Paciente é levado com oxigênio em caminhonete ao HRO: “Foi para salvar ele”, diz esposa

O morador Chapecó, Altair Gonçalves Pereira, de 41 anos, testou positivo para Covid-19 e foi levado no veículo da irmã devido a falta de ambulância

O colapso no sistema de saúde no Oeste de Santa Catarina tem protagonizado cenas chocantes. Em Chapecó, um homem com coronavírus precisou ser levado ao hospital na carroceria de uma caminhonete devido à falta de ambulância para socorrer o paciente.

Um vídeo gravado na noite de segunda-feira (22) mostra o cabeleireiro Altair Gonçalves Pereira, de 41 anos, e a esposa, Lucia Vieira, de 48 anos, sentados na caçamba do veículo. Junto com eles, um cilindro de oxigênio que ajudava Altair a respirar. (Assista abaixo)

A cena foi flagrada no bairro Palmital, enquanto o casal se deslocava da linha Campinas, próximo ao porto do Goi Ên, onde mora, até o Pronto Socorro do HRO (Hospital Regional do Oeste), localizado no bairro Esplanada em Chapecó. O trajeto foi de pouco mais de 17 km e o socorro só foi possível porque a irmã de Altair emprestou a caminhonete para levá-lo até o hospital.

“A gente não esperava que ia passar por isso, de não conseguir se quer uma ambulância para levar ele. Tem muita gente dizendo que fizemos isso para se aparecer, mas foi para salvar ele”, disse a esposa.

Sintomas já vinham há 15 dias

O cabeleireiro estava com sintomas da doença já fazia cerca de 15 dias. Por duas vezes se deslocou até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), a última vez foi na quinta-feira (18) a noite, onde permaneceu até às 5h da manhã da sexta-feira (19). “Eles medicavam e mandavam para casa”, conta Lucia.

Altair Gonçalves Pereira, de 41 anos, teve o resultado para Covid-19 na última segunda-feira (22), após 15 dias de sintomas. – Foto: Arquivo Pessoal/NDAltair Gonçalves Pereira, de 41 anos, teve o resultado para Covid-19 na última segunda-feira (22), após 15 dias de sintomas. – Foto: Arquivo Pessoal/ND

No sábado (20) Altair passou mal e a família se obrigou a comprar o cilindro de oxigênio para mantê-lo vivo. “Tivemos que comprar porque até mesmo para tomar banho ele passava mal. Pagamos 750 reais o cilindro, mas compramos para salvar ele”, explica a esposa.

Resultado chegou na segunda-feira

No entanto, apenas na última segunda-feira recebeu o resultado positivo do exame para coronavírus. Apesar disso, a falta de ar já era constante, assim como a necessidade do oxigênio. Ao saber do resultado, Altair e a esposa foram até a unidade de saúde do porto Goio Ên, onde foram orientados a se deslocar ao HRO.

Porém, as notícias não foram animadoras e além da falta de ambulância, a família foi informada que no hospital não havia leito disponível. Após ser levado de caminhonete ao HRO, na segunda-feira a noite, Altair ficou internado na enfermaria.

Na família, apenas Altair testou positivo. – Foto: Arquivo Pessoal/NDNa família, apenas Altair testou positivo. – Foto: Arquivo Pessoal/ND

As notícias são repassadas diariamente. “Falei com ele por vídeo chamada, ele me disse que está melhorando, mas o pulmão dele está bastante prejudicado”.

A esposa fez o teste e deu negativo, mas a preocupação com o vírus é constante. “Para quem ainda duvida eu digo que acreditem. Só quem passa para ver a situação. Isso é uma peste, derruba mesmo a pessoa”, afirma.

Família decidiu se deslocar por conta própria

Segundo informações da coordenação da Unidade Básica de Saúde localizado no porto Goio Ên, Altair foi atendido na tarde da última segunda-feira. Após avaliação médica, o paciente manteve-se em observação na unidade, em uso de oxigênio, para aguardar transferência para outro serviço.

A unidade informou que durante as tentativas de transferência via ambulância do SAMU, naquele momento, enquanto se buscava uma vaga para Altair, familiar e paciente decidiram ir por conta própria em carro particular para o HRO.

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Saúde