Pandemia não cede em SC, mas governo não altera política de enfrentamento

Com números mantidos e até alerta de ocupação dos leitos de UTI, governo de SC não altera em nada a política de enfrentamento do vírus; especialista vê a postura das autoridades como omissa

Na última segunda-feira (31), ao publicar novas regras de enfrentamento a Covid-19, o governo do Estado de Santa Catarina fez mais do que estender as mesmas regras pelos próximos 15 dias, mostrou que, em tese, o que está sendo adotado é o suficiente para conter o avanço da doença que contabiliza, conforme boletim atualizado nesta terça, 972.599 casos em SC.

Rotina do centro de Florianópolis inalterada depois que as medidas foram mantidas para os próximos 15 dias – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom/Arquivo/NDRotina do centro de Florianópolis inalterada depois que as medidas foram mantidas para os próximos 15 dias – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom/Arquivo/ND

Começou ainda no último sábado (29), quando do anúncio do mapa de risco, onde Santa Catarina manteve a mesma situação. Conforme o mapa divulgado a região da Grande Florianópolis continua no nível grave, e todas as outras 15 seguem em alerta, no risco gravíssimo na pandemia.

Ainda conforme a matriz, todas as regiões foram avaliadas com risco máximo, ou seja, em nível gravíssimo no quesito capacidade de atenção, o que avalia a taxa de ocupação de UTIs.

De acordo com o boletim diário divulgado pelo Estado, nesta quarta-feira, 78 óbitos foram contabilizados com 1.195 casos novos.

Especialista alerta para nova onda

Com o número de casos ativos próximo da média, assim como o número de óbitos, há um outro indício de que embora a postura das autoridades indique a manutenção do controle e da pandemia em terras catarinenses, o fato é que e doença não cede.

Pelo contrário. Para um infectologista lotado na macrorregião da Foz do Rio Itajaí que pediu para não ser identificado, há uma “omissão” do Estado diante de uma eminente terceira onda da Covid-19.

Especialista em infectologia pediátrica, o profissional lembrou das situações que aparecem no horizonte próximo e, mesmo assim, não são suficientes para intimidar as autoridades.

“Uma terceira onda da Covid-19 e a previsão de 700 mil mortos em todo o País, parecem não intimidar os líderes do Estado que insistem em medidas restritivas que fazem a pandemia não ter fim”, generalizou o infectologista.

Ele cita ainda a falta de unificação dos decretos, a falta de insumos, além das taxas de ocupação hospitalar que seguem em nível máximo, sobretudo, em Santa Catarina.

“É vergonhosa a omissão do Estado pela flexibilização dos decretos que, de fato, não acompanham a evolução da Covid-19 em Santa Catarina”, destacou o profissional.

Secretário promete aumento na fiscalização

Antes mesmo a disponibilização do mapa de risco e da publicação do novo decreto, o secretário André Motta Ribeiro já havia mencionado, além da presença da 3ª onda do contágio no Estado, a intenção em aumentar a fiscalização no cumprimento das medidas de distanciamento, em todos os âmbitos.

“O que estamos analisando é a forma de cumprir o que já está sendo colocado de percentual e medidas para cada nível do Mapa de Risco. Assim como encontrar medidas para a vigilância e orientações para a população catarinense”, explicou o secretário.

Contraponto

A reportagem entrou em contato com a SES (Secretaria de Estado da Saúde) e, em duas oportunidades, solicitou o posicionamento da pasta sobre essa espécie de contradição no combate a disseminação do vírus.

Em todas as solicitações, até a publicação da reportagem, não havíamos obtido o retorno.

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