Para Dive, não há evidências de variantes da Covid-19 em Chapecó

Vigilância Epidemiológica e Secretaria de Estado da Saúde afirmam que não há confirmação de mutações do vírus no Oeste de SC

O esgotamento da capacidade do sistema de saúde em Chapecó, no Oeste catarinense, tem levantado a suspeita de que novas variantes do coronavírus possam estar acelerando o contágio na região.

Entretanto, segundo o superintendente da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), Eduardo Macário, até o momento todas as variantes encontradas são as comuns, desde o início da pandemia. Os únicos quatro casos confirmados de nova variante no Estado foram importados.

Eduardo Macário, da DIVE, fala sobre trabalho em relação às novas variantes do coronavírusEduardo Macário, superintendente da DIVE, afirma que não há evidências de variantes do coronavírus em Chapecó – Foto: Robson Valverde/Secom/ND

“Em Chapecó, não temos evidências ainda que se trata de novas variantes. Estamos monitorando a situação (…) Essas variantes podem ter impacto para a saúde pública, aumentando a transmissibilidade, gravidade e inclusive a resistência a vacinas”, disse Macário.

Monitoramento das variantes

Em entrevista ao ND+, Macário explicou como o Estado vem monitorando as novas variantes do coronavírus.

Segundo o superintendente, o Estado atua de forma ativa e passiva. A vigilância ativa funciona da seguinte forma: se a pessoa tem no histórico passagens pela região Norte do Brasil, Reino Unido, ou África do Sul, o caso é considerado suspeito, o paciente é identificado e recomenda-se o isolamento.

“Essa amostra deve ser encaminhada para o Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), mesmo que sejam atendidos em hospital particular -, que faz a confirmação. Se for confirmada como coronavírus, a amostra é encaminhada para o laboratório de referência, que vai fazer o sequenciamento genômico”, disse Macário.

Segundo ele, no caso de Santa Catarina, quem faz o sequenciamento é a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) do Rio de Janeiro. Se a Fiocruz confirmar uma nova variante, algumas medidas são tomadas, como o isolamento e a identificação dos contatos que essa pessoa teve, para evitar novas contaminações.

Vigilância passiva

A vigilância passiva, segundo Macário, é quando a Dive coleta amostras do coronavírus em pacientes de todo o Estado, de forma sistemática para identificar quais variantes estão em circulação.

Macário também ressaltou que os estudos preliminares mostram que as vacinas têm efeito, independentemente do tipo de variante, e que a hipótese mais preocupante é a do aumento na transmissão provocado por essas novas variantes.

O superintendente também fez uma correção: “Quando a gente fala de vírus, não se fala cepa. Cepa é para bactéria. Estamos falando de novas linhagens e variantes. No caso específico, principalmente da variante de Manaus, Reino Unido e África do Sul, o termo correto é variantes do vírus SARs-Cov-2”, pontuou Macário.

Infectologista também descarta nova variante na região

Na visão do infectologista Ricardo Freitas, que trabalha em três cidades do Estado com pacientes de coronavírus: Brusque, Gaspar e Blumenau, a situação crítica em Chapecó não é decorrente de uma nova variante do vírus.

“São todos casos novos que acometeram a região. Há relatos de nova variante em Florianópolis e Joinville, em Chapecó, desconheço. Sei que são casos iniciais e há um aumento da transmissão na região”, destacou o infectologista.

Freitas acredita que houve um descuido da população e que o número de leitos de UTI na região era menor que o necessário em tempos de pandemia. Para ele, esses fatores agravaram a situação no Oeste.

Prefeito quer evitar entrada de estrangeiros

Durante uma live no Facebook na segunda-feira (15), o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) disse que, dependendo dele, proibiria a entrada de estrangeiros na cidade durante a pandemia. Segundo Rodrigues, a medida é importante por conta das suspeitas de que uma nova variante do coronavírus possa estar agravando a situação na região.

João Rodrigues gostaria de impedir entrada de estrangeiros, pela preocupação com nova varianteJoão Rodrigues (PSD) acredita que a chegada de estrangeiros em Chapecó preocupa, por conta do risco de novas variantes do coronavírus – Foto: Leandro Schmidt/ND

“A gente não pode receber mais ninguém de outros países, sabe-se lá se estão vacinados ou não, se fizeram teste ou não (…) mas somos limitados pela Legislação, direitos de ir e vir”, disse Rodrigues.

Segundo o prefeito, Chapecó é a cidade que mais recebe migrantes do Amazonas, Estado onde uma das novas variantes do coronavírus foi identificada. As outras variantes importantes em circulação são do Reino Unido e da África do Sul.

“São 13 mil imigrantes, semana que vem parece que tem a previsão de chegar mais 200. E vem de onde? Passa pelo Amazonas, muitos têm controle, outros são ilegais, clandestinos, são mais de 2 mil aqui”, disse o prefeito.

Comitiva do governo do Estado em Chapecó

Em situação crítica no enfrentamento à Covid-19, a região Oeste recebeu uma comitiva do governo do Estado no início desta semana. Na segunda-feira (15), o secretário de saúde, André Motta Ribeiro, desembarcou em Chapecó. Na terça-feira (16), foi a vez do governador Carlos Moisés (PSL), que anunciou uma série de medidas para ajudar a região.

O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) e governador Carlos Moisés (PSL), que anunciou, na terça-feira (16), a criação de 34 novos leitos de UTI no Oeste – Foto: Divulgação/Prefeitura de Chapecó/NDO prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) e governador Carlos Moisés (PSL), que anunciou, na terça-feira (16), a criação de 34 novos leitos de UTI no Oeste – Foto: Divulgação/Prefeitura de Chapecó/ND

Ainda na coletiva de imprensa na segunda-feira, questionado em relação ao aumento desenfreado dos casos no Extremo-Oeste de SC, André Motta Ribeiro, disse que há várias respostas e que não sabe se elas são suficientemente corretas.

“A gente percebe que as regiões são diferentes no impacto que elas sofrem da pandemia. Percebemos que, após o segundo pico da doença em todo o Estado, no final de novembro, algumas regiões diminuíram casos e aqui se manteve o patamar mais alto”, disse o secretário.

O secretário também falou sobre a possibilidade de novas variantes do vírus. “É fato, essas variantes estão circulando no país inteiro, aliás, no mundo inteiro. Estamos vendo diagnóstico na Europa de variante da África do Sul, na Europa de variante do Brasil e vírus é assim: altamente contagioso e se transforma mesmo”, disse Motta Ribeiro.

Questionado se uma nova variante pode ter se desenvolvido em Chapecó, o secretário falou que não se pode duvidar, porém, não existe confirmação. Ele falou que não há indícios, até o momento, de novas variantes, além das três divulgadas, mas que há possibilidade.

Motta Ribeiro afirmou ainda que a velocidade aumentada de transmissão pode ser imputada à população jovem. Segundo o secretário, após um ano de enfrentamento, esse grupo está se esquecendo de respeitar o regramento. O secretário lamentou o fato de que pessoas com 20, 30 anos estão entubadas para tratar a doença.

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