Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou em "O Globo" e revista "Época". Escreve também sobre política para a "Gazeta do Povo".


Peça a Papai Noel um banho de discernimento e honestidade intelectual

Este Natal será diferente por vários motivos. O principal deles é a quebra da confiança das pessoas nelas mesmas

O Brasil já vinha num rumo preocupante quanto a essa instituição chamada opinião pública. Uma “politização” cosmética provocada pelo mercado das virtudes artificiais – o politicamente correto e congêneres – embaralhou um pouco as cartas do senso comum.

De um lado essa afetação de grandeza com verniz humanista que tomou conta da publicidade, das redes sociais e de boa parte da elite burguesa; de outro a reação da sociedade sem padrinhos, enfim, das pessoas comuns, contra essa falsa ética pela qual a maioria sempre acaba pagando.

“A chegada da crise sanitária não inaugurou esse conflito – que é, na essência, o mesmo” – Foto: Daniel Zimmermann/Divulgação/PVG“A chegada da crise sanitária não inaugurou esse conflito – que é, na essência, o mesmo” – Foto: Daniel Zimmermann/Divulgação/PVG

O grande ensaio para essa forma malandra de ter poder fingindo altruísmo e solidariedade foi o reinado petista. A distribuição de vantagens particulares sob o manto “progressista” levou o Brasil à maior recessão da sua história – e também ao maior assalto já engendrado pelo núcleo central de governo.

Isso nunca foi luta ideológica entre direita e esquerda. Sempre foi o conflito entre os que querem privatizar a democracia e os que não querem ter o produto do seu trabalho sugado por parasitas de boa aparência.

A chegada da crise sanitária não inaugurou esse conflito – que é, na essência, o mesmo. O país que acredita no trabalho e na liberdade vinha apoiando decididamente uma agenda de reconstrução – muito mais do que uma agenda de governo.

E os parasitas da falsa ética tentando atrapalhar, sabotar, avisando todo dia que o fascismo estava chegando. Tentaram classificar o povo nas ruas pela reforma da Previdência como movimento miliciano. E o fascismo enfim chegou – apoiado pelos que alertavam contra ele.

O fascismo sanitário é o crime quase perfeito. Se aproveita do sofrimento geral por um mal concreto e invisível para expandir a tal ética postiça – baseada sempre num coquetel de falso humanismo com patrulha histérica.

A experiência insana do lockdown, o trancamento de sociedades inteiras sem vestígio de fundamento científico – tudo insuflado irresponsavelmente por parte do noticiário, que encontrou sua chance de ouro de tomar como refém a expectativa dos cidadãos apavorados.

Tudo convergindo para imunizantes mágicos feitos a toque de caixa e oferecidos como única chance de vida em sociedade.

Mesmo diante de autoridades que mandam ninguém se aproximar de ninguém e são vistas em aglomerações festivas, o cidadão ficou confuso e acuado. Muitas relações se estremeceram ou se romperam em duelos sobre éticas difusas e duvidosas.

O conhecimento limitado sobre os riscos e as diretrizes totalitárias atropelando a todos minaram as convicções individuais.

Peça a Papai Noel um banho de discernimento e honestidade intelectual em toda a sociedade, se ela não quiser virar geleia.