Para salvar vidas, campanha para atendimento precoce à Covid-19 é lançada em SC

Iniciativa quer evitar que pacientes cheguem aos hospitais com a doença em estágio avançado; campanha segue novo protocolo do Ministério da Saúde

O atendimento para pacientes com Covid-19 logo nos primeiros sintomas pode salvar vidas. Pensando nisso, entidades de Santa Catarina lançaram, na manhã desta segunda-feira (27), uma campanha de atendimento precoce para o coronavírus. 

Sugerindo uma mudança no protocolo de atendimento do Estado, a ação orienta que os catarinenses que tiverem sintomas relacionados ao novo vírus, mesmo que leves, se dirijam ao sistema de saúde. 

Médicos lançam campanha de atendimento precoce para Covid-19 em Santa Catarina – Foto: Corte/Reprodução/ND

No início do mês, o Ministério da Saúde já havia anunciado uma alteração no protocolo médico da Covid-19. Desde 9 de junho, o governo federal passou a orientar que os  pacientes procurassem um médico já no primeiro estágio da doença.

“É fundamental que não se espere”, disse o presidente da ACM (Associação Catarinense de Medicina), Ademar José de Oliveira Paes Junior, durante o encontro. Virtual, a reunião foi promovida pelo Movimento Floripa Sustentável e contou com presença de vários médicos.

“Nós precisamos ter três pilares para o atendimento. O primeiro é a estrutura de saúde. O segundo é base de dados, e o terceiro é a comunicação”, afirmou o presidente da ACM, ao destacar o que baseou o início da campanha. 

Santa Catarina tem visto um avanço de casos e vidas perdidas. Mais de 68 mil pessoas foram diagnosticadas com o vírus. Ao todo, 907 mortes foram registradas desde o início da pandemia. 

Colapso 

Além de dar mais atenção aos pacientes, a campanha tem o objetivo de evitar um colapso da saúde. Segundo dados da SGB (Social Good Brasil), ao menos 32% dos municípios do Estado que possuem UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) estão com taxa de ocupação acima de 80%. 

Outra projeção que foi apresentada na reunião pela presidente da entidade, Fernanda Bornhausen, é de que em três semanas o número de mortes por conta da doença pode triplicar, caso nada seja feito.

“Acreditamos que dados também podem salvar vida”, destacou Fernanda. Segundo o estudo da SGB, até meados de agosto Santa Catarina pode ter mais 1,2 mil novas mortes. 

O dado assustou Zena Becker. Presidente do Movimento Floripa Sustentável, ela está à frente da campanha e pediu o apoio da comunidade e gestores. “A nossa maior tarefa a partir de agora é conscientização dos prefeitos de todas as regiões do Estado de Santa Catarina”, afirmou. 

Pacientes graves não receberam abordagem 

Diretamente da UTI o SOS Cárdio, Fernando Graça Aranha participou do encontro. Na fala, o diretor técnico do hospital destacou que grande parte dos internados atualmente na unidade para tratamento de Covid-19 não receberam as orientações necessárias nos primeiros sintomas da doença. 

“Quase nenhum dos pacientes teve uma boa abordagem precoce”, disse. “Muitos deles, esclarecidos, pediram para fazer exames e fazer tratamento, mas não conseguiram”, relatou. 

Segundo o médico, o atendimento e orientação feitas por um profissional ainda no início da doença pode prevenir que os pacientes cheguem aos hospitais muito debilitados, necessitando, inclusive, de UTI de forma imediata.

Campanha

Além da divulgação dos dados, a reunião foi utilizada para divulgar vídeos e spots de rádio, com depoimentos de especialistas sobre a campanha.

Participam dos vídeos o conselheiro titular por Santa Catarina do CFM (Conselho Federal de Medicina), Anastácio Kotzias Neto; Antonio Cesar Cavalazzi, pneumologista; Luiz Alberto Silveira, oncologista e ex-secretário municipal de saúde em Florianópolis; e João Guizzo, ex-secretário de Estado da Saúde.

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