meio de uma pandemia e que todos os protocolos foram relaxados, enquanto o remédio em questão, barato, está na praça há décadas, é tomado de forma preventiva por quem vai para região de malária, tem baixos riscos e uma grande emissora recomendava até para mulheres grávidas durante a zika.

Em suma, houve um pessoal que transformou qualquer debate sério sobre a pandemia numa disputa maniqueísta e infantil entre o Bem e o Mal, a Ciência e os místicos, colocando-se do lado certo e atacando os demais, de olho no desgaste de Bolsonaro, que é patologicamente odiado pela esquerda.

O resultado? Bem, Bolsonaro está com sua popularidade em alta, e eles tentam reduzir tudo ao “populismo” no Nordeste. Por outro lado, a China recomendou a cloroquina, a OMS não condenou um evento de enorme aglomeração em Wuhan, onde tudo começou, e disse que todos devem aprender a conviver com o vírus, e a taxa de contágio começou finalmente a cair, concomitantemente ao abandono do isolamento!

Não há vacina ainda, e o Brasil está no inverno – bem rigoroso, aliás. Não obstante, a disseminação da virose parece finalmente ceder. Como assim? Então a Seita da Terra Parada estava exagerando, afinal? Até o Globo, que espalhou pânico, fez uma reportagem com uma especialista, que concluiu: “Nesses lugares, o distanciamento social foi limitado ou baixo, não houve rastreamento de contatos. Ainda assim, o número de novos casos caiu e isso é sugestivo de imunidade coletiva”. A tal “imunidade de rebanho”, em que a Suécia apostou suas fichas.

A patota segue com sua contagem mórbida de cadáveres, tentando culpar o presidente. Mas o povo fora da bolha já percebeu o truque, e quer explicações desses isolacionistas radicais.