Países apostam na mistura de duas vacinas da Covid-19 para destravar vacinação; entenda

Nesta segunda (21), o Chile começou a vacinar pessoas que receberam a 1ª dose da Astrazeneca com 2ª dose da Pfizer; estudos apontam eficácia

Alguns países estão apostando na aplicação de doses de vacinas contra a Covid-19 de laboratórios diferentes em uma mesma pessoa. A ideia é adotar essa mistura como estratégia para destravar e dar mais elasticidade à vacinação.

Países apostam na mistura de duas vacinas da Covid-19 para destravar vacinação – Foto: Rodrigo Nunes/MS/Divulgação/NDPaíses apostam na mistura de duas vacinas da Covid-19 para destravar vacinação – Foto: Rodrigo Nunes/MS/Divulgação/ND

É o caso do Chile que, nesta segunda-feira (21), começou a vacinar homens com menos de 45 anos que receberam a primeira dose da vacina Oxford/Astrazeneca com uma segunda dose da Pfizer/BioNTech.

A aplicação da Astrazeneca para este grupo especificamente estava paralisada desde o início do mês, após a notificação de um caso de trombose e trombocitopenia em um jovem de 31 anos.

No dia 1º de junho, o Canadá também deu luz verde à possibilidade de trocar a fabricante da vacina entre a primeira e a segunda dose.

Pessoas que receberam a primeira dose de Astrazeneca podem receber a segunda dose de Astrazeneca ou uma de outra vacina de RNA mensageiro, como da Pfizer-BioNTech ou Moderna, anunciou o CCNI (Comitê Consultivo Nacional de Imunização).

A estratégia de combinar vacinas vem sendo utilizada, ainda, em países europeus, como França, Alemanha, Espanha, Suécia, Dinamarca e Noruega.

Autoridades sanitárias francesas e alemãs, por exemplo, têm recomendado que os cidadãos com menos de 55 e 60 anos, vacinados com a Oxford/Astrazeneca, continuem o seu processo com um imunizante diferente. A preferência é pela vacina da Pfizer ou da Moderna.

A França suspendeu a administração da vacina Astrazeneca no dia 19 de março, pois também detectou casos de trombose, assim como no Chile.

O que dizem as pesquisas

A ideia de criar um coquetel de vacinas não é aleatória, pois já foi testada contra o HIV, a tuberculose e o ebola, com resultados muito promissores. Também há doenças, como a meningite, para as quais as imunizações previstas na pauta costumam ser de diferentes tipos.

Quanto ao coronavírus, o infectologista e pediatra da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, Juan Pablo Torres, afirmou que resultados preliminares de estudos realizados no Reino Unido e na Espanha mostraram que é eficaz a administração de uma segunda dose com vacinas de RNA mensageiro, como é o caso da Pfizer/BioNTech, em pessoas que receberam a primeira dose da Oxford/AstraZeneca.

No dia 9 de junho, a revista Science noticiou que pesquisas recentes também concluíram que essa combinação dos dois imunizantes produz fortes respostas imunes, medidas pela análise de amostras de sangue coletadas.

Segundo o artigo, dois desses estudos sugerem que a resposta dessa mistura protege tanto quanto se uma pessoa tivesse se vacinado com duas doses da Pfizer/BioNTech.

Mais pessoas vacinadas em menos tempo

A Universidade de Oxford, criadora da vacina da Astrazeneca, é a que mais aposta na mistura de vacinas diferentes. Em abril, a universidade anunciou seus ensaios para experimentar a combinação de seu fármaco com o da Moderna e da Novavax.

Matthew Snape, professor de pediatria e imunologia de Oxford, é o principal responsável por este ensaio e explica seus motivos em uma nota:

“Se pudermos demonstrar que estes planos de combinação geram uma reação imunológica que seja tão boa como a das estratégias normais, e sem um aumento significativo das reações à vacina, isto poderia permitir que mais pessoas completassem a imunização contra a Covid em menos tempo”, defende.

Snape cita outro argumento a favor do coquetel: “poderia criar flexibilidade dentro do sistema no caso de indisponibilidade de qualquer das vacinas em uso”.

A decisão de trocar de vacina para a segunda dose, no entanto, não está isenta de dúvidas. A OMS (Organização Mundial da Saúde) não recomenda essa medida por causa da ausência de dados sobre seus possíveis riscos e sua eficácia contra o coronavírus.

Erro de imunização

Um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde no final do mês de abril, com base em dados do Data Sus, revelou que mais de 16,5 mil pessoas no país receberam vacinas de fabricantes diferentes entre a primeira e a segunda dose da imunização contra a Covid-19.

Até agora, estão aprovadas no Brasil a Coronavac, a vacina de Oxford/Astrazeneca, a da Pfizer e a da Janssen, que desembarcou no país pela primeira vez nesta terça-feira (22).

Na maioria dos casos de trocas de vacina, os pacientes receberam inicialmente a vacina Astrazeneca/Oxford e, depois, a Coronavac. Porém, a determinação da pasta é que o paciente receba as duas doses do mesmo fabricante, pois a troca é notificada como erro de imunização.

De acordo com nota divulgada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a identificação dessa troca entre a primeira e a segunda dose da vacina deve ser informada às autoridades de saúde.

Troca de vacinas da Covid-19 é notificada como erro de imunização no Brasil- Foto: Mauricio Vieira/SecomTroca de vacinas da Covid-19 é notificada como erro de imunização no Brasil- Foto: Mauricio Vieira/Secom

O Ministério da Saúde orienta, no PNI (Plano Nacional de Imunizações), que”em casos nos quais o indivíduo tenha recebido a primeira dose de vacina Covid-19 de um produtor (fabricante) e com menos de 14 dias venha receber uma segunda dose de vacina Covid-19 de outro produtor (fabricante), a segunda dose deverá ser desconsiderada e reagendada uma segunda dose conforme intervalo indicado da primeira vacina Covid-19 recebida.”

Além disso, segundo a pasta, cabe aos Estados e municípios o acompanhamento e monitoramento de possíveis eventos adversos a essas pessoas por, no mínimo, 30 dias. *Com informações do jornal O Estado de São Paulo. 

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