Fabio Gadotti

fabio.gadotti@ndmais.com.br Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens de Florianópolis e região.


Passaporte sanitário divide opiniões em reunião ampliada da Câmara de Florianópolis

Defensores argumentam necessidade de proteção coletiva; contrários questionam cerceamento de liberdades individuais

A Câmara de Vereadores realizou nesta sexta-feira (12) uma reunião ampliada para discutir o decreto que determina a implantação do passaporte sanitário em Florianópolis – que começa a valer na próxima terça-feira (16) em eventos com público superior a 500 pessoas.

As manifestações em plenário ficaram concentradas nos reflexos da campanha de imunização contra a Covid-19 e no possível cerceamento das liberdades individuais. 

Passaporte de vacinação de Florianópolis dividiu opiniões no plenário da Câmara – Foto: Divulgação/NDPassaporte de vacinação de Florianópolis dividiu opiniões no plenário da Câmara – Foto: Divulgação/ND

O secretário Carlos Alberto Justo da Silva, o Professor Paraná, defendeu a eficácia da campanha de imunização para a expressiva diminuição das mortes e internações por Covid-19 em Florianópolis.

“Dizer que a vacina é experimental é não conhecer a metodologia científica, elas passaram por três fases na Anvisa”, afirmou. De acordo com ele, o passaporte vai possibilitar que o público frequente os locais “com o menor risco possível”.

“O passaporte foi criado para permitir a retomada dos eventos de massa, ampliando o número de pessoas no mesmo ambiente com o mínimo de segurança”, falou a diretora da Vigilância Sanitária, Priscila Valler dos Santos.

Ela argumentou que existe uma “pilha de evidências científicas sobre a eficácia da vacina” e que “até aqueles que não se vacinam estão sendo beneficiados com a cobertura vacinal”.

Priscila informou que os 60 fiscais da vigilância estarão nas ruas para garantir o cumprimento dos protocolos e a exigência do passaporte.

A médica Maria Emilia Gadelha Serra alertou, no entanto, para o uso de imunizantes aprovados em apenas seis meses – “com base em estudos experimentais “ – e questionou a relação entre a campanha de imunização e a queda do número de mortes por Covid-19.

“O passaporte representa controle social, não tem a ver com saúde”, disse Maria Emília.

Advogado e médico, Airton Menezes disse que o decreto “divide as pessoas em duas classes” e pediu que seja revisto “se não integralmente, pelo menos alguns pontos” em função de possíveis “problemas jurídicos” na próxima temporada de verão.

“Se não há ainda um consenso entre os médicos, deveria haver extrema cautela antes de adoção de medidas restritivas dos direitos e garantias individuais dos cidadãos”, afirmou o procurador Rui Richter, integrante de um núcleo informal formado por  cerca de 20 integrantes do Ministério Público de SC em defesa das liberdades e de enfrentamento da censura.

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