Pandemia entra em fase de ‘reversão’ em SC e região tem disparada de casos

Apesar da defasagem dos dados, aumento de casos ativos e reaceleração da transmissão dão sinais de uma nova onda de contágio em SC, alerta Necat

Santa Catarina teve o melhor momento da pandemia nas duas primeiras semanas de dezembro, quando registrou o menor número de casos ativos em 2021. Mas o cenário mudou, mostra o boletim do Necat/UFSC (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense), que analisa os dados da Covid-19.

O aumento de infecções e da taxa transmissão nos últimos dez dias do ano apontam “possibilidade concreta do início de uma nova onda de contaminação da população catarinense, caso persistam as condições atuais (grandes aglomerações sociais e descaso com uso das máscaras)”, alerta o documento publicado nesta terça-feira (4).

Casos ativos e crescimento do fator RT voltam a piorar cenário da pandemia em SC Uso de máscara, máscara, centro, Florianópolis, Centro de Florianópolis, medidas restritivas, Covid-19, coronavírus, – Foto: Arquivo/Anderson Coelho/ND

O cenário já é visível nos hospitais e unidades de saúde, que viram o aumento da procura por pacientes com sintomas respiratórios – o que pode indicar tanto infecções do novo coronavírus como de gripe. A Grande Florianópolis teve o maior crescimento de infecções simultâneas. Eram 1.151 casos no fim de novembro que saltaram 1.274 ao fim de dezembro.

Cabe lembrar que os dados da Covid-19 estão defasados em todo o Brasil desde o último dia 10 após o ataque hacker sofrido pelo Ministério da Saúde. Muitos exames positivados represados foram computados apenas no fim de dezembro, o resulta em taxas mais altas que as reais.

A Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina) ressalta que há um crescimento de infecções, independente dos problemas de registro. “O aumento de casos é decorrência tanto do restabelecimento do acesso aos sistemas de informação, como também um aumento na transmissão da doença”.

Mais infecções e transmissão

São dois dados que sustentam as conclusões do documento assinado pelo professor Lauro Mattei: há mais pessoas infectados e o vírus está sendo transmitido mais rapidamente. O segundo é indicado pelo número Rt (reprodutivo efetivo), que estima o número de pessoas que cada portador transmite o vírus. O gráfico abaixo evidencia o aumento acentuado desse índice nas últimas semanas de 2021.

Coeficiente RT, que dá conta da transmissão do vírus por cada infectado, voltou a crescer – Foto: Necat/UFSCCoeficiente RT, que dá conta da transmissão do vírus por cada infectado, voltou a crescer – Foto: Necat/UFSC

“O número oficial de casos registrado ao final de 2021 foi 1.243.535 pessoas contaminadas pela Covid-19. Em termos absolutos, significou a contaminação de aproximadamente 4 mil pessoas nos últimos quinze dias de dezembro de 2021, indicando uma reaceleração da contaminação das pessoas”, detalhou o Necat.

As infecções ativas oscilaram no fim do ano: eram 2191 no dia 17 de dezembro, caíram para 1964 (dia 24, véspera do Natal) e saltaram para 3744 (dia 30 de dezembro). O cenário inverte a tendência de melhora que vinha sendo registrada desde outubro de 2021 em Santa Catarina.

Ômicron

“É provável que nos próximos dias vejamos aumento no número de casos de Covid-19, por conta da inserção da Ômicron, aglomerações nas festas de fim de ano”, disse Fabiana Trevisol, professora e epidemiologista da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) ao ND+ nessa segunda (4).Florianópolis, São José, Jaraguá do Sul e Balneário Camboriú já registraram a variante

Levando em consideração a experiência de outros países, a possível nova onda não deve resultar em tantas internações com as anteriores, pontua a professora. “Embora a variante seja mais transmissível e acometa pessoas com vacinação completa, a tendência é que sejam casos assintomáticos e leves”, disse a professora.

Para o Necat, a aceleração da propagação da Covid-19 também ocorre por conta do avanço da Ômicron, variante do coronavírus mais transmissível que as demais cepas.

+

Saúde

Loading...